Semana de Pentecostes - Pequenas meditações para cada dia, e como título da meditação uma acção do Amor.


Primeiro Dia
«O Amor é um Fogo que Abrasa»

"O mais importante nesta novena é meditarmos no grande valor e vigor do Amor de Deus por nós. Jesus mesmo declarou que o seu grande desejo era incendiar com este Fogo a terra inteira: Eu vim trazer Fogo à terra. E como gostaria que ele já estivesse ateado! (Lc 12, 49) Muito mais, por isso, é da sua vontade pôr em brasa os nossos corações. Não foi isso que sentiram os Discípulos de Emaus quando disseram que sentiam que o coração lhes ardia?

Este Fogo do Amor Divino foi aquele que abrasou a vida de todos os santos que se entregaram à vontade divina e, por causa disso, tudo levaram adiante e tudo suportaram com alegria e esperança. Porque o Amor não pode ficar ocioso, não é preguiçoso, e nunca diz: Já basta! Quem anda em amor, nem cansa nem se cansa, e quanto mais ama o Amado, mais quer fazer por ele e dar-lhe gosto."

Segundo Dia
«O Amor é uma Luz que Esclarece»

“Um dos maiores males que em nós causa o pecado é o obscurecimento do discernimento que nos apaga o espírito. Ora, a tarefa do Espírito Santo é exactamente limpar o olhar do nosso discernimento e dissipar as nossas trevas.

O Espírito Santo, que por tantos é chamado de Luz Benfeitora, não só põe em brasa os nossos corações como também põe às claras as nossas intenções. Faz-nos conhecer os nossos desejos e as nossas obsessões. Porque a obsessão é uma nuvem, um véu, que nos impede de ver a Verdade.

O Espírito Santo abre o nosso olhar ao preço da Graça, à Bondade de Deus, ao Amor infinito que Ele merece e ao Amor imenso que Ele tem por nós.”

Terceiro Dia
«O Amor é uma água que Apaga a sede»

“É com razão que Deus se queixa daqueles que andam a mendigar miseráveis e curtos prazeres mas não procuram a Fonte da Alegria duradoura que é o Amor. Nós, ao menos, não sejamos assim insensatos, e procuremos no Amor a Fonte que dá Vida à nossa Vida.

A chave que abre os canais desta Água fresca e abundante que vem de Deus é a oração de um coração agradecido. É o próprio Jesus quem fala do Espírito Santo como Fonte de Água Viva quando conversa com a Samaritana, mostrando-nos que é de um Amor Redentor que precisamos para estarmos felizes. E mais: Se alguém tem sede, venha a Mim e beba! (Jo 7, 37) Quem deseja a verdadeira Felicidade, venha a Mim e beba, e Eu o farei Feliz.

Oh Fonte de Água Viva, Jesus Cristo,
oh Bem Maior,
quantas vezes me atirei a beber em charcos de águas mortas e poças de lodo,
em vez de me aproximar da Nascente das Águas da Viva
que é o Teu lado aberto para nós!
Faz-me desejar-te e procurar-te, já que tudo fazes para seres encontrado.”


Quarto Dia
«O Amor é um Orvalho que Fecunda»

“Por duas razões o Amor é chamado orvalho. Primeiro, porque fecunda o nosso coração para nos abrirmos ao que é Bom. Segundo, porque serena a nossa vida e acalma as nossas obsessões e os maus desejos.

Se queremos ser envolvidos por este orvalho que desce do céu, então aprendamos a arte da Meditação, ao menos um pedacinho todos os dias. Um quarto de hora basta, cada dia, para que o Amor realize em nós esta fecundidade e esta serenidade. Quem diz que ama a Deus, mas não ama a Meditação, ou não sabe de Deus ou não sabe de Amor. O que vem a ser a mesma coisa!

A Meditação é como uma fonte no meio do jardim. Quem a tem, floresce; quem a não tem, seca.

Peçamos ao Espírito Santo que nos livre do tédio e da preguiça, os grandes inimigos do Amor e da Meditação, que acabam por secar a nossa vida.”


Quinto Dia
«O Amor é um Repouso que Restaura»

“A principal força do Amor é unir a vontade de quem ama à vontade do amado. Porque amar é querer sempre o bem do outro e dar-lhe gosto. Deste desejo e desta união da vontade nasce uma Paz que nada mais no mundo pode dar, mesmo no meio das dificuldades.

O Amor vence a revolta e o desânimo. Isso nos quer ensinar o Espírito Santo, como o ensinou ao próprio Jesus Cristo. Com ele aprendemos que a cruz é pesada para quem a arrasta, mas torna-se mais leve para quem a abraça. As dificuldades são maiores para quem as suporta do que para quem as aceita.

Espírito Santo, Amor de Deus,
vem em auxílio da minha fraqueza!
Maior fraqueza é o ressentimento que a fragilidade.
Porque o ressentimento com tudo se atormenta,
mas a fragilidade, vivida no Amor, de tudo é capaz!”


Sexto Dia
«O Amor é uma Força que Encoraja»

“Quando se trata de dar gosto a quem se ama de verdade, o Amor vence tudo! Não há impossibilidade que resista ao Amor, porque ele encontra caminhos e esperanças em todas as situações. Por isso, o sinal mais certo para conhecer a vitalidade do nosso Amor a Deus é a fidelidade nas horas de adversidade e de medo.

Assim como não há coisa nenhuma que resista à morte, não há morte nenhuma que resista ao Amor!

Ah, meu Amor e meu Amado,
Jesus Cristo,
não permitas que eu viva na tibieza e morra na ingratidão!
Faz-me amar com ardor e reconhecer a graça do teu Amor,
maior que qualquer pecado e mais forte que a morte.
Quem anda em Amor, esse está em Deus e Deus está nele. (1Jo 4, 16)
Abrasa-me, então, com o Fogo do teu Amor
e destrói as minhas cadeias.
Então, atrai-me a ti, prende-me a ti,
que outra Liberdade não desejo senão fazer o que tu queres.”


Sétimo Dia
«O Amor faz de nós Morada»

“É esta a magnífica promessa de Jesus Cristo em favor daqueles que o amam: Se me amais, eu vou pedir ao Pai, e Ele vos enviará o Espírito Santo para morar sempre convosco. (Jo 14, 16) Quem diria?! Deus quis morar no coração daqueles que O amam!
Mas não nos esqueçamos que Deus é cheio de zelos. Onde Ele habita, tudo vai compondo à Sua maneira e segundo a Sua vontade.

Santo Agostinho escreveu que o antigo Senado Romano se recusou a admitir Jesus Cristo entre os outros deuses, dizendo que ele era um deus soberbo que quer ser adorado em exclusividade. E temos que reconhecer que, nisso, falaram verdade!

Quem ama como ele nos ama não facilita a vida aos rivais.
Quem dá tudo não pode pedir menos que isso, apesar de saber aceitar as nossas dificuldades e ter paciência connosco.
Quando o nosso coração aceitar que quem tudo dá tudo merece, então amaremos o Amor como Ele nos amou, e seremos felizes.”


Oitavo Dia
«O Amor é um Vínculo que Une»

“Muitos vínculos no mundo são apenas vínculos de escravidão. Mas não é assim com o Espírito Santo, que é um vínculo de liberdade e um laço de vida. Porque assim são os laços do Amor, vínculos de vida verdadeira e salvação!

Deixar-se prender pelo laço do Espírito Santo é tornar-se livre, porque Ele nada faz senão unir-nos a Jesus, nosso Redentor e, através dele, unir-nos ao Pai que quer todo o nosso bem e felicidade. Por isso o Profeta Oseias ouviu isto da boca de Deus: Eu vou atraí-los a mim usando laços humanos, vínculos de amor. (Os 11, 4)

Também São Paulo nos ensinou que o Amor é o vínculo da perfeição. (Col 3, 14) Por isso, Santo Agostinho teve a ousadia de ensinar assim: Ama, e faz o que quiseres! Porque quem faz o que o Amor ordena é a pessoa mais livre que há no mundo, já que tudo faz para dar gosto ao amado. Viver para agradar a quem é todo Graça, é fonte de liberdade e alegria.”


Nono Dia
«O Amor é um Tesouro que contém todos os Bens»

“O Evangelho fala de um tesouro que se encontra num campo e que vale tudo o resto. O Amor é esse tesouro de que nos fala Jesus. E não só fala dele como o traz até nós. Não há tesouro maior que a Amizade de Deus, porque quem o encontra e o guarda deixa de andar como um escravo que se prende a coisas na ilusão de tornar-se feliz. Coisa nenhuma no mundo pode dar felicidade duradoura ao nosso coração, porque Deus nos fez para desejarmos a Sua Amizade e a Sua Vida, e com menos que isso não andamos verdadeiramente contentes e em paz.

Quando o fogo pega em casa, deitam-se todas as coisas pela janela! Assim o Amor, quando pega num coração, mostra-lhe que a felicidade consiste em outros bens que não as riquezas deste mundo.


O Espírito Santo é o tesouro da Amizade de Deus que quer preencher a nossa vida. O amigo assemelha-se ao amigo! Por isso, imitemos Jesus Cristo, que não nos chamou escravos mas nos chamou amigos, procuremos em todas as situações assemelhar-nos a ele e amar como ele nos amou. Então, buscando o Amor, encontraremos a Felicidade.”

De Santo Afonso de Ligório, fundador dos Missionários Redentoristas.

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