Porque está mal traduzido na Bíblia «Afasta-te, Satanás!», e devia estar «Põe-te atrás de Mim, Satanás!»
No seu Evangelho (versículo 17 do capítulo 16), Mateus apresenta Pedro como filho de Jonas, segundo «a carne e o sangue», que reconhece em Jesus o Filho de Deus, graças à visão divina.
No versículo 23, tudo muda: ele volta a ser o filho de Jonas, mas que se atravessa no caminho de Jesus, como um «Satanás», um adversário que veio barrar-lhe o caminho.
Então, Jesus ordena-lhe que deixe essa posição de obstáculo, que pare de se comportar como "pedra de tropeço" no caminho para Jerusalém.
Curiosamente, as traduções da Bíblia têm posto na boca de Jesus uma resposta dura: «Afasta-te, Satanás! Tu és para mim um estorvo, porque os teus pensamentos não são os de Deus, mas os dos homens!» Todavia, para surpresa, talvez, literalmente, Jesus diz: «Coloca-te atrás de mim!*»
No texto paralelo de Marcos, 8, 33, esta ideia é clara, como anota D. António Couto, bispo de Lamego, biblista: «Note-se a tradução correcta: «Vai para trás de MIM» (hypáge opísô mou) (8,33), e não: «Afasta-te de MIM», como se vê em muitas traduções. «Atrás de MIM» é o lugar do discípulo, que segue o Mestre passo a passo, que deve ter em consideração as coisas de Deus, e não as dos homens. É, de resto, a mesmíssima linguagem posta na boca de JESUS aquando do chamamento de Pedro e André: «Vinde atrás de Mim (deûte ôpísô mou)» (Marcos 1,17) - ver os textos de Dom António Couto nestas hperligações: Mesa das Palavras- o caminho de Jesus e em Mesa das Palavras - Vai para trás de Mim
No texto paralelo de Marcos, 8, 33, esta ideia é clara, como anota D. António Couto, bispo de Lamego, biblista: «Note-se a tradução correcta: «Vai para trás de MIM» (hypáge opísô mou) (8,33), e não: «Afasta-te de MIM», como se vê em muitas traduções. «Atrás de MIM» é o lugar do discípulo, que segue o Mestre passo a passo, que deve ter em consideração as coisas de Deus, e não as dos homens. É, de resto, a mesmíssima linguagem posta na boca de JESUS aquando do chamamento de Pedro e André: «Vinde atrás de Mim (deûte ôpísô mou)» (Marcos 1,17) - ver os textos de Dom António Couto nestas hperligações: Mesa das Palavras- o caminho de Jesus e em Mesa das Palavras - Vai para trás de Mim
Em vez de se manter à frente de Jesus, Pedro deve ir para trás Dele e segui-Lo. Quem assinala a direcção e o ritmo não é Pedro mas é Jesus.
O discípulo deve seguir o mestre. Deve viver em conversão permanente. A palavra de Jesus era também uma mensagem para todos os que conduziam as comunidades. Eles devem “seguir” Jesus e não podem colocar-se à frente como Pedro queria fazer. Não são eles que podem indicar a direcção ou o estilo. Pelo contrário, como Pedro, em vez de pedra de apoio, podem converter-se em pedra de escândalo. Assim eram alguns chefes das comunidades nos tempos de Mateus. Havia ambiguidade. O mesmo pode acontecer hoje connosco!
A dureza da reprimenda faz pensar que Simão se fez aqui um cúmplice da tentação maior de Jesus: escapar do «cálice» que lhe será dado a beber (Mt 26,39).
A «vida pública» de Jesus está como que enquadrada pelas tentações de um messianismo de poder e de glória do capítulo 4 (a tentação no deserto) à oração em Getsêmani. A intervenção de Pedro situa-se, de alguma forma, no meio do caminho e profetiza o seu comportamento no decurso da Paixão.
Estes textos devem ser lidos em paralelo.
E também nós estamos implicados neles: não é só Simão que deve ir para trás de Jesus, para segui-lo na estrada que vai se abrir.
Quem quiser se beneficiar do que Jesus traz deve também tomar a sua cruz, tomar as cruzes que a vida lhe impõe.
Dito de outra maneira, em vez de nos revoltarmos, devemos aceitar a condição humana e comportarmo-nos, portanto, como Jesus se comportou. É uma questão de vida ou de morte: quem quer economizar a própria vida perde-la-á e quem aceita perdê-la por causa do Cristo estará salvando-a.

http://mesadepalavras.wordpress.com/2014/08/30/vai-para-tras-de-mim/#respond
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