A lógica de Deus não é a nossa lógica. A lógica de Deus é a misericórdia. A lógica humana é «tanto à hora»
Senhor, que eu compreenda a vossa lógica divina, que é a da misericórdia.
Tira de meu peito o coração de pedra e justiceiro, e dai-me um coração aberto a vossa lógica,
para que possa me alegrar pelo bem que concedes aos meus irmãos, inclusive àqueles que segundo eu não o merecem.
E ajudai-me a trabalhar na vossa vinha com amor e por amor, e não por interesse mercantil, só para Vos alegrar,
e isso me basta.
Comentário do Pe. Antonio Rivero, L.C. ao XXV domingo do
Tempo Comum
Textos: Isaias 55, 6-9; Filipenses 1, 20-24.27; Mateus 20,
1-16
A salvação não nos será dada em termos de contrato bilateral, de justiça legal, mas de
misericórdia e amor de Deus. Os méritos são os de Jesus
Cristo. A nós cabe-nos colaborar.
Os legalistas e fariseus de hoje gritam a Deus: “É injusto! Nós merecemos mais do que os que trabalharam
menos horas...»
Os judeus, como povo eleito de
Deus, pensavam que eram os “titulares” da promessa, ao passo que outros, os não judeus, os
pagãos - que podemos considerar como os “suplentes” - não deveriam ter direito a
receber a mesma recompensa que eles.
Também a nós se poderá aplicar a mesma
lição. Os sacerdotes, religiosos e gente comprometida com a pastoral diocesana
ou paroquial podemos ter a tentação de pensar que somos mais dignos do prémio.
Cristo também grita hoje aos legalistas e fariseus: «Por que
tendes inveja porque eu sou bom, inclusive com aqueles que vós pensais que não
merecem?»
Jesus nos dá, não uma lição de justiça salarial - o dono da vinha
paga todos o justo- mas uma lição da generosidade que Deus tem, que admite como
jornaleiros que se apresentam somente na última hora, sem dar uma excessiva
importância a este atraso, e logo paga os últimos mais do que lhes competiria
de acordo o rigor.
Deus não premeia só conforme aos nossos méritos, mas segundo a sua bondade.
A salvação de Deus é sempre gratuita.
Deus salva os homens não tanto pela justiça
(você fez tanto, merece tanto), mas da misericórdia (que é amor). Que tenta salvar-se somos nós, mas quem efetivamente salva é Deus. Se não fosse assim, as
relações do homem com Deus seriam mercantis: se salva só quem cumpre.
E nós, o que gritamos
hoje a Cristo?
«Senhor, dai-nos um coração como o vosso para que aprendamos a
ser bondosos de coração na nossa relação com os demais.»
A questão é se temos
bom coração ou não. Somos às vezes, coração mesquinho,
calculadores na nossa relação com Deus e com os irmãos. Acostumamos levar uma
contabilidade das horas que trabalhamos para Deus, como seguindo as pautas do contrato laboral, e
depois pedimos contas a Deus e pensamos que temos o direito ao prémio ou ao
pagamento. Não projetemos sobre Deus os nossos
cálculos e as nossas medidas. Ao contrario, aprendamos Dele a ser
misericordiosos e generosos com aqueles que não merecem, segundo a nossa
opinião. Ah, se Deus levasse a contabilidade das nossas faltas, não pensaríamos
assim como esses legalistas do Evangelho.
Para refletir
Somos propensos aos ciúmes e à inveja?
Estamos dispostos a louvar os bons resultados dos outros, a alegrar-nos com as
qualidades que outros têm?
Somos cristãos de salário, ou trabalhamos só
tratando de alegrar a Deus?
Consideramos a salvação como um contrato bilateral,
de justiça legal, ou como graça?

Comentários
Enviar um comentário