Acreditamos que se aprendêssemos a observar a natureza saberíamos tudo sobre nós. Nela tudo é per feito, tudo interage entre si, tudo nos
mostra a simplicidade da Vida.
Por Cristina Leal | Autora, Terapeuta, Conferencista | www.entrenos-livro.blogspot.pt |
Revista Progredir outubro 2014
Tal como uma planta ou uma árvore um relacionamento é um ser
vivo. A sua sustentabilidade resulta de condições favoráveis ao
seu crescimento saudável, que permitirão às suas raízes alimentarem-se de forma
a gerar caules mais fortes, podendo assim resistir melhor ao sol, ao vento, à
chuva ou até à mais nefasta tempestade.
Tal como na natureza, numa relação, existem pelo menos dois
tipos de adubo. Aquele que a alimenta verdadeiramente e a ajuda a criar profundas
e sólidas raízes e aquele que a mantém aparentemente viva, funcional na sua
existência, mas sem qualquer expressão, brilho ou beleza.
Mas, afinal o que pode realmente nutrir e sustentar um relacionamento? Curioso como poderíamos escrever uma enciclopédia sobre o
tema e ao mesmo tempo sintetiza-lo em três palavras: Verdade, Confiança e
Afeto.
A VERDADE é talvez o ‘adubo’ mais fértil que qualquer
relacionamento pode ter.
Só ela liberta. Só ela permite criar laços indestrutíveis,
primeiro connosco mesmos e depois claro está, com o outro. Estar em VERDADE,
permite-nos criar um espaço amoroso onde as ilusões, como que por magia se convertem
em Amor, em dádiva, em partilha. Através desta aliança surge naturalmente sem
qualquer resistência ou timidez, a CONFIANÇA.
Esta CONFIANÇA por sua vez remete-nos para um reforço do
nosso sentido de segurança, o que torna a relação naturalmente mais livre, leve
e consciente.
Pode verificar-se, em terapia de casal, uma resistência
grande em partilhar a dois, aquilo que em verdade se sente, por “medo” da
reação do outro.
Nestes casais a confiança foi sendo aos poucos substituída
pela suposição do que estará o outro a “tramar”, pela insegurança profunda e
pelo trepidar forte da estrutura da relação, que ao perder sustentabilidade, se
desmorona naturalmente.
A mentira é sem dúvida o ácido mais nocivo e fatal num
relacionamento.
Certo é que, quando a verdade dói a mentira parece sempre
consolar. Ainda há casais que se alimentam de mentira, acreditando que a sustentabilidade
das suas relações reside na funcionalidade das mesmas, ou seja se é funcional
no dia-a-dia, funciona.
Pior ainda, se é funcional é autossustentável, logo nada é
preciso fazer para a alimentar.
É uma escolha, sem dúvida. Pode sobreviver-se assim anos a
fio. Mas será que se vive realmente?
Podemos equiparar estas relações a uma planta com pouca
terra, acomodada num vaso pequeno para o seu verdadeiro tamanho, de raiz muito fina
e…murcha.
Ao longo do tempo, a VERDADE e a CONFIANÇA, vão instalando
docemente na relação uma genuína vontade de partilha, que leva o casal para a
magia de outro poderoso e nutridor adubo - o AFETO.
Darmo-nos ao outro, saber exprimir afeto sem reservas,
alimenta saudavelmente qualquer relação.
Estarmos conscientes das cúmplices trocas de olhares, dos
toques de pés debaixo da mesa, do abraço ao acordar, do beijo antes da refeição
para desejar “bom apetite”, da ternura que herdámos por ter incarnado neste
planeta e da simplicidade de saber partilhá-la a cada inspiração das nossas
vidas, faz verdadeiros milagres. Afinal, somos feitos de Amor e só através dele
nos conseguimos verdadeiramente ampliar.
Se nos permitirmos experienciar esta tríade de Verdade,
Confiança e Afeto, veremos que os nossos relacionamentos serão campos Amor vivo
e dinâmico, onde haverá sustentabilidade e nutrição verdadeiras, tornando assim
mais fortes e profundas as suas raízes.
Tal como a árvore, perante condições adversas pode perder as
suas folhas ou quebrar os seus galhos, mantendo firme o seu tronco, o mesmo
acontecerá connosco.
O resto sucederá naturalmente. Como o dia se sucede à noite
e a noite ao dia.

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