Correção fraterna: irmãos que se amam!
Deus convida-nos a praticar a correção fraterna
Somos vigias e sentinelas (dizia o profeta Jeremias: Jr 33,
7-9) que devemos avisar se se aproxima algum perigo para a nossa salvação e
para a salvação dos nossos irmãos, pois Deus nos pedirá contas do nosso irmão.
S. Paulo sintetizou a tarefa do vigia e sentinela cristão:
«Não fiqueis a dever nada a ninguém, a não ser isto: amar-vos uns aos outros.
Pois quem ama o próximo cumpre plenamente a lei» (Rm 13, 8-10).
Cristo, no discurso comunitário apresentado por Mateus (Mt
18, 15-20), dá-nos as pautas para a correção fraterna:
primeiro, em particular;
depois com a ajuda de outro irmão como testemunha para o
corrigido se dê conta de que a coisa é seria e importante;
e, se o corrigido não faz nenhum caso, deve-se dizer à
comunidade eclesial para dizer-lhe que esse irmão não quer pertencer à
comunidade.
E esta correção fraterna tem de estar motivada pelo amor
(como disse S. Ppaulo), síntese de toda a lei, e com humildade.
A correção fraterna como é ensinada na Bíblia
Em primeiro lugar, a correção fraterna parece uma das
constantes da pedagogia de Deus já no Antigo Testamento. Quantas vezes Moises
teve de corrigir, em nome de Deus, esse povo de cabeça dura, e os mesmos profetas!
Deus “bate” para aprendermos (cf. Jr 2, 30; 5,3; Ez 6, 9), ou para
purificar-nos (cf. Is 1, 24), ou para expiar as nossas culpas (cf. Mi 7, 9).
Feliz o homem que Deus corrige! (cf. Job 5, 17). Deus a quem ama, repreende
(cf. Dt 8, 5; Pr 3, 11). O mesmo Deus pede para corrigir o próximo (cf. Lv 19,
17).
Em segundo lugar, Jesus exercitou a correção fraterna com os
seus apóstolos, com os chefes religiosos e políticos do seu tempo, e com a
turba. Jesus corrige os seus discípulos, os seus horizontes raquíticos,
humanos, ambiciosos. Jesus corrige a hipocrisia dos chefes religiosos, e por
querer manipular a Deus. Jesus corrige os excessos, as injustiças e os abusos e
a corrupção dos chefes políticos e lhes diz que a autoridade é serviço e não
domínio. Jesus corrige a inconstância da turba, os seus caprichos, os seus
interesses egoístas; muitos seguem Jesus para arrancar Dele curas e pão, sem as
devidas disposições de fé e confiança Nele. Jesus corrige porque ama e porque
quer a salvação de todos.
E, também nós deveríamos colocar em prática esta
correção fraterna. Amar o próximo não é sempre sinónimo de calar ou deixar que
siga pelos maus caminhos, se em consciência estamos convencidos de que é este o
caso. Amar o irmão não somente é acolhê-lo ou ajudá-lo na sua necessidade ou
aguentar as suas faltas; também, às vezes, é saber dizer para ele uma palavra
de admoestação e correção não para que fique pior em nenhum dos seus caminhos.
O que corre o perigo de se extraviar, ou já se extraviou, não se pode deixar
sozinho. Se o teu irmão peca, não deixes de amá-lo: ajuda-o. Correção fraterna,
primeiro na nossa família, corrigindo o esposo ou a esposa, os filhos, os
pontos objetivos que têm que superar. Depois, entre os nossos amigos, se nos
consta que caminham por maus caminhos. Mais tarde, nos nossos trabalhos, se
virmos que existe corrupção, malversação de fundos ou enganos. O bispo ou o
pároco devem exercer a sua guia pastoral na diocese ou na paróquia,
respectivamente. E logicamente também nos nossos grupos e comunidades eclesiais
e paroquiais, para que não nos corroam a inveja, a murmuração e as ambições.
“Quando alguém incorra em alguma falta, vós, os espirituais, corrigi-o com
espírito de mansidão e cuida-te, porque tu também podes ser tentado” (Gal 6, 1).
Para rezar
Senhor, corrige-me com carinho e ternura. Senhor, que saiba
corrigir a meus irmãos com reta intenção e por amor. Senhor, dou permissão a
meus irmãos para que me corrijam quanto em mim vejam distorcido e não de acordo
com o teu Evangelho.
P.e António Rivero

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