Um homem tinha dois filhos. Dirigindo-se ao primeiro, disse-lhe: 'Filho, vai hoje trabalhar na vinha". Mas ele respondeu: 'Não quero.' Mais tarde, porém, arrependeu-se e foi.
Mateus 21, 28-32: Cristo, falando aos dirigentes dos
judeus, que acreditavam que pertencer ao povo eleito de Deus já estava tudo
conseguido, fala-nos também a nós. Esta parábola será complementada com as
próximas dos seguintes domingos: a vinha que o dono tem que arrendar para
outros, e o banquete festivo ao que tem convidar outros, diante da rejeição dos
primeiros convidados. O povo eleito não soube ver o dia da graça, não soube
acolher o Enviado de Deus.
Factos, não palavras
O primeiro filho
disse "sim", mas não foi.
Jesus critica a hipocrisia dos fariseus, e a nossa,
que cuidavam a fachada com mil palavras vazias e altifalantes, mas não os
conteúdos da sua fé. Não poderia acontecer a mesma coisa conosco? É fácil
quando estamos na igreja, cantar cantos ao Senhor, ou responder “amém” a
orações e propósitos. Porém, depois essa fé se traduz em obras? Quantos de nós
estamos batizados, fizemos a primeira comunhão, somos casados pela Igreja,
vamos à missa aos domingos, levamos uma medalha no pescoço, fazemos
peregrinações a santuários, rezamos o terço...e depois, na vida, o nosso estilo
de atuação não se parece em nada ao que dizem acreditar. Pronunciamos o “sim”
superficialmente, sem personalidade, por costume ou por medo.
O segundo filho, quem
é?
Disse "não", mas depois foi.
Quantos estamos refletidos nesse segundo filho!
Temos momentos de rebeldia: rebeldia contra a autoridade paterna ou contra os
superiores ou contra a Igreja ou contra Deus mesmo. Momentos de desânimo ou de
birras. Momentos de inconstância e de cansaço. Momentos de irreflexão ou de
egoísmo. Causas dessa mudança de humor? Influências externas que são autenticas
rajadas ideológicas e éticas; talvez este filho do “não, mas sim” não recebeu a
semente da fé na família ou na escola. Certamente não seria o modelo para
seguir este filho; Jesus não nos convida a imitar este filho ou as prostitutas
ou os publicanos, mas imitar a capacidade que tiveram de se converter e mudar.
Se essas pessoas estão adiante no Reino, não é pelo que tinham sido, mas pela
mudança que deram, como o bom ladrão, na última hora, na cruz.
O ideal é dizer “sim” com
convicção
e logo ser consequente e perseverar no bem.
Jesus já disse em outros
momentos: “Não entrará no Reino dos Céus aquele que diz Senhor, Senhor, mas o
que cumpre a vontade do meu Pai do céu...o que cumpre a vontade do meu Pai do
céu, esse é o meu irmão, a minha irmã e a minha mãe...o que edifica sobre rocha
é o que ouve estas palavras e as coloca em prática...que o nosso sim seja sim,
e o nosso não, não”. As declarações, as promessas e as manifestações duram
pouco. O que custa é agir com coerência. Dizer “sim” é simples. Mas agir
conforme a esse “sim”, é outra história. Portanto: Sim, à vontade de Deus. Sim,
à verdade, à castidade, à obediência, ao respeito, à caridade. Sim, para ajudar
o pobre, o emigrante, o doente. Sim, à oração e ao sacrifício. Sim, aos
momentos de luz e de escuridão; de alegria e de tristeza, de êxito e de
fracasso. E por consequência: Não, ao pecado, e às manifestações do mesmo.
Para refletir
A qual dos três filhos nos parecemos: “Sim,
mas não...Não, mas sim... Sim e é sim?
Com qual queremos parecer de hoje em
adiante?
Pensemos nisto: quantos santos e santas veneramos que foram do “Não,
mas depois foram”: santo Agostinho, santa Maria Madalena, santo Inácio de
Loyola...!
E também temos santos do “Sim e foram”: santa Teresa do Menino
Jesus, Teresa de Jesus, são João XXIII e são João Paulo II...
Porém não temos
santos do “Sim, mas não foi”.
Para rezar
Senhor, desejo aprender de Vós a dizer “Sim”,
como a vossa Mãe Santíssima. Senhor, fácil é dizer de boca “Sim”, mas difícil
praticá-lo. Dai-me coerência de vida entre a minha palavra e o meus fatos.
Comentário do Pe. Antonio Rivero*, L.C., sobre a liturgia do XXVI domingo do Tempo Comum
* Doutor em Teologia
Espiritual, professor e diretor espiritual no seminário diocesano Maria Mater
Ecclesiae de são Paulo (Brasil).

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