A Aleteia - www.aleteia.org/pt entrevistou D. Vincenzo Paglia, que propõe um papel mais
ativo dos leigos na Igreja, sem “clericalismo” nem “familiarismo”
O Papa Francisco e o grupo de nove cardeais que o assessoram na
reforma da cúria estão considerando seriamente o tema dos leigos e a família. Isso significa que a reflexão abrange, entre outros
aspectos, a questão da mulher na sociedade e na Igreja, bem como a juventude e
os movimentos leigos.
Precisamente por ocasião da apresentação, na última
terça-feira, no Vaticano, do Encontro Mundial das Famílias da Filadélfia (22 a
27 de setembro de 2015), conversámos com Dom Vicenzo Paglia, presidente do
Conselho Pontifício para a Família, sobre o papel dos leigos na Igreja ou na
gestão de um grande organismo da cúria romana.
Como pode a Igreja Católica apoiar os leigos para que tenham
um papel ativo na reflexão atual sobre os desafios da família?
É indispensável dizer às famílias que participem mais da
vida da Igreja. Neste sentido, é necessário dizer: que os jovens sintam com
mais audácia seu compromisso! Que os pais não abandonem seu papel educativo!
Que os pais não pensem em ser felizes com uma atitude fechada! Que os avós não
sejam descartados, mas descobertos em sua importância de transmitir a cultura!
Assim, poderíamos falar de uma primavera das famílias, partindo de um novo
compromisso na Igreja.
Existem obstáculos para este compromisso?
Eu gostaria que as famílias se libertassem do “familiarismo”
e que as comunidades cristãs se libertassem do “clericalismo”. Portanto, é
preciso que haja uma osmose. Tornar muito mais dinâmicos os encontros nas
paróquias, nas dioceses. Isso para que os membros das famílias sejam mais
abertos ao mundo e à Igreja.
Qual é o papel das mulheres?
Precisamos abrir os olhos para um papel mais ativo das
mulheres. Muitas vezes, seu papel é deixado de lado. Sua sabedoria é isolada.
Digo isso vendo a realidade de vários países. Sem dúvida, o papel da mulher
precisa encontrar maior força em todos os âmbitos da vida humana: na política,
na Igreja, na administração, na gestão. É por isso que se torna indispensável
um ressurgimento das famílias.
A Igreja Católica está pronta para aceitar que um pai ou uma
mãe de família seja chefe de um dicastério – por exemplo, do Conselho
Pontifício para a Família?
É claro que há necessidade. O que buscamos é que o Conselho
Pontifício para a Família tenha uma maior presença das famílias, muito além da
que existe hoje. Sem dúvida. Penso que, em um dicastério como o da família,
será preciso que os leigos tenham mais cargos de gestão.
Então, podemos esperar alguma nomeação?
Certamente, nos cargos superiores. Mas a estrutura da Igreja
não é imediatamente aplicável às estruturas sociais conhecidas. São Gregório
Magno, Santo Ambrósio, São Cipriano, quando entenderam que queriam fazer deles
bispos, fugiram. Portanto, toda esta competição para ser chefes... penso que
precisaria ser desacelerada.

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