(na Casa de Nossa Senhora do Carmo, Fátima)
ASSEMBLEIA EXTRAORDINÁRIA DA FRATERNITAS
Convocatória
Nos termos do Artigo 12º dos Estatutos, convoco todos os sócios da Associação Fraternitas Movimento, com as quotas em dia, para uma Assembleia Geral Extraordinária a realizar no dia 25 de Outubro às 10.00 horas, na Casa de Nossa Senhora do Carmo, em Fátima, com a seguinte Ordem de trabalhos:
1- Discussão e deliberação da passagem da Associação Fraternitas Movimento a Movimento Fraternitas.
(Notas: Nos termos do artigo 16, as decisões são tomadas por maioria absoluta dos votos dos membros presentes. No 16.1 diz que serão aceites votos por correspondência, que se aceita por estar consignado na lei. Na anterior assembleia ficou ainda deliberado que também se aceitariam votos por procuração. Neste caso, acrescenta-se no final desta convocatória um modelo simples dessa procuração).
2 - Outros assuntos.
Se à hora marcada, não houver quórum, nos termos do artigo 15 dos Estatutos, a reunião terá lugar meia hora mais tarde, com os sócios presentes.
25 de Agosto de 2014
…… % ……………………………………………………...…………………………………………
Procuração para a Assembleia Geral Extraordinária (A.G. E.):
Eu, ….…………………………………………….………………………… com o número de sócio(a) da Fraternitas …..….... constituo meu(minha) procurador(a)……………………………….………………………….………. com o nº ……..…. para me representar e votar na A.G. E. do dia 25 de Outubro de 20014.
……… % …….....……………………………………………………………………………………..
N.B.: O número de sócio está na lista de sócios que todos devem ter.
Depois de preenchida a Procuração, é só recortar e mandar ao sócio escolhido como Procurador e cópia para o presidente da A.G.
Para reflexão: QUE FRATERNITAS QUEREMOS?
Carta de Artur Oliveira e Antonieta
Angra do Heroísmo, 23 de janeiro de 2014
À Fraternitas! Antes de mais quero salientar que a Antonieta e eu temos imensas saudades de todos os nossos amigos e irmãos no Sacerdócio e suas mulheres (também filhos). E não vos dizemos nada das saudades que nos consomem da primeira fase da existência da Fraternitas do nosso muito querido P.e Filipe.
Mas agora, que a idade e os achaques nos dificultam deslocações, essas saudades parece que aumentam. No entanto, nunca perdemos de vista a Fraternitas, e preocupa-nos – preocupa-nos mesmo a sério – o caminho que nos parece vai trilhando.
Afinal, para que foi que o Padre Filipe e uns tantos de nós fundámos a Fraternitas? Para a transformar numa espécie de confraria ascética e, sob o ponto de vista intelectual e formativo, numa repetidora do passado?
Onde já lá vai o Vaticano II que, infelizmente e mau grado – permitam-me que a classifique assim – da I Fraternitas, nunca foi levado a inteira compreensão e efeito, para que lhe ressuscitemos o cadáver? Não seria melhor, com o Papa Francisco, perscrutarmos o futuro e prepararmo-nos para ele, já que o presente é o que se vê e lastima?
E, a propósito: não seria bom descobrir, ou encontrar, para a Fraternitas, uma obra, ou missão evangélica, que lhe dê vida e saúde, e lhe proporcione um futuro? Ou vamos entrar cada vez mais num estilo de confraria? Não é que as confrarias de oração e penitência não sejam necessárias e façam bem à Igreja. Mas, a “massa humana”, (e porque não dizê-lo) e intelectual e cultural da Fraternitas, serve para um pouco mais do que para isso. E, sobretudo, para aquilo que outros membros da nossa Igreja não podem fazer: o profetismo. Então, não foi profetismo o que nós, sacerdotes “dispensados” do ministério, fizemos, e ainda poderemos fazer? Assim se volte e dedique a isso a nossa FRATERNITAS. Se não, “venham-nos com os últimos sacramentos”…
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Carta de Zélia, Alípio e Tita
Chaves, 27 de janeiro de 2014
Caros amigos Antonieta e Artur! Obrigados. Estamos convosco. Chegou o tempo de a Fraternitas dar por encerrado o ciclo de atividade que, por mediação do saudoso P.e Filipe e de D. Serafim da Silva, se propôs realizar e realizou de facto. Para a história da Igreja ficam os testemunhos dos sócios, com destaque para o Artur e o João Simão e a apreciação que os nossos bispos e outros teólogos de reconhecido mérito disseram do nosso Movimento, que, em boa hora, compilamos no livro Cónego Filipe de Figueiredo.
Presentemente – porque os mais novos não aderiram e a maioria dos que a subscrevemos ou se «foram já da lei da morte libertando» ou estão mais ou menos presos ao domicílio – ano após ano vem diminuindo drasticamente a frequência aos agradáveis e sumamente úteis encontros de formação dos primeiros anos.
Nestas condições, longe de refletirem a alegria e a ânsia de maior inserção eclesial iniciais, os encontros anuais, pelo reduzido número de participantes de ano para ano, começaram a tornar-se desmotivantes e até a funcionar em sentido inverso como tediosos. O não preenchimento deste vazio com novos sócios está a retirar-lhes o sentido para o que foram pensados: partilha de experiências, formação e encontro de amigos e a transformá-los em encontros pouco mais que estatutários.
Connosco fica a amizade mútua, o saber das experiências partilhadas, maior consideração social pelas nossas famílias e a demonstração de que o matrimónio não nos retirou a disponibilidade e a vontade de colaborar como fermento evangelizador.
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Carta de Isabel Fernandes e Vasco
Porto, 27 de janeiro de 2014
Amigos membros da Direcção, Amigos do Fraternitas Movimento, queria começar por agradecer à Urtélia o cuidado que tem em mandar as notícias que vai recebendo e as datas dos aniversariantes do Movimento Fraternitas de cada semana. Mas será que é isso que os membros da Fraternitas precisam? E a quem chegam as informações, só aos que tem Internet? Gostaria mais do que receber alguns artigos sempre dos mesmos autores, de receber notícias de cada um de nós.
Ao receber o convite para o próximo Encontro, fiquei com vontade de escrever esta carta, como uma reflexão que venho fazendo já há algum tempo e sobre a qual levantei algumas vezes a questão: Será que nós ainda somos Fraternitas – Movimento, como foi criada pelo P.e Filipe Figueiredo? Ou estaremos nos transformando numa "Pia associação de padres dispensados"?
Depois de refletir e rezar muito em Fátima, onde estivemos, o Vasco e eu, num retiro sobre a Exortação Apostólica ALEGRIA do EVANGELHO, do Papa Francisco, partilhar com todos os Sócios o que sinto.
Quando o P.e Filipe Figueiredo nos convidou para participarmos num retiro, que se realizava pela primeira vez, para padres casados, dispensados ou não e suas mulheres, em 1996, foi realmente uma novidade e era, na altura uma necessidade sentida pelos padres que tinham saído do exercício do ministério sacerdotal à força, e que tinham sido muito maltratados pelas Igrejas locais onde tinham vivido e tido cargos de responsabilidade pastoral.
Só ao fim do quinto retiro é que se sentiu a necessidade de se criar um Movimento (o P.e Filipe queria que fosse movimento num sentido dinâmico, que se fosse envolvendo na Igreja local em que cada um dos seus membros vivia) e com o fim de nos ajudar como casais e famílias com características próprias a inserirmo-nos nas comunidades onde vivíamos e onde vivemos.
A Fraternitas só passou a chamar-se Associação por causa da inscrição burocrática das inscrições nas Finanças e como Associação com personalidade jurídica visto já haver outra com o nome que pretendíamos.
Os Objetivos do Fraternitas Movimento foram sempre os enunciados no artigo 4.º dos Estatutos:
1 – Ajudar espiritualmente os seus membros...
2 – Fomentar a amizade
4 – Estudar em Igreja formas de colaboração, visando o aproveitamento das capacidades de cada um dos seus membros
5 – Proporcionar apoio espiritual aos padres que deixaram o exercício do ministério,
E no artigo 5.º dos Estatutos
1 – Organização de espaços de oração e reflexão da Palavra de Deus
3 – Organização de Cursos, Palestras, etc.
Foi sempre o pensamento do P.e Filipe, que no-lo transmitiu, à primeira Comissão instaladora e à primeira Direcção (das quais fiz parte), realizarmos dois momentos importantes cada ano – um Encontro-Retiro anual, (normalmente entre março e abril, no qual se realizou a Assembleia Geral ordinária, tempo para reflexão sobre a situação do Fraternitas Movimento, momento esse que foi só para padres casados e suas mulheres, e um outro momento que se foi realizando entre novembro e dezembro de cada ano, momento esse de formação e atualização teológica, a que normalmente se chamou Curso e esse aberto a outras pessoa a nós ligadas.
O Encontro-Retiro – se forem ver aos primeiros – foram momentos importantes em que se falava essencialmente da nossa vida como famílias de padres casados e suas mulheres e como poderíamos dar testemunho no mundo em que vivemos da nossa situação familiar própria. Mas nunca foram Cursos com temas, mas sim reflexões sobre a nossa vida como Fraternitas Movimento.
Penso que nos faz falta voltarmos às raízes e voltarmos a ter estes espaços de Encontro-Retiro, especialmente agora que estamos todos a caminhar para frente na vida, e a maior parte de nós já somos de sexagenários a octogenários, e a nossa situação de vida familiar e de Igreja está muito diferente de quando aderimos e formamos este Movimento.
Confesso que quando vi o tema que nos propõem para o 36.º Encontro fiquei triste, pois o Concílio já se passou há 50 anos, no século xx, e já tivemos tempo de refletir sobre ele, e o tema não nos cativa, e a Igreja atual está numa linha, graças a Deus, de maior resposta àquilo que vivemos neste século xxi e à interpelação que nos lançou e nos lança o Papa Francisco com o Inquérito que enviou às famílias e ao qual espero tenhamos respondido, e com a Exortação Apostólica A Alegria do Evangelho, em que nos lança um desafio a vivermos esta Alegria e Ternura da mensagem simples que Jesus nos trouxe.
Perguntas que gostava de pôr a cada um dos membros do Fraternitas Movimento:
1. Porque não pensarmos que rumo deveremos seguir como Movimento de Igreja no mundo atual e qual o testemunho que estamos a dar aos que nos rodeiam?
2. Será que devemos continuar como Movimento ou estamos transformados numa "Pia associação de amigos"?
3. Em que é que o Fraternitas Movimento tem sido bom e responde às inquietações dos seus membros?
Que cada um pense e exponha sugestões no Encontro, ou mande pelo correio.
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Carta de Francisco Sousa Monteiro
Lisboa, 30 de março de 2014
Queridos amigos e amigas todas e todos: Vejo que correm na Fraternitas brisas de questionamentos sobre a Fraternitas, o seu futuro, o seu funcionamento, etc. No entanto acabo de ler os documentos que a Urtélia diligentemente, como sempre, nos enviou para a Assembleia do próximo dia 25, e tudo o que eu vejo é actividade, vida, movimento (que é a nossa essência), contas bem geridas. A maioria de nós temos mais idade, mais doenças? Que interessa isso se há um ideal comum, uma amizade que nos une? Que interessa isso se a Fraternitas é desde o princípio, como sempre quis o P.e Filipe, uma organização da Igreja, como se tem visto sobretudo em contactos internacionais recentes, bem única internacionalmente pela sua fidelidade à Igreja? Que interessa tudo isso, irmãos e irmãs se o Espírito nos move e impele e nos abraça e nos envia?
Boa reunião amigos e amigas, que o Espírito inspire a todos e a todas nos caminhos tortuosos, sem dúvida, mas cheios de esperança da nossa fraternidade, nascida em dois momentos únicos das nossas vidas: a nossa ordenação sacerdotal (para os maridos) e o nosso matrimónio (para os casais).
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Carta de Joaquim Ferreira Soares
Castelo de Paiva, 3 de abril de 2014
Saudação aos amigos!
Vai acontecer um encontro da família Fraternitas. É sempre um acontecimento. Tenho vivido todos esses encontros com amizade e solidariedade. À distância tem um sabor apetecido. É difícil a nossa participação...
Fraternitas é um sonho que se concretizou de forma especial. Custou a levantar. Muita gente sonhou, se empenhou até lhe dar forma. Valeu a pena! Hoje parece que as coisas estão mais facilitadas. Não podemos esquecer que muitos, dos que deixaram o ministério, viviam no silêncio, esmagados pela burocracia, sofriam ostracilizados por essa atitude libertadora.
O Movimento ajudou-os a levantar a cara, reencontraram-se em humanidade e dignidade. O Cónego Filipe abraçou a causa. Foi o rosto da Fraternitas. Por ela tivemos a oportunidade de encarar o futuro, corajosamente, enquadrados, na Igreja. Alguns cansaram-se desta caminhada, longa e difícil. Muitos perseveram. Hoje estou feliz. Encontrei-me em Igreja, partilho a caminhada ao encontro com Ele.
Hoje, o Papa Francisco é uma porta de esperança. Não prevemos o futuro, mas dá-me tanta alegria o caminho encetado. Pode não haver mais nada, pode ficar aqui o caminho de renovação da Igreja... Dou-me por satisfeito por ter chegado até aqui. Estou feliz! Recordo o velho Simeão: «…Os meus olhos viram a salvação!» Agradeço a Deus ter-me deixado vislumbrar este dealbar, esta renovação, esta esperança da Igreja.
Continuamos a caminhada. Não é fácil. Acusamos o cansaço, acumulamos o pó do caminho. É tempo de quaresma; é tempo de esperança. Renovar é abrir para o futuro. Que desafios novos, que perspectivas, que empenhamentos, que partilhas? Que espera a Fraternitas? Que esperas da Fraternitas? A que nos chama o Mestre? Para onde nos empurra? A que terra nova nos chama? Não tenho respostas, não tenho soluções. O convite é de sempre: «Vem e vê!»
Senhor, abre o nosso coração à tua constante novidade. És o autor, criador que crias e recrias. Sempre apostas no homem partilhando o Teu espírito. Dá-nos um coração grande, generoso, para corajosamente Te seguir. Ajuda-nos a recobrar do caminho para acompanhar-Te nos desafios novos que pões à Tua Igreja.
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Carta de Armindo Henriques
Lisboa, 4 de abril de 2014
Amigos da Fraternitas! Hoje venho agradecer as notícias e desabafar, pois não sei se valerá a pena continuar à espera de alguma coisa desta instituição. Agradeço muitas informações que me têm enviado, em particular, Espiral 51, que li com atenção e curiosidade.
1 – Em particular, o artigo do António Duarte, sob o título ”Caminhando para os 20 anos da Fraternitas”, em que insere um texto de João Simão de 31 de Julho de 1999, a partir do parágrafo “Era uma vez um Padre”… história comum, creio eu, muito semelhante à dos mais de cem mil padres casados existentes no mundo…
2 – Ainda acredito na Boa Nova do Evangelho de Jesus de Nazaré, mas, quando releio o malfadado Rescrito que pedi com a maior das boas intenções e os textos do Papa Francisco, continuo a ficar desorientado sem saber que cantinho poderei ocupar nesta Igreja de cabeça erguida, sem ser clandestinamente e com muitas reservas. Pergunto mesmo se valeu a pena ter feito tal pedido!...
3 – Será que mais de cem mil padres casados em todo o mundo, que ainda sentem que têm fé e até se manifestam disponíveis, não podem merecer uns minutos de atenção do Papa Francisco? Ou estarei mal informado?!
Louvo o vosso trabalho persistente e generoso, e que Deus vos ajude…
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Carta de Rogério e Alcina Teixeira
Murça, 6 de abril de 2014
À maneira dos católicos não praticantes, somos crentes confessos da Associação Fraternitas Movimento, apesar de raras vezes termos participado nos seus encontros, (de que trazemos sempre matéria fecunda para séria reflexão) sentimo-nos sempre em casa, e só temos pena de não termos tido oportunidade, nem tempo suficiente, para ficarmos a conhecer devidamente cada um dos membros da Fraternitas. Como só nos temos encontrado de longe a longe, e sempre de raspão e à pressa, é-nos difícil identificar depois as pessoas com quem estivemos. Infelizmente poucos são os casos em que, ao nome, conseguimos associar a respectiva pessoa. É o que se passa com a lista de aniversários, que, por incompreensível azelhice minha, só agora começo a saber encontrar na Internet; costumo dizer, com verdade, que, em matéria de comunicação, sou ainda um medieval que não vai além do papel e do lápis. Ao começar agora a ler os vários comunicados que o Secretariado nos vai mandando, lamento ter perdido e deixado passar tantos outros que me faria bem ler e avaliar. Segui com admiração e interesse os relatos que o Fernando Félix e a esposa (que gostava de conhecer pessoalmente) nos enviaram da sua experiência missionaria na América do Sul, experiência que me fez recordar as minhas andanças pelo mato da diocese de Tete.
Ao contrário da Isabel e do Vasco (a quem devo e agradeço o ter-me associado ao Movimento), não assisti à gestação e nascimento da Fraternitas cujos objetivos, decorrentes dos estatutos tão claramente nos recordam agora para os tempos que correm; compreendo e louvo as suas preocupações e anseios por mais e melhor, mas, pessoalmente faço uma leitura menos sombria da situação presente. É certo que somos menos, e com mais dificuldade de movimentação, mas a nossa vontade e determinação em testemunhar, em moldes diferentes, o sacerdócio que nos foi conferido e depois limitado, são as mesmas. Pena é que a Hierarquia da Igreja demore tanto a aproveitar-nos, quando precisa tanto de nós, e que prefira recorrer a pessoas de boa vontade, mas com preparação que deixa muito a desejar. Tenho pena de muitos párocos que se desdobram em actividades e não conseguem dar resposta adequada ás necessidades dos paroquianos que lhes estão confiados. Noto-o com certo mal estar, mas sem remorso, porque sempre me tenho apresentado aos responsáveis pondo-me ao dispor para o que achassem conveniente.
Não tenho a menor queixa pela maneira como os Jesuítas me trataram quando resolvi sair da Ordem; pelo contrário, foram compreensivos comigo e dispensaram-me todo o apoio e orientação que podiam dar-me; compreensão amiga que continuam a manifestar. Do Episcopado, não posso dizer o mesmo: tive o cuidado de ir cumprimentar e apresentar-me aos Bispos das dioceses em que morei. Fui bem recebido, mas nenhum quis arriscar e solicitar os meus serviços. Apenas D. Rafael e o seu antecessor, D. Manuel Pereira, em cuja diocese não morei, se mostraram interessados; D. Manuel foi mesmo de um humanismo e abertura raros na altura. O mesmo posso dizer de D. César, meu bispo em Tete, Bispo Emérito de Portalegre e Castelo Branco, a residir em Fátima, querem em Tete, quer em Portugal foi e tem sido de uma dedicação para comigo que muito me confunde; prontificou-se a vir a Murça presidir ao casamento de meus dois filhos e a baptizar o meu neto.
Depois de casar, fui abordado telefonicamente pelo pároco de Candedo, para ir fazer a visita pascal e presidir à liturgia da Palavra nas aldeias onde ele não podia ir. Tinham sido as pessoas da paróquia que lho haviam sugerido. Assim aconteceu até 1998, ano da construção da nova capela de Monfebres, construção em que, tanto o pároco como os habitantes da aldeia insistiram em envolver-me, apesar da minha resistência inicial. Acontece que, tanto o bispo como o pároco não estiveram à altura dos problemas que nos levantaram à construção da desejada e aprovada capela. Em “Memórias de Uma Capela”, senti-me na obrigação de contar tudo o que se tinha passado. Ninguém protestou ou contestou, mas a partir daí deixaram de me bater à porta. Em contrapartida, há quatro anos que tenho sido convidado por um pároco do concelho de Mirandela para lhe ir fazer a visita pascal em 7 aldeias, como referi acima. No 1º ano aconteceu até uma coisa interessante: soube que numa dessas aldeias o pároco me apresentou como “um Jesuíta reformado”. Daí que, ao entrar numa casa, fosse informado pelo chefe de família de que a esposa tivera um irmão Jesuíta, já falecido. Perguntei como se chamava o irmão. - ”Rui Meireles” - respondeu. Não queria acreditar! Não é que tínhamos sido colegas de Noviciado, tínhamos ido passar duas semanas com os soldados presos no Forte de Elvas, tínhamos sido os dois salvos de afogamento na praia do Cabedelo em Viana do Castelo e ido no mesmo barco para Moçambique?!...
Fiquei assim com tempo livre, que tenho repartido entre estadias em Albufeira quando o tempo é menos propício aos meus afazeres ou entretimentos de Jovem Agricultor (não, de agricultor jovem). Porém a minha disponibilidade continua a mesma. Os versos da “Mensagem”, ”Triste de quem vive em casa/ Contente com o seu lar”, não se aplicam no meu caso. Penso que o mesmo se passará com outros membros da Fraternitas, prontos para colaborar, mas não dispostos a pedir que aceitem a sua colaboração.
Não estou bem ao par nem tenho acompanhado de perto novos casos de padres casados; quando os encontro, sem pressionar falo-lhes da nossa Associação.
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Carta da Cidália e Vincent
Abrantes, 11 de abril de 2014
Temos lido as mensagens que tem chegado, as interrogações sobre a Fraternitas e também nós nos deixamos interpelar. O Samuel fez 12 anos no passado dia 2 de abril o que significa que também nós temos 12 anos de Fraternitas! Foi na sequência do encontro de abril e duma reportagem que vimos que escrevemos ao P.e Filipe que fez chegar a nossa Carta à M.ª Antónia Sampaio com a indicação de nos convidar para um próximo encontro. Fomos a um dos encontros regionais que houve, com o Samuel ainda bebé, no ovo!
Confessamos sentir saudades desses primeiros encontros em que se respirava de facto fraternidade, partilha, amizade... Troca de experiências de vida. Seremos eternamente gratos a quantos nos ajudaram nos primeiros passos da nossa vida de casal, na integração na sociedade, no acompanhamento do nosso filho... Foi importante receber conselhos, partilhar a vida... Foi muito o que recebemos da Fraternitas! Nessa altura falava-se pouco da ordenação das mulheres, reintegração no ministério dos que voluntariamente escolheram mudar de vida...
À medida que a Fraternitas foi enveredando por essa via, foi batendo mais nessa tecla nós fomos, ainda que inadvertidamente e sem dar conta, saindo, afastando-nos. É algo que não nos preocupa e não estamos à procura, e, tu sabe-lo bem! Já há muito que partilhei contigo a nossa convicção de muitos dos mais novos se tem afastado da Fraternitas por não se identificarem com esse desejo de voltar ao ministério. Também te falei de quem não queria entrar para a Fraternitas por a Fraternitas querer que os padres casados voltassem a exercer o seu ministério e não ser esse o desejo de quem está a deixar agora.
Neste momento a nossa "batalha" está em vivermos o melhor possível a nossa vida de casal, de família, de cristãos empenhados e que dão pelo seu testemunho de vida testemunho de Cristo. Tentamos educar os nossos filhos de acordo com os valores do evangelho. E, por quanto a vida e o tempo nos permite ajudamos na paróquia. O Vincent está na catequese com o grupo de preparação para o Crisma. É o que o tempo atualmente permite e é o que dá... Sem querer mais e sem chorar porque há tanta falta de padres e ele não pode exercer. ainda que a Igreja desse uma volta de 360 graus e os padres dispensados pudessem voltar ao exercício o Vincent não o faria! Estamos convictos de não ser os únicos nesta situação... Em conversa anterior falamos disso em Fátima, disse-te que a Fraternitas estava a "perder" membros por "esquecer" quem saiu e não quer voltar a entrar pela porta do sacerdócio...
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Carta de Judite e Paiva
Oliveira de Azeméis, 20 de abril de 2014
Queridos manos e manas da Fraternitas: Ouvi dizer que a Fraternitas está em crise: uns envelhecem, outros morrem, e os novos, que a podiam rejuvenescer, não se inscrevem. Mas isto não desvanece em mim a alegria porque não acredito que na Fraternitas aconteça o que aconteceu no Ministério da Educação, há meses: À porta do Ministério apareceu um recém-nascido abandonado. Logo se formou uma comissão de peritos para investigar se o «encontrado» era produto doméstico deste Ministério. Interrogadas 236 suspeitas durante um mês, a Comissão chegou a esta bizarra conclusão: «O Ministério nada tem a ver com este «encontrado» porque aqui nada se faz por prazer nem por amor... Para além disso, nunca duas pessoas colaboram intimamente para fazerem alguma coisa que se veja, e o pouco que se faz não tem pés nem cabeça... Finalmente no arquivo deste Ministério nada consta que tenha sido concluído em apenas 9 meses...»
Ora, minhas irmãs e meus irmãos, eu sei que na Fraternitas se trabalha por amor e por prazer de servir, se tem cultivado uma constante união de afectos, de entreajudas, de partilhas de fraternidade e de alegria. Por isso nos sentimos tão bem no ambiente quentinho destes Encontros! Como se pode ter medo de uma crise na Fraternitas?! Tem havido alguns «encontrados», sim senhores, mas são aqueles a quem a Fraternitas, muito discretamente (eu ia a dizer «muito cristãmente») estende a mão para os ajudar em horas difíceis, e sem serem precisos 9 meses!...
Vamos, manas e manos lutar pela nossa Fraternitas. Vamos cultivar a alegria da esperança porque acreditamos que Deus está connosco. A confiança e a alegria são os sinais de Cristo em nós. As crises são degraus para subirmos, como as ondas do mar, que fazem de cada recuo um ponto de partida para um novo avanço na praia. Medo de quê?! ... Ernest Hemingway escreveu que uma pessoa suporta ser destruída, mas não derrotada. E eu lembro que, por cada flor estrangulada, há milhões de sementes a florir.
Eu gostava de estar aí para dar um abraço aos irmãos que fizesse de dois um só, e um beijo que tocasse bem no coração das irmãs. Então eu gritaria a todos: Não percam a coragem e nunca peçam a Deus uma carga leve para os nossos ombros, mas sim uns ombros fortes para suportar a carga. Não queremos fazer como os políticos do passado que se limitaram a acrescentar a letra «A» no início do lema do «Estado Novo», que era «Deus, Pária e Família», para agora ser apenas um trágico «Adeus, Pátria e Família»... Não queremos ir por aí!... Temos a certeza de que a história da Fraternitas se faz com Deus a conduzir-nos pela mão...Mas não como um aluno meu que dividiu a história assim: «A História divide-se em 4: Antiga, Média, Momentânea e Futura, a mais conhecida hoje.»
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Carta de Francisco Monteiro
Lisboa, 1 de maio de 2014
Reflexão sobre a Fraternitas Movimento, no âmbito das conclusões da Assembleia Geral da Fraternitas de Abril 2014, em Fátima
Em resposta ao pedido de sugestões que foi feito aos sócios da Fraternitas sobre o tema da Fraternitas Movimento e agradecendo esse pedido de participação, junto envio algumas reflexões que se estendem a algumas outras questões abordadas na recente Assembleia Geral.
Conclui-se portanto que a Fraternitas, desde o seu início é um Movimento.
2. O motivo pelo qual a Fraternitas – Movimento desde o seu início se ter constituído como uma associação foi aquela que acabo de citar no Anuário da CEP: para gozar de personalidade jurídica, i. é para existir formal e legalmente.
Agora pretende-se alterar a personalidade jurídica da Fraternitas – Movimento? Com que finalidade e com que consequências? Deixar de ser uma IPSS (se é que a Fraternitas o é, i. é se alguma vez o requereu) é relativamente simples, penso: é só declarar a cessação de actividade enquanto IPSS na Segurança Social. Em consequência disso cessarão, penso, as obrigações perante as Finanças e a própria Segurança Social. E a Fraternitas – Movimento continuará a sua existência jurídica, sobretudo perante a CEP. Isto resolverá a preocupação da última Assembleia Geral (AG)?
A finalidade será reduzir os Órgãos Sociais da Fraternitas? Isso também será fácil: basta que na próxima AG se altere o artº 19 dos Estatutos e se reduza o número de membros da Direcção ao mínimo legalmente possível que são, penso, três. Aliás, a AG poderá deliberar que a Fraternitas seja dirigida por um Comissão Executiva de três pessoas, por ex., passando os restantes titulares dos Órgãos Sociais a desempenhar uma função meramente perfunctória – nas AGs uma vez por ano.
3. Se bem entendi, há um “movimento” dentro do Movimento, legítimo, como todos, para que os sócios ordenados da Fraternitas se virem para a inserção na Igreja, “esquecendo” o regresso ao exercício do ministério. Ora, peço desculpa por ser um ancião a falar, neste caso a escrever, desde o princípio (já lá vamos ao futuro) que existem, eu diria coexistem em perfeita paz, as duas tendências: os que desejam regressar ao exercício do ministério, como eu próprio, e os que nem querem ouvir falar disso, não estão interessados. Sempre vivemos as duas tendências com total respeito mútuo. Porquê agora pretender que a posição da Fraternitas seja a segunda: revelar claro repúdio pelo regresso ao exercício do sacerdócio? Não deverá antes a Fraternitas ser inclusiva de todas as sensibilidades, tendências, experiências e perspectivas dos seus membros, como sempre foi?
4. O segredo do nosso futuro enquanto inseridos na Igreja, quanto a mim, foi-nos clarissimamente apontado em Outubro de 2012, em Vila Nova de Gaia, pelo P. Rui Santiago, no final do retiro da Fraternitas, quando alguém lhe perguntou precisamente isso: se a Igreja não nos deveria aproveitar melhor; o P. Rui respondeu simplesmente que nós podemos sempre e devemos inserir-nos nas múltiplas actividades da Igreja. Por mim, e o conselho do P. Rui ajudou-me muito, isso tenho procurado fazer: trabalhar na Pastoral dos Ciganos na CEP, aceitar o convite do meu pároco (Lisboa – S. Francisco Xavier ) para fazer a preparação dos adultos e jovens para o Crisma ao que se seguiu, no Ano da Fé e depois, um programa com sessões semanais a que se chamou DIAF (Diálogos para o Aprofundamento da Fé) que só agora foi interrompido com a minha doença, ao fim 40 semanas, mas que vai continuar, e a publicação de quatro livros de espiritualidade, o último dos quais intitulado “Deus, o Mundo e a Igreja” publicado no Kindle da Amazon.
5. Finalmente, como disse há pouco tempo ao nosso querido irmão Luís Cunha: “quanto à Fraternitas só lembrava o Sl 133, 1: “Vede como é bom, como é agradável que os irmãos vivam unidos!”: o Salmista não acrescenta: “desde que não haja doenças, desde que ninguém envelheça”… Há padres dispensados novos que não querem nada com a Fraternitas? E nós fizemos o marketing da Fraternitas com eles como o P. Filipe fez connosco? Convidá-los, falar-lhes, dizermos-lhes quem somos e o que fazemos?
6. Um pouco à margem das questões anteriores, há que reflectir sobre as consequências da eventual inserção da Fraternitas no Apostolado dos Leigos, se, o que espero não aconteça, se acabar por optar por transformar a Fraternitas num movimento laical. Todos sabemos como a questão do convite dirigido à Fraternitas pela Associação do Apostolado dos Leigos que aparentemente é independente daquela que agora se chama Comissão Episcopal do Laicado e Família, resultou de um equívoco e da boa vontade de quem aceitou o convite. O “estado laical” a que os membros ordenados da Fraternitas foram “reduzidos” não pode esconder o carácter do sacramento da Ordem. Daí que a inserção da Fraternitas – Movimento numa estrutura da Igreja, não seja coisa óbvia: mais fácil será a inserção dos seus membros nas obras da Igreja. Eu diria que a Fraternitas – Movimento a pertencer a uma estrutura da Igreja, essa estrutura é mais única que outra coisa.
Abraços a todos e a todas, sobretudo aos e às que suportam o peso da gestão diária da Fraternitas.
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SUGESTÕES PARA UMA CARTA AO PAPA FRANCISCO
De Maria Amélia e José Rodrigues Lima
Viana do Castelo, 25 de Março de 2014
O Papa Francisco quer refontalizar a Igreja de Jesus...Pela palavra, pelo estilo de vida e pelos gestos evangelizadores...Sabemos e lemos, e não podemos ignorar... Como síntese referia o pensamento de Hans Kung na carta aos Bispos da Igreja Católica, a carta do jesuíta Henri Boulad, o texto do Padre José Amado Aguirre, do teólogo José Comblin e outos: «O sacerdócio de vocês une-se ontologicamente a Cristo», escreveu J. Comblin.
Todos conhecemos a boa teologia... Vivemos a fé... Recebemos a imposição das mãos, a invocação de Espírito Santo e a unção. Verdadeira sucessão apostólica... Transportamos o carater indelével... Tu és sacerdote para sempre... Todos vivemos a FÉ... Lendo o catecismo ou o direito canónico encontramos doutrina clara... Só existe um problema disciplinar, como dizia um bispo português, sem fundamento teológico e bíblico... Não é um rescrito que anula a ordenação... «O celibato não é essencial ao exercício do ministério», disse João Paulo II. Seria conveniente ler a última grande sondagem aos católicos... "É preciso sacudir a poeira imperial", dizia João XXIII. Mas todos sabemos muito mais... O sacerdócio ministerial é um serviço ao Povo de Deus... Fala-se em cerca de 150 000 padres sem o exercício do ministério... São mais... Onde estão? Como vivem...
O Papa Francisco fala nas periferias existenciais... Sair ao encontro de todos os que foram porventura magoados... Bom Pastor vai... Toma a ovelha ao colo... Nem julga nem condena. É na crise existencial que Deus olha mais para cada um dos seus filhos... Cada um tem a sua história de vida... É sempre amado por Deus...Todos conhecemos o verdadeiro rosto de Deus mostrado por Jesus...
Sugeria o seguinte. Na carta devia seguir:
1 - Dizer quem somos...
2 - Manifestar a FÉ VERDADEIRA...
3 - Pretendemos voltar a servir o Povo de Deus...
4 - Revelar "sensus ecclesiae"...
5 - Não seria de solicitar uma audiência ao Papa...
6- Um bispo podia acompanhar o processo...
Sugestões de Fernando Neves
Palhaça, 5 de Abril de 2014
Irmão Bergoglio, Papa Francisco,
Damos graças a Deus por o Espírito te ter escolhido para seres ungido com óleo real do governo e da alegria, pelo qual, como em David, Deus não olha às aparências, mas ao coração e à capacidade de amar do eleito (1Sam.16).
Foste enviado para que tires o povo Deus do Egipto opressor (Ex.3), por vezes configurado hoje tantas vezes na própria Igreja em tantos rituais litúrgicos de vias únicas (só confissão individual auricular e não celebração comunitário-individual da Penitência, com a mesma ou até melhor eficácia, porquê?) e num Código de Direito Canónico que por vezes fere até à medula.
Devolve a santa liberdade de Filhos de Deus (Gál.4) aos crentes em Jesus e no Seu Evangelho, Boa Nova de Alegria e Salvação. Restitui à Igreja o seu cariz dos primeiros tempos em que, mais do que o poder de doutrinas únicas, doutamente elaboradas, definidas e ritualizadas, reinava a comunidade de irmãos, sendo o fundamental o anúncio kerigmático do Reino de Deus, proclamado por Jesus como um Reino de Amor, Justiça e de Paz. Foi esta, de resto, a principal missão do Jesus, que representas, durante o Seu viver de Palavra Encarnada, na terra, concretizando-a de modo visível em actos como o Pão partido e no lavar dos pés aos seus apóstolos e em palavras como: Vós sereis meus amigos se fizerdes o que vos mando… o que vos mando é que vos ameis uns aos outros (Jo.13); ou Mt.25: Eu tinha fome e deste-Me de comer… Vinde, benditos de Meu Pai; ou na atitude do samaritano: Qual destes três te parece ter sido o próximo daquele homem?... – O que usou de misericórdia. – Vai tu e faz o mesmo (Lc.10); O primeiro mandamento é: Amarás o Senhor teu Deus com todo o teu coração… O segundo é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Não há outro mandamento maior do que estes. (Lc.12).
Esta foi a salvação que Jesus veio trazer ao mundo, com a totalidade de toda a sua vida humano-divina: desde a kenósis da Sua encarnação, até à Sua profissional e vida pública, com o anúncio da Boa Nova, e à Sua Paixão, Morte e Ressurreição. Não só pelas três últimas, como quase sempre masoquistamente se gosta de acentuar. Basta olhar, por exemplo, para as orações do Angelus e de antes da absolvição, na Penitência, entre outras. Então a encarnação, a vida e a pregação não valeram nada? E, no entanto, continuamos sempre a afirmar no Credo: E por nós homens e para nossa salvação desceu do céu e encarnou pelo Espírito Santo…
Tu, Irmão Francisco, pensa, fala e age, guiado pelo Espírito. Como Moisés, pede ao Senhor que mande chover pão do alto do céu (Ex 16) para que o povo o possa recolher e saciar a sua fome, sem egoísmos:aqueles que apanharam muito nada tinham a mais e nada faltava àqueles que tinham apanhado pouco.
Como Moisés (Ex.17), bate com a tua vara no rochedo do Horeb personificado em muitas estruturas da Igreja hoje demasiado ancilosadas, empedernidas e estratificadas, para que se quebre a sua rigidez e desse rochedo brote água que mate a sede ao sequioso povo de Deus.
Como Moisés (Ex.28), Jesus (Mt26…) e os próprios Apóstolos (1Tim.3 ou Tit.1), constitui para o Seu povo, sem olhar a sexo ou estado de solteiro, casado ou viúvo, sacerdotes que o orientem no caminho do Amor e da construção da vida em abundância para todos, já a partir do aqui e agora. Não deixes morrer o povo à fome e à sede por falta de coragem de acabar com tradições sem sentido totalmente evangélico. Não é a Eucaristia o supremo direito de todos os fiéis? Então por que negar-lha por razões de simples conveniência humana? Faltam vocações para presbíteros porquê? E não faltam assim tantas para diáconos permanentes porquê?
Liberta a lei do celibato como exigência para a ordenação presbiteral. Torna-o opcional, verdadeiramente livre em qualquer momento da vida. Não têm médicos, professores, empregados públicos e muitos outros uma vida profissional que conjugam harmoniosamente com a familiar? Não há na Igreja Católica Oriental – e não só – homens presbíteros no estado de casados? Não serão eles também verdadeiros presbíteros de Jesus ao serviço das comunidades?
Tens revelado muita coragem em mexer em pontos que fragilizavam a Igreja enquanto verdadeiro rosto de Cristo. Com a ajuda do Espírito Santo não fiques por aí, mas atreve-te a ir mais além, dando resposta às verdadeiras necessidades do Povo de Deus, nem que, para isso, seja necessário romper com tradições milenárias, mas não de todo evangélicas.
Teus irmãos da Fraternitas, Movimento de padres casados.
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Sugestões de Joaquim Soares
Castelo de Paiva, 3 de abril de 2014
Amig@s e irmãos no sacerdócio real e ministerial, aproxima-se mais um encontro nacional da Fraternitas. Não estarei presente, por complicados assuntos. Tenho acompanhado, com particular interesse, a sua preparação. Adorei a sugestão de uma carta ao Santo Padre. Li a carta de Fernando Neves. Gostei! Todavia, para uma redacção final, propunha uma leve alteração.
Sinto a angústia religiosa, eclesiástica, emocional, e até profissional, que atravessamos. A Fraternitas consubstancia o esforço mais recente, embora já faça história. A minha luta, e a de muitos amigos, tem quatro décadas. Esta “demora” corre o risco de esvaziar os nossos objectivos. Ou de os purificar! É isso mesmo. O celibato é um problema na Igreja. Há outros e ainda maiores. O Papa está ao leme. Tem consciência da dificuldade geral e particular da Igreja. Todos lhe pedem respostas, cada um para a sua questão. Qual é o maior problema?
Em abril de 2013, Joaquim Soares sugeriu: «Afirmar-lhe a nossa convicção profunda de amor à Igreja, a nossa disponibilidade para o serviço aos mais pobres, a solidariedade com os mais periféricos, aos sem voz, aos marginalizados de todas as vias, aos que não têm assento nesta sociedade e que também não se sentem bem nesta igreja. Precisamos de abrir caminhos de evangelização, sem vedetismos, mas profundamente identificados com todos os que sofrem e buscam insatisfeitos pela luz da verdade.
Afirmamos a nossa solidariedade com a igreja dos pobres e para os pobres, afirmamos a nossa solidariedade com este papa que busca caminhos de mais e melhor identidade com o nosso chefe, que preside num trono que é a Cruz. Apelamos à simplicidade, nas vestes, nos símbolos episcopais e outros que nada dizem ao homem de hoje. Queremos uma igreja aberta, atenta às periferias.»
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Sugestões de Francisco Monteiro
Lisboa, abril de 2013
1. A Fraternitas foi fundada por um Cónego da Diocese de Évora, o Cón. Filipe de Figueiredo, com o sentido de reunir em retiros espirituais os padres que foram dispensados do exercício do sacerdócio e suas mulheres.
2. Eventualmente, a Fraternitas evoluiu para uma Associação de direito eclesiástico, reconhecida pela Conferência Episcopal Portuguesa. O seu jornal Espiral é enviado para todos os Bispos; alguns agradecem o seu envio e comentam o seu conteúdo com simpatia.
3. Vários dos membros da Fraternitas colaboram activamente em obras de apostolado da Igreja, apoiando os Párocos nas suas actividades, inclusivamente de evangelização. Alguns têm livros publicados inclusivamente sobre teologia e espiritualidade.
4. Alguns membros da Fraternitas desejam ardentemente que a Santa Sé lhes permita voltar ao exercício do ministério sacerdotal, no seu estado actual de casados. Eles consideram que face à falta de padres na Igreja, Deus suscita estes padres que pediram a dispensa, cada um por um motivo próprio, não raro por amor radical à Igreja dos pobres, amor esse que “não coube” na estrutura da Igreja nas circunstâncias concretas da geografia e do tempo da época, e toca-os a viverem centrados na Eucaristia que tanto gostariam de voltar a celebrar em comunhão com todos os sacerdotes baptismais que eles também são.
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Sugestões de Serafim Sousa
Lisboa, abril de 2013
O que eu quero acrescentar na petição ao Papa Francisco é que dê oportunidade de fazer apostolado e cristandade em todos os casos e circunstâncias da vida e que não sejamos esquecidos, porque somos todos filhos de Deus e com muitas capacidades que poderiam ter feito muito bem ao povo de Deus. Eu sinto-me um pouco já velho e tenho pena de não ter dado mais `Igreja de Deus, povo de heróis e santos.
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Sugestões de Glória Marques
Gaia, abril de 2013
Gostaria que lhe pedíssemos que olhe para nós, padres casados. Só os mal amados requerem a atenção permanente sobre si mesmos, e não me parece que seja esse o nosso caso…
Queria pedir-lhe que acabe com o Celibato como condição sine qua non. Não pertence a nenhuma instituição determinar os caminhos do coração. Esses são ditados SEMPRE pelo Amor e pela doação, o resto é secundário. Deus é Amor, não é Lei.
Gostaria mesmo de lhe pedir que se deixe levar pelo Espírito Santo de Deus, porque NINGUÉM (nem o Papa Francisco nem nós, sabe de onde vem nem para onde vai e por isso as Suas surpresas são as que já se realizaram e a História já nos mostrou e as surpresas que a Esperança e a Fé nos fazem esperar e acreditar, sabendo só que são SURPRESAS!
Queria pedir-lhe que leve a sério as Alegrias e Esperanças, as dores e as angústias dos homens e das mulheres deste tempo difícil.
Queria lembrar-lhe todos aqueles que a Lei, a Religião e a lei da religião atiraram para fora dos muros da Cidade. Todos aqueles sobre quem pesa um jugo de tal modo pesado que nada tem a ver com o Deus Compassivo, Bom e Leal da nossa Fé, revelado em Jesus de Nazaré, uma desHumanidade de tal modo grande que nada tem de divina. Toda a lei que faz desacreditar do Deus de Jesus, revelado nos Evangelhos como BOA NOTÍCIA aos fracos, aos pobres, aos pecadores, não é do gosto do nosso Deus.
E, tão fora dos muros da Cidade estão os padres que, com toda a verdade, pediram ou irão pedir dispensa do voto de celibato e continuam fiéis à sua vocação de Batizados - Cristãos e Missionários, como está fora de muros uma multidão mulheres e homens divorciados e recasados, como estão fora de muros os filhos de pais separados…
Queria pedir-lhe que olhe com olhos de compaixão para todos os sofridos deste mundo, aqueles a quem a lei faz infelizes e já des-acreditaram da GRAÇA como fonte de Alegria… Porque se, por acaso, o nosso Deus fizer acepção de pessoas serão sempre esses os Seus preferidos.
P.S.: Meus irmãos da Fraternitas, este é um olhar. O meu olhar. O meu olhar de mulher. Tenho a certeza de que um olhar feminino sobre as coisas da Fé e da vida nos faz sempre bem? e é capaz de abrir caminhos de paz e de futuro?

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