Neste domingo, somos convidados a celebrar o Dia
dos Fiéis Defuntos, isto é, a fazer memória de todos os nossos seres queridos
que já morreram, para celebrar junto com eles(as) a festa da Vida sem fim, da
qual eles já participam.
A morte é a marca da finitude que todo o ser criado
traz consigo. Mas a nossa fé cristã revela-nos que não é a sua condição
definitiva.
Podemos afirmar que Jesus é o nosso irmão defunto,
ele também levou e viveu a marca da morte. Mas a sua ressurreição quebrou os
grilhões da morte e submergiu a humanidade numa nova vida, convertendo-se em
fonte de esperança infinita.
Dessa maneira, a vocação última do ser humano e da
criação é ressuscitar para sempre.
Se acreditamos que Jesus, “o primogénito dos
defuntos”, venceu a morte, ressuscitou, podemos então crer que todos(as) os(as)
outros(as) irmãos(ãs) defuntos(as) têm sua mesma sorte, ou seja, ressuscitar,
VIVER!
Celebrar esta festa leva-nos, por um lado, a
lembrar a nossa finitude humana e, por outro, alimenta a nossa esperança no
banquete da vida que não tem fim, onde nos reencontraremos com todos os nossos
seres amados já defuntos.
Neste domingo, os cemitérios serão cobertos de
flores, que manifestam o amor e o respeito que sentimos pelos nossos(as) irmãos(as)
defuntos(as). É um gesto que procura, de alguma forma, aproximar-nos daqueles(as)
que já partiram. A dor da perda faz-nos ofertar o carinho que nos aproxima
dessas pessoas.
E é nesse momento que precisamos de escutar as
palavras que os anjos dirigiram às mulheres, quando elas foram a visitar o
sepulcro de nosso irmão defunto Jesus: «Porque procurais entre os mortos Aquele
que está vivo? Ele não está aqui! Ressuscitou!» (Lc 24, 5-6).
A nossa fé cristã permite-nos proclamar que os(as)
nossos(as) irmãos(ãs) defuntos(as) estão vivos(as) em Deus. E assim como podemos
relacionar-nos com Deus na pessoa de Jesus pela ação do Espírito, também é
possível relacionar-nos hoje com cada um(a) deles(as). Mas isto não nos exime
de sentir dor pela partida de uma pessoa querida, que já não partilha a nossa
vida diária.
Algumas religiões convidam as pessoas a esquecer-se
dessa(s) pessoa(s) e quase que impedem de sentir a dor da sua ausência. Porém,
há tantas coisas lindas vividas com essa(s) pessoa(s) que não é preciso
esquecer nem apagar. Pelo contrário. A sua lembrança traz-nos, aos poucos, tantas
coisas bonitas, alegrias partilhadas, o seu modo de viver, o carinho recebido, e
faz-nos muito bem fazer memória de tudo isso.
E, por sua vez, a esperança de estarmos na festa
definitiva, onde nos encontraremos com todos os nossos seres queridos,
inaugurada com o evento de Cristo Ressuscitado, é alento divino.
Concluímos com as palavras de André Myre: "Morrer
não é perder tudo, mas encontrar tudo".
Ler mais aqui: A ressurreição. Uma certeza ou uma esperança?

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