O sacerdote-pastor deve buscar só a glória de Deus, colocar-se no último lugar e desviver-se pelo “rebanho” que lhe foi entregue
Paulo de Tarso, na segunda leitura, é a antítese
dos sacerdotes (referidos na primeira leitura) e dos chefes religiosos fariseus
(protagonistas no Evangelho) que só pensavam nestas categorias humanas:
prestigio, honras, ambições, vaidade e autoritarismo. Paulo é modelo de pastor
zeloso e bom; e ao mesmo tempo é como uma mãe que cuida dos filhos. As suas
categorias são outras: serviço, humildade, desviver-se e desgastar-se pelos
outros.
Comentário do Pe. Antonio Rivero, L.C. à liturgia do XXXI domingo do Tempo Comum
Textos: Mal 1, 14b-2, 2b.8-10; 1 Tess 2, 7b-9.13; Mateus 23, 1-12
Em primeiro lugar, um pastor busca sempre dar
glória a Deus (primeira leitura) e não a sua, tão efêmera, tão opaca, tão
caduca, tão inconsistente.
Malaquias, da parte de Deus, denuncia os
sacerdotes- e todos os que têm a missão de guiar: missionários, pais,
professores, catequistas, superiores de comunidades religiosas- porque não
falam de Deus, mas falam de si mesmos. Jesus também atira na cara dos fariseus
(evangelho) que pretendem serem chamados de mestres, pais, conselheiros.
Aqueles que têm esta missão de estar na frente
devem ser como sacramento que faz visível a humildade e o serviço de Cristo que
veio para buscar só a glória do seu Pai e o bem dos demais, sem roubar de Deus
um ápice da honra que Ele merece.
Em segundo lugar, um pastor não busca os primeiros
lugares, mas vai com amor e ternura (segunda leitura) aos desertos e às
periferias existenciais e geográficas, embora isto custe um pouco de fadiga,
incompreensão e perigo como aconteceu com Paulo.
Procurar os primeiros lugares é sinal de ambição,
da qual o Papa Francisco está advertindo tantas vezes os sacerdotes. Assim
disse aos novos bispos em Roma no dia 19 de setembro de 2013: «O seu estilo
deve ser a humildade, a austeridade. Nós, os pastores, não somos homens com
psicologia de príncipes.» E pediu-lhes para estarem atentos para não cair no
«desejo de fazer carreira». «Homens ambiciosos que são esposos desta Igreja à
espera de outra melhor ou mais rica. Isto é um escândalo!... Não estejam à
espera de uma melhor, mais importante, mais rica. Tenham cuidado para não cair
no espírito do “fazer carreira”. Isto é um cancro!»
Não somos mestres (etimologicamente significa “ter
mais autoridade”), mas somos ministros (etimologicamente significa “ter menos”)
e por isso nos sentimos servidores dos demais. São Paulo dirá: «Que as pessoas
só vejam em nós servidores de Cristo e administradores dos mistérios de Deus»
(1 Co 4, 1).
Finalmente, um pastor não busca a sua comodidade,
mas se “desvive” pela sua comunidade, como são Paulo: «Com prazer me
desgastarei e me cansarei pelas vossas almas» (2 Cor 12, 15). Assim disse o Papa
Francisco aos novos bispos em Roma no dia 19 de setembro de 2013: «Sejam
pastores com cheiro de ovelha, presentes no meio do povo como Jesus o Bom
Pastor. A vossa presença não é secundária; é indispensável. As pessoas pedem-na,
querem ver o seu bispo caminhar com elas, para estarem perto delas. Desçam no
meio dos fiéis, inclusive nas periferias das suas dioceses e em todas as
“periferias existenciais”, onde existe sofrimento, solidão, degradação humana.
A presença pastoral significa caminhar com o povo de Deus: na frente, mostrando
o caminho; no meio, para fortalecer na unidade; atrás, para que ninguém fique
atrás, mas, sobretudo, para seguir o olfato que tem o povo de Deus para
encontrar novos caminhos.»
Para refletir
Busco a glória de Deus ou a minha? Busco os
primeiros lugares ou os últimos? Só falo, mas não faço nada? Sirvo com
humildade a minha paróquia, comunidade ou me sirvo dela para os meus fins
egoístas e ambiciosos?
Para rezar
Jesus, quero imitar-vos como fez são Paulo.
Revesti-me de todas essas virtudes que tínheis na vossa passagem por esta
terra. Que as minhas intenções sejam limpas, a minha entrega generosa, o meu
trabalho desinteressado e as minhas mãos dispostas para servir.

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