o traje de gala dos cristãos é a "graça santificante", que no Apocalipse se descreve como “vestido de linho das obras justas dos santos” (Ap 19, 8)
A parábola do 28.º domingo comum põe em cena um rei que festeja com um grandioso convite as bodas do seu filho.
Estas bodas são o símbolo da Encarnação do
Verbo: no Filho eterno do Pai, a natureza divina desposou-se com a
natureza humana, para entrar em amizade, diálogo e intimidade connosco.
Deus convida duas vezes o povo eleito de Israel. Mas este não aceitou, preocupado só com os
assuntos materiais.
Com pena e humilhado, Deus chama outros, os pobres e
marginalizados dos banquetes oficiais, mas pede-lhes o traje de gala: a graça santificante.
Textos: Isaias 25, 6-10; Filipenses 4, 12-14.19-20; Mateus
22, 1-14
Jesus ficava encantado quando comia com
as pessoas. Por isso, ia aos banquetes. Por isso não é estranho para nós que
Ele compare o Reino a um Rei que preparou um banquete ao que convida todos. Os
insistentes convites do rei no evangelho de hoje através dos seus emissários,
que não são outros que os profetas, encontram os seus destinatários
indiferentes, desprezando a honra que Ele lhes tinha feito, preocupados só
pelos assuntos materiais: negócios e mais negócios. Por terem sido
cuidadosamente eleitos pelo rei como comensais da festa de bodas, se percebe
que eram de um certo grau, que aos olhos do rei tinham um certo privilégio, o
que também agrava notavelmente o seu comportamento, que chega ao ultraje e à
mesma morte dos porta-vozes reais que levam os convites. Que ofensa e que
humilhação infligidas ao rei! Desculpas sem peso que podiam ser feitas noutro dia: “o meu campo me espera...o
meu negócio”. Até pegaram e mataram os que levavam os convites do Rei. Assim se
explica o motivo de porque na parábola não se considera exagerada a reação do
monarca, o qual ordena que as suas tropas façam justiça aos assassinos e
incendeiem a sua cidade, quase como para apagar da face da terra toda a
lembrança de tão horrível episodio.
Apliquemos a nós esta parábola a Deus.
Como se pode considerar diversamente o desprezo dos bens divinos por parte de
alguns de nós, a rejeição de um Deus que oferece a sua própria vida ao homem?
Por que alguns não participam da missa, por que não se confessam, por que não
leem a Bíblia? Veem à minha memória aquelas severas palavras de são Paulo: “Não
façais ilusões, com Deus não se brinca” (Gal 6, 7). Não se pode desdenhar
impunemente os dons de Deus, e ainda menos pretender que Deus renuncie o seu
plano de salvação universal, opondo-lhe um muro de incompreensão e
superficialidade. Excluir-se deste plano indica só o fracasso do homem e não de
Deus. É isso o que quer dizer a parábola quando mostra o rei que envia os seus
servos às ruas para juntar quantos encontrar, “bons e maus”, e assim encher a
sala do banquete, substituindo os “indignos”. Ninguém pode impedir a festa de
Deus. O nosso esquecimento ou a nossa indiferença não podem fazer que Deus não
exista, nem impedir que realize, inclusive sem nós, o seu plano de salvação.
Nesse banquete devemos entrar com
traje de gala, isto é, com a graça santificante, que no Apocalipse se descreve
como “vestido de linho das obras justas dos santos” (19, 8). É preciso ter a
túnica branca da pureza, a coroa de palmeira ou a oliva da caridade, e as
sandálias e os pés limpos após a fadiga e a luta. Segundo o protocolo oriental,
o rei não participava no banquete, porém num certo momento entrava na sala para
receber o obséquio e o agradecimento dos convidados. No Oriente, desde os
tempos remotos do rei Hamurabi (s. XVIII a.C.), os reis acostumavam presentear
aos seus hóspedes vestidos idôneos para a solenidade das suas audiências ou
para o privilégio do comparecimento diante deles. O homem da parábola que não
tinha vestido de festa foi porque não quis prover-se do traje –que estava na
entrada do palácio-, o que indica uma falta de respeito não menos grave que a
daqueles que rejeitaram o convite do Rei. Também foi expulso à geena eterna, o
inferno. Nenhuma interpretação poderá negar que Cristo ameaçou com este castigo
irreparável quem faz vãos os dons de Deus, rejeitando a sua graça. Porém, não
nos esqueçamos de que também esta terrível parábola precede às três parábolas
da misericórdia, já que Deus ameaça com a intenção de perdoar e nos corrigir.
Para refletir: Levamos a sério os convites de Deus ou fazemos
ouvidos surdos e preferimos os nossos negócios? Temos sempre o traje de gala da
graça de Deus na nossa alma cada vez que nos relacionamos com Deus na oração ou
comungamos na Eucaristia? Somos agradecidos com Deus por tanto amor e por nos
convidar ao Banquete da missa cada domingo? Se participamos do banquete do Rei,
depois levamos algo e convidamos os nossos irmãos ou comemos tudo sozinhos no
cantinho de nosso egoísmo?
Para rezar: Obrigado, Senhor, por tantos banquetes que a
diário me servis. Perdoai-me que algumas vezes despreciei esses banquetes, por
preferir meus negócios. Ajudai-me a não sujar nunca meu vestido de gala, ou
seja, a graça santificante que tenho desde o batismo. Que saiba compartilhar
com meus irmãos esses presentes que vos me dais gratuitamente.

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