Participação de casais facilita discussões no sínodo da família

Primeiro fala um casal. Os bispos e cardeais escutam e só depois intervêm. A nova modalidade das sessões do sínodo sobre a família, que arrancou no domingo, em Roma, tem merecido grande participação e criado um especial à vontade para expor dificuldades e problemas. 

O cardeal inglês Vincent Nichols, arcebispo de Westminster, considera, no entanto, que é preciso esperar para tirar conclusões: "Há imensas ideias a surgir e há imensas preocupações. E temos de ser pacientes e deixar que este processo amadureça." 

"Penso que as palavras do Papa Francisco, no início, foram muito importantes, ao dizer-nos, muito directamente: 'Quero que falem com entusiasmo e que escutem com humildade'. Por isso, ele está a dizer-nos: 'Tenham paciência! Deixem que o retrato surja gradualmente!'", disse Nichols, em conferência de imprensa, esta terça-feira. 

Questionado sobre se tem havido boas sugestões no sínodo, o arcebispo inglês responde: "Recordo um dos padres sinodais ter dito que devemos abordar a realidade social do casamento através de um diálogo amigável". 

A palavra aos Heinzens
Na terça-feira, dia 7, os padres sinodais ouviram falar um casal americano. 
Alice e Jeff Heinzen disseram aos bispos e restantes participantes que as organizações existentes para ajudar casais a viver plenamente as suas vocações não são suficientemente "robustas" para enfrentar as necessidades modernas. 
"Conhecemos incontáveis adultos divorciados que se juntaram a outras comunidades por não se sentirem acolhidos na Igreja Católica. Os nossos corações choram por todos os pais solteiros que lutam para cuidar dos seus filhos. Tal como vocês, procuramos formas mais simples e eficientes para partilhar as bênçãos do plano de Deus para o casamento e a família", disseram os Heinzens, de acordo com a Catholic News Service, um órgão oficial da conferência episcopal americana. 
Para o casal, não existe uma crise sobre os ensinamentos em relação à família e ao casamento, mas sim uma "crise de metodologia. Como é que, enquanto Igreja, podemos partilhar o que sabemos ser verdade de forma prática, simples e convincente, para que todos os homens e mulheres sejam desafiados e apoiados a viver casamentos para a vida e a construir lares que reflectem a igreja doméstica?" 

No Sínodo também se fala de sexo
O Papa pediu franqueza nos discursos e os trabalhos têm sido abertos com a intervenção de casais e na terça-feira também falou-se do matrimónio e de espiritualidade, mas também de sexo.
Há já quem diga que, dentro da aula sinodal, os casais estão a roubar protagonismo aos bispos e aos cardeais. É que, se o foco está centrado na família - e se o Papa pediu a todos franqueza no falar e humildade no escutar –, agora os trabalhos começam sempre com a intervenção de um casal. E os casais falam abertamente das suas realidades e problemas. Incluindo sexo.
Ron e Mavis, casal australiano, falaram do matrimónio como um “sacramento sexual” e garantem que, se um casal não fizer a ligação entre espiritualidade e união sexual, nunca poderá entender a beleza dos ensinamentos da encíclica “Humanae Vitae”.
Avós de oito netos, este casal australiano também focou algumas das actuais tensões e dificuldades em saber articular a verdade, com situações complexas que exigem misericórdia, como, por exemplo, a homossexualidade ou vidas familiares desarticuladas e caóticas.
Alice e Jeff queixaram-se da inabilidade que há, nos Estados Unidos, para propor a verdade e a beleza do casamento como um dom de Deus e não apenas como uma instituição humana.
George e Cynthia, das Filipinas, muito empenhados na paróquia e em movimentos de apoio à família, avançaram com uma iniciativa para acompanhar casais em situação irregular, mas tiveram de desistir por falta de apoio da paróquia e de outros casais católicos.

Aura Miguel, em Roma, com Filipe d'Avillez | Rádio Renascença

Comentários