Deus nos deu tudo. Plantou-nos na Igreja, enxertou-nos em Cristo, nos podou e nos alimentou. Portanto, tem todo o direito de pedir os frutos.




A vinha é uma imagem privilegiada para designar o povo da antiga aliança (Israel) e o povo da Nova Aliança (Igreja); por isso é o símbolo eloquente da inteira história da salvação. A primeira leitura, o salmo e o evangelho de hoje estão cheios de alusões à vinha. A parábola de hoje é outra parábola muito intencionada, a dos trabalhadores da vinha que não somente não entregam ao dono os benefícios que lhe competem, mas que maltratam e batem nos seus enviados e matam o filho, para ficar com a vinha e os seus frutos.

Comentário do P.e Antonio Rivero a Mateus 21, 33-43

Existem duas maneiras de ler esta parábola da vinha: uma em clave histórica ou narrativa, e uma em clave atual. Historicamente, a vinha é o povo hebraico. Deus elegeu livremente este povo, libertou-o do Egito com mão forte e o transplantou com carinho na terra prometida como se transplanta uma vinha. Aqui o encheu de cuidados e de mimos, como faz o vinhateiro com a sua vinha, ou melhor, como faz o esposo com a sua esposa. Cercou-a, defendeu-a dos seus inimigos e das raposas. Mas o que aconteceu? A vinha, em lugar de uva, produziu uvas selvagens. Em lugar de produzir obras de justiça e fidelidade, se rebelou e pagou a Deus com traições, desobediências e infidelidade. Curioso: não se rebelou a vinha, mas os vinhateiros. O que fará Deus? Isaías fala da destruição da vinha (queda de Jerusalém e exílio). Jesus diz que essa vinha será dada a outro destinatário, à Igreja ou o novo Povo de Deus. Deus é livre.

Nós somos esse novo Povo de Deus a quem Jesus nos confiou esta vinha que é sua, a Igreja. A situação mudou com Cristo. Agora Ele é a Vinha verdadeira e nós, os ramos. Só nos pede permanecer Nele pela oração e pelos sacramentos para dar muito fruto. Deus não repudiará mais a vinha que é a Igreja, porque esta vinha é Cristo; a Igreja é o corpo de Cristo. Não haverá um terceiro “Israel de Deus” depois do povo hebraico e do povo cristão. Mas se a vinha está segura pelo amor do Pai, não acontece o mesmo com os ramos individuais. Se não dão fruto, podem ser afastados e jogados fora. É o nosso risco, dos cristãos de hoje, como indivíduos e como grupo.

Se aplicarmos a mensagem a cada um particular, as consequências são bem sérias. Deus nos deu tudo. Plantou-nos na Igreja, enxertou-nos em Cristo, nos podou e nos alimentou. Portanto, tem todo o direito de pedir os frutos. O que encontrará? Só folhas? Ou pior, só galhos secos? A Eucaristia nos oferece a possibilidade de reativar o nosso batismo em nós e também a circulação daquela seiva que provem da Vinha. Se não dermos frutos, já sabemos o triste desenlace: nos jogará fora. Por isso nos manda de vez em quando os seus emissários para nos alertar: amigos, catequistas, sacerdotes, luzes, bons exemplos. Prestemos atenção a todos esses emissários.

Para refletir
O que queremos ser: um ramo unido a Cristo, à sua Palavra, aos seus sacramentos, em estado de crescimento e de conversão, ou um ramo estéril, rico só nos ramos, isto é, um cristão de palavras e não de fatos? O que damos: cachos suculentos ou abrolhos e espinhos?

Para rezar
Senhor, obrigado por me terdes feito ramo de vossa vinha. Senhor, quero que meu ramo esteja forte e bem alimentado com a seiva dos vossos sacramentos. Senhor, que meu ramo dê frutos saborosos de santidade e virtudes, para que quem se aproxime de mim receba o sumo do meu exemplo positivo ou de meu conselho acertado. Não permitais, Senhor, que o meu ramo seja destruído por algum parasita que se queira introduzir na seiva.

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