No Evangelho de Mateus, o servo que recebeu cinco talentos, na realidade, recebeu um salário de 100 anos, o que recebeu dois recebeu o equivalente a um salário de 40 anos e que recebeu só um talento estava recebendo o salário de 20 anos de trabalho


O que são os talentos?
Se formos à ilha de Creta, no mar Egeu, e visitarmos o palácio vermelho do rei Minos poderemos encontrá-los no museu dos talentos: uma espécie de moeda plana, de uns 45 centímetros de lado e 26 a 36 quilos de peso.
Não são moedas de bolso, mas pesos de pagamento e que, segundo tempos e culturas, foram de ouro, prata e bronze. 

Um talento era um peso. Equivalia a 21 000 gramas de prata. Para entender isto, se um denário equivalia a 4 gramas de prata, então um talento equivalia a 6000 denários. Um trabalhador que quisesse ganhar somente um talento, teria que trabalhar 6000 dias, ou melhor dito, quase 20 anos! Se fizermos os cálculos corretos, poderemos entender que o servo que recebeu cinco talentos, na realidade, recebeu um salário de 100 anos, o que recebeu dois recebeu o equivalente a um salário de 40 anos e que recebeu só um talento estava recebendo o salário de 20 anos de trabalho.

Comentário à liturgia do XXXIII domingo do Tempo Comum, pelo P.e Antonio Rivero, L.C.
Textos: Pr 31, 10-13.19-20.30-31; 1 Ts 5, 1-6; Mt 25, 14-30


Deus dá a cada um talentos naturais, espirituais e materiais segundo a nossa capacidade: a um, cinco; a outro, dois; e a outro, um.
Perante os talentos recebidos existem duas posturas: fazê-los render, com responsabilidade e empenho, ou gastá-los mal pela frivolidade e infantilismo; ou escondê-los por preguiça e negligência. Este é o “comércio” da nossa felicidade aqui – ou seja santidade – e depois na salvação eterna.

O que temos de fazer com os talentos espirituais, intelectuais, profissionais, desportivos, culturais... que Deus generosamente nos deu gratuitamente?
No Evangelho está a clave: negociar. Isto é, colocar o dinheiro no banco, fazer préstimos com juros, investi-lo em valores.
O dono elogiou os dois criados que fizeram isto, e mandou para fora o que não fez. Agora o que aconteceria com o que desperdiçasse a torto e a direito o talento, ou roubasse o talento por negligência?

O senhor da parábola é o Filho de Deus que, antes de partir para o seu destino estrangeiro, que é o céu, nos deixou uma fortuna - a vida e uma pátria, a família, a inteligência, a vontade, a afetividade, a sexualidade, os amigos, a saúde, a fé, as virtudes teologais e cardeais, os sacramentos, o perdão, o amor, a justiça, o matrimónio, o sacerdócio ou a vida religiosa, etc. E agora, vamos negociar! E, se não, aprendamos da parábola que outros farão o que nós deixarmos de fazer e se cumprirá o Evangelho: passará a fortuna para outros para que eles negociem e, o que não quis negociar, que se responsabilize das consequências da sua preguiça, do seu esbanjo e da sua inconsciência e superficialidade.

Para rezar:

Senhor, obrigado pelos talentos que me destes, sem que eu os merecesse. Perdoai-me se até hoje desperdicei, gastei mal ou enterrei algum destes talentos. Dai-me vontade, engenho e responsabilidade para de agora em adiante possa investir neles para vossa Glória, para o bem da humanidade e para minha própria santificação.

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