«O ministério presbiteral não pode, em nenhum caso, ser individual, e muito menos individualista», adverte o Papa Francisco na mensagem que enviou aos seminaristas franceses
Queridos seminaristas,
Saúdo cordialmente a cada um de vocês, assim como aos seus
formadores e Bispos que vocês encontraram por ocasião do encerramento dos
trabalhos da Assembleia Plenária da Conferência Episcopal. Eu estou muito
contente de saber que vocês estão reunidos em torno de Maria, a mãe do Senhor,
nesse Santuário de Lourdes, tão querido em todo o mundo.
Ao pensar no encontro de vocês nesse elevado local mariano,
vem-me imediatamente à mente e ao coração o que a Palavra de Deus diz dos
discípulos depois que o Senhor ressuscitado pediu para esperar o Espírito
Santo: “Eles subiram para a sala de cima, onde costumavam hospedar-se (...).
Todos eles tinham os mesmos sentimentos e eram assíduos na oração, junto com
algumas mulheres, entre as quais Maria, mãe de Jesus, e com os irmãos de Jesus”
(At 1, 13-14).
Contemplando este acontecimento, eu quero que vocês retenham
três palavras-chave para a sua vida de seminaristas: fraternidade, oração e
missão.
O livro de Atos dos Apóstolos nos diz que os discípulos
tinham um só coração. O encontro de vocês é uma demonstração dessa unidade. O
tempo do seminário é esta experiência fundamental que os Apóstolos fizeram ao
longo de meses, quando Jesus os instituiu "para ficassem com ele e para
enviá-los para anunciar a Boa Nova" (Mc 3, 14). A fraternidade dos discípulos,
que expressa a unidade dos corações, é parte integrante do chamado que vocês
receberam. O ministério presbiteral não pode, em nenhum caso, ser individual,
muito menos individualista.
No seminário, vocês vivem juntos para se conhecerem,
apreciarem, apoiarem, às vezes também para se suportarem, a fim de viverem
juntos a missão e dar esse testemunho de amor, através do qual se reconhece os
discípulos de Jesus. É importante fazer essa escolha pessoal e definitiva de um
verdadeiro dom definitivo de si mesmos a Deus e aos outros. Convido vocês a
aceitar esse aprendizado da fraternidade, com todo o seu ardor; vocês vão
crescer no amor e construir a unidade através de iniciativas que o Espírito
Santo lhes inspira. Vocês serão capazes de inventar os meios mais adequados
para viver verdadeiramente a fraternidade sacerdotal quando forem ordenados.
Fraternidade, essa é a primeira palavra.
Oração. Juntos, os discípulos estão em oração com Maria, à espera
do Espírito Santo. Vocês já foram chamados por Jesus que quer fazer vocês
partícipes do seu sacerdócio para a vida do mundo. Na base da formação de vocês
está a Palavra de Deus, que lhes penetra, nutre e ilumina. Rezando com ela,
tudo o que vocês aprenderem ganha vida na oração.
Exorto-os a reservarem cada dia longos momentos de oração,
recordando-se como o próprio Jesus se retirava no silêncio e na solidão para
aprofundar o mistério de seu Pai. Vocês, assim, na oração renovam a presença
amorosa do Senhor e se deixam transformar por Ele, sem ter medo do deserto que
isso comporta, da noite que o constitui habitualmente. Moisés também entrou na
escuridão da nuvem para falar com Deus na humildade, como um amigo fala com seu
amigo.
Deixem que a oração de vocês seja um chamado para o
Espírito, pois foi ele quem constituiu a Igreja, que conduziu os discípulos e
infunde a caridade pastoral. É na força do Espírito que vocês irão dar a
alegria àqueles a quem forem enviados, na consciência que eles esperam que vocês
sejam testemunhas de Jesus, "homens de Deus", para que os conduzam ao
Pai.
Chego, assim, à minha terceira palavra: missão. Pelo batismo
vocês foram feitos para o anúncio do Evangelho. Com a ordenação presbiteral,
vocês recebem o encargo da proclamação da Palavra, sob a responsabilidade dos
seus bispos. Ao se prepararem para essa missão, vocês devem se lembrar que este
é o último mandamento do Senhor: "Vão e façam com que todos os povos se
tornem meus discípulos, batizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito
Santo, e ensinando-os a observar tudo o que ordenei a vocês" (Mt 28,
19-20). Tudo que vocês fizerem durante a formação tem apenas um objetivo:
tornarem-se humildes discípulos-missionários para fazer discípulos.
Encorajo vocês para aprenderem a conhecer o mundo ao qual
serão enviados, e a inscrever em vocês o reflexo da saída de si mesmos, do
encontro com o outro. A preferência pelas pessoas mais afastadas é uma resposta
ao convite do Ressuscitado que precede vocês e que espera vocês na Galiléia das
nações. Indo às periferias, chega-se também ao centro.
A missão é inseparável da oração, porque a oração abre ao
Espírito e o Espírito guiará vocês na missão. E a missão, cuja alma é a
caridade, consiste em levar aqueles que encontrarem a perceber a ternura com
que o Senhor os envolve, a ser batizados, a louvar a Deus, a viver a
Eucaristia, para participar, por sua vez, da missão da Igreja.
Maria acompanhou Jesus em sua missão. Ela estava presente no
Pentecostes, quando os discípulos receberam o Espírito Santo. Como mãe ela
acompanhou os primeiros passos da igreja. Durante estes dias em Lourdes,
confiem-se a ela, coloquem-se nas mãos entre a sua chamada, pedindo-lhe para
fazer de vocês pastores segundo o coração de Deus. Que ela fortaleça vocês sobre
estes três pontos principais: fraternidade, oração e missão.
Eu lhes dou de todo o meu coração a bênção apostólica e peço
que rezem por mim. Obrigado.
Do Vaticano, 24 de outubro de 2014.

Comentários
Enviar um comentário