Na quadra natalícia, rica de profundo humanismo e de denso
significado cristão, apresento a todos as minhas saudações fraternas e faço
votos para que o Natal permaneça sempre na nossa vida e se torne um processo
contínuo de construção de relações fraternas, de amizade, apreço e
acompanhamento mútuo. Segundo o evangelho, Jesus veio habitar no meio de nós
para se encontrar connosco e transformar as nossas relações.
Se lhe prepararmos o caminho e formos também ao seu
encontro, então temos acesso a uma fonte perene de alegria, de paz e de
fraternidade: “A alegria do evangelho enche o coração e a vida inteira daqueles
que se encontram com Jesus” (Papa Francisco na Exortação Evangelii Gaudium, EG
1).
Na sua vinda para o meio de nós Jesus identificou-se com os
mais humildes e indigentes: Apresentou-se como uma criança que nos estende os
braços porque confia na nossa protecção; aproximou-se dos pobres e pecadores
para elevar a sua dignidade; dedicou-se aos doentes, desanimados e excluídos
para os curar e integrar na comunidade. É esse calor da fraternidade, da
bondade e da esperança que eu desejo a todos.
Às crianças para que recebam o presente do acompanhamento
afectivo e possam crescer com confiança e alegria; aos jovens para que cultivem
a força de lutar por um futuro com esperança; aos adultos para que contribuam
para a paz e bom relacionamento; aos idosos para que recebam dos familiares e
amigos o calor da proximidade e da ternura; aos doentes para que enfrentem com
coragem e esperança a provação e confiem nos cuidados de saúde e no Senhor
Jesus médico, das almas e dos corpos; às famílias para que cresçam no amor, no
diálogo e na atenção mútua.
Para viver o Natal como um projecto de vida iluminado, pela
fraternidade e pela justiça, temos de renunciar ao individualismo e sair ao
encontro dos outros; de lutar contra o relativismo que não nos deixa aderir à
verdade e à bondade; de vencer a indiferença mútua que se instala nas
sociedades de bem-estar e de consumismo. Para fazer caminho temos de sair dos
nossos acampamentos seguros, das nossas zonas de conforto, dos nossos apegos, e
“deixar que Deus nos conduza para além de nós mesmos afim de alcançarmos o
nosso ser mais verdadeiro” (EG 8).
Acolher o Natal de Jesus que nasceu para nós é acolher os
outros e descobrir com alegria a sua riqueza: “o grande risco do mundo actual
com a sua múltipla e avassaladora oferta de consumo, é uma tristeza
individualista que brota do coração comodista e mesquinho…” (EG 2).
Todos os anos o Senhor renova o convite para acolhermos e
vivermos o mistério da Sua vinda na fraternidade, na justiça, na paz e na
alegria. Viver o Natal é recuperar um horizonte de esperança num mundo melhor.
Com votos de cordiais boas festas desejo a todos a renovação
e a permanência do Natal.

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