Temos de encaixar, crer e viver o Mistério mais importante da História: A Encarnação do Verbo de Deus

(Imagem: Patxi Velasco Fano: www.pinterest.com/pcazares/fano-patxi-velasco)

Meditemos no Mistério mais importante da História: A Encarnação do Verbo de Deus no seio de uma jovem chamada Maria de Nazaré, mãe solteira, já prometida em casamento, mas não casada, e apoiada pelo seu noivo, José, que irá dar o nome Jesus ao menino quando chegar o tempo.

Comentário do P.e Antonio Rivero à liturgia do quarto domingo do Advento
Textos: 2 Sam 7, 1-5.8-12.14.16; Rom 16, 25-27; Lc 1, 26-38

Temos de encaixar este Mistério. As pessoas perderam o sentido do poderoso, do sagrado e do divino. Por isso existem tantos que rejeitam os mistérios. Admiram-se de mistérios minúsculos, como a eletricidade na televisão, no telemóvel, as forças da Natureza, e não se admiram diante do grande Mistério da Encarnação que tanta alegria deveria produzir, ao saber que Deus quer armar a sua tenda entre nós…
Alguns negam este Mistério porque não encaixa na sua vontade, uma vez que este Mistério pede muita mudança de vida.
Maria, José, Isabel, João Batista, os pastores, os Magos, os anciãos Simeão e Anadão o exemplo de como encaixar esse Mistério: abrindo os ouvidos da alma, refletindo com serenidade no que implicava esse mistério e abrindo-se a esse Mistério, deixando-se possuir por ele.

Temos de crer neste Mistério. Crer é muito mais que entender. É mais, é ir além do mero entender, confiando na Palavra de Deus que não engana, nem decepciona. Crer é entregar o cheque em branco a Deus para Ele escrever o que Ele quiser, porque sempre será para a nossa salvação e felicidade.
Maria nesses segundos ou minutos de silêncio reflexivo de discernimento, antes de dar o seu “sim, creio”, repassaria toda a história de fidelidade de Deus no Antigo Testamento, desde Abraão até o último profeta... e deixou que uma imensa paz a invadisse e também um contentamento interior e uma grande certeza, a fé em Deus. Diz-nos Santo Agostinho: “Cheia de fé concebeu Cristo na sua mente antes que no seu seio, ao responder: “Eis aqui a escrava do Senhor, faça-se em mim segundo a vossa Palavra” (Lc 1,35)”. Antes de habitar o Filho de Deus no seio de Maria, sem dúvida já “morava Cristo pela fé no coração” (Ef 3,17) de quem, pela fé, “concebeu antes na sua mente que no seu ventre virginal”. “Na alma a fé, y no ventre Cristo”. Assim “Maria foi mais feliz por receber a fé de Cristo do que por conceber a carne de Cristo” “já que na teria nenhum proveito a divina maternidade de Maria, se não tivesse sido mais feliz por levar Cristo no seu coração que na sua carne”.

Temos de viver este Mistério e segundo este Mistério, tem de invadir a nossa vida, tocar e transformar a nossa vida. São João Paulo II na sua primeira viagem ao México em 1979 ao tratar da fé, vista em Maria, disse: “Coerência, é a terceira dimensão da fidelidade. Viver de acordo com o que se crê. Ajustar a própria vida ao objeto da própria adesão. Aceitar incompreensões, perseguições antes que permitir rupturas entre o que se vive e o que se crê: esta é a coerência. Aqui se encontra, talvez, o núcleo mais íntimo da fidelidade... E só pode chamar-se fidelidade uma coerência que dura ao longo de toda a vida. O fiat de Maria na Anunciação encontra a sua plenitude no fiat silencioso que repete ao pé da cruz. Ser fiel é não trair nas trevas o que se aceitou publicamente”. Por isso, que se abre a este Mistério da Encarnação tem que viver as consequências da sua fé: uma fidelidade nas boas e nas más, nos momentos duros e nos momentos alegres.

Para refletir
Já encaixei este Mistério ou ainda tenho as portas fechadas como narra a poesia de José Maria Pemán sobre o estalajadeiro: “O Evangelho começa diante de uma porta/ de uma pousada em Belém e um estalajadeiro./ - Não terá um quarto para esta noite?/ - Nenhuma cama livre; tudo cheio./ E Deus seguiu adiante. Que pena, estalajadeiro!”
Já cri neste Mistério no profundo do meu ser e me enche de alegria?
Vivo conforme este Mistério?

Para rezar

Por ser um Mistério incompreensível, ajoelho-me e vos adoro, Senhor. Por ser um Mistério de imensa beleza, extasio-me e vos agradeço, Senhor. Por ser um Mistério inefável, presto-vos a minha boca para levar este Mistério por todas as partes onde eu for.

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