Temos de encaixar, crer e viver o Mistério mais importante da História: A Encarnação do Verbo de Deus
Meditemos no Mistério mais importante da História: A
Encarnação do Verbo de Deus no seio de uma jovem chamada Maria de Nazaré, mãe
solteira, já prometida em casamento, mas não casada, e apoiada pelo seu noivo,
José, que irá dar o nome Jesus ao menino quando chegar o tempo.
Comentário do P.e Antonio Rivero à liturgia do quarto
domingo do Advento
Textos: 2 Sam 7, 1-5.8-12.14.16; Rom 16, 25-27; Lc 1, 26-38
Temos de encaixar este Mistério. As pessoas perderam o
sentido do poderoso, do sagrado e do divino. Por isso existem tantos que
rejeitam os mistérios. Admiram-se de mistérios minúsculos, como a eletricidade
na televisão, no telemóvel, as forças da Natureza, e não se admiram diante do
grande Mistério da Encarnação que tanta alegria deveria produzir, ao saber que
Deus quer armar a sua tenda entre nós…
Alguns negam este Mistério porque não encaixa na sua
vontade, uma vez que este Mistério pede muita mudança de vida.
Maria, José, Isabel, João Batista, os pastores, os Magos, os
anciãos Simeão e Anadão o exemplo de como encaixar esse Mistério: abrindo os
ouvidos da alma, refletindo com serenidade no que implicava esse mistério e
abrindo-se a esse Mistério, deixando-se possuir por ele.
Temos de crer neste Mistério. Crer é muito mais que
entender. É mais, é ir além do mero entender, confiando na Palavra de Deus que
não engana, nem decepciona. Crer é entregar o cheque em branco a Deus para Ele
escrever o que Ele quiser, porque sempre será para a nossa salvação e
felicidade.
Maria nesses segundos ou minutos de silêncio reflexivo de
discernimento, antes de dar o seu “sim, creio”, repassaria toda a história de
fidelidade de Deus no Antigo Testamento, desde Abraão até o último profeta... e
deixou que uma imensa paz a invadisse e também um contentamento interior e uma
grande certeza, a fé em Deus. Diz-nos Santo Agostinho: “Cheia de fé concebeu
Cristo na sua mente antes que no seu seio, ao responder: “Eis aqui a escrava do
Senhor, faça-se em mim segundo a vossa Palavra” (Lc 1,35)”. Antes de habitar o
Filho de Deus no seio de Maria, sem dúvida já “morava Cristo pela fé no
coração” (Ef 3,17) de quem, pela fé, “concebeu antes na sua mente que no seu
ventre virginal”. “Na alma a fé, y no ventre Cristo”. Assim “Maria foi mais
feliz por receber a fé de Cristo do que por conceber a carne de Cristo” “já que
na teria nenhum proveito a divina maternidade de Maria, se não tivesse sido
mais feliz por levar Cristo no seu coração que na sua carne”.
Temos de viver este Mistério e segundo este Mistério, tem de
invadir a nossa vida, tocar e transformar a nossa vida. São João Paulo II na
sua primeira viagem ao México em 1979 ao tratar da fé, vista em Maria, disse:
“Coerência, é a terceira dimensão da fidelidade. Viver de acordo com o que se
crê. Ajustar a própria vida ao objeto da própria adesão. Aceitar
incompreensões, perseguições antes que permitir rupturas entre o que se vive e
o que se crê: esta é a coerência. Aqui se encontra, talvez, o núcleo mais
íntimo da fidelidade... E só pode chamar-se fidelidade uma coerência que dura
ao longo de toda a vida. O fiat de
Maria na Anunciação encontra a sua plenitude no fiat silencioso que repete ao pé da cruz. Ser fiel é não trair nas
trevas o que se aceitou publicamente”. Por isso, que se abre a este Mistério da
Encarnação tem que viver as consequências da sua fé: uma fidelidade nas boas e
nas más, nos momentos duros e nos momentos alegres.
Para refletir
Já encaixei este Mistério ou ainda tenho as portas fechadas
como narra a poesia de José Maria Pemán sobre o estalajadeiro: “O Evangelho
começa diante de uma porta/ de uma pousada em Belém e um estalajadeiro./ - Não
terá um quarto para esta noite?/ - Nenhuma cama livre; tudo cheio./ E Deus seguiu
adiante. Que pena, estalajadeiro!”
Já cri neste Mistério no profundo do meu ser e me enche de
alegria?
Vivo conforme este Mistério?
Para rezar
Por ser um Mistério incompreensível, ajoelho-me e vos adoro,
Senhor. Por ser um Mistério de imensa beleza, extasio-me e vos agradeço,
Senhor. Por ser um Mistério inefável, presto-vos a minha boca para levar este
Mistério por todas as partes onde eu for.

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