Uma meditação, uma oração e uma proposta de ação a partir das leituras bíblicas do 2.º Domingo do Advento - «Endireitai os caminhos do senhor!»



O testemunho de João Baptista convida-nos nesta semana a vivermos o significado de cada Natal: o encontro autêntico com Jesus, centro e fim da nossa fé. Preparar os caminhos do Senhor e endireitar as suas veredas, é uma tarefa constante de cada cristão, um caminho de conversão permanente que não nos deve apanhar descuidados e desatentos, mas centrados no que é fundamental para nós: a certeza de que Jesus, vem de novo para nos salvar. Na voz do profeta estão reunidas as vozes dos profetas de todos os tempos. Essencial, é descobrirmos o que essa profecia significa para nós hoje e que mensageiros e que mensagem nos anunciam os verdadeiros profetas do nosso tempo que insistentemente nos dizem: preparai o caminho do Senhor, endireitai as suas veredas.

EVANGELHO – Mc 1, 1-8

Início do Evangelho de Jesus Cristo, Filho de Deus. Está escrito no profeta Isaías: «Vou enviar à tua frente o meu mensageiro, que preparará o teu caminho. Uma voz clama no deserto: ‘Preparai o caminho do Senhor, endireitai as suas veredas’». Apareceu João Baptista no deserto, a proclamar um batismo de penitência para remissão dos pecados. Acorria a ele toda a gente da região da Judeia e todos os habitantes de Jerusalém e eram batizados por ele no rio Jordão, confessando os seus pecados. João vestia-se de pelos de camelo, com um cinto de cabedal em volta dos rins, e alimentava-se de gafanhotos e mel silvestre. E, na sua pregação, dizia: «Vai chegar depois de mim quem é mais forte do que eu, diante do qual eu não sou digno de me inclinar para desatar as correias das suas sandálias. Eu batizo-vos na água, mas Ele batizar-vos-á no Espírito Santo».

SEGUNDA-FEIRA
Palavra
Início do Evangelho de Jesus Cristo, Filho de Deus.
Duas palavras maiores neste início: o “evangelho” de “Jesus Cristo, Filho de Deus”. A primeira caracteriza a boa notícia destinada a todos os homens, noticia que define a nossa fé. Os “títulos” atribuídos a Jesus, conferem-lhe a “unção” (“aquele que foi unto”), a consagração para a missão cuja dignidade (aquela de Jesus) é confirmada por um facto: ser filho de Deus.

Meditação
O Evangelho de Jesus, é para nós, não apenas uma “boa notícia”, mas a melhor das notícias, porque se refere ao que de mais profundo podemos viver, como cristãos: o seguimento de Jesus, Filho de Deus. Por isso, este “evangelho”, não são apenas “palavras” e “narrações”, mas experiência de uma fé que nos torna, a cada um de nós, uma resposta de amor permanente. Fundamental é descobrirmos o que significa para cada um de nós a ”Palavra de Jesus”, que para nós é Deus. E porque “Palavra de Deus”, como a vivemos e pomos em prática.

Oração
Senhor, as tuas palavras são fonte de vida eterna. Ultrapassam o jogo dos sons, o encadeado das letras, para se tornarem sentido. Porque tu és Palavra. Tu és Verbo. Tu és Deus connosco. São vida. São fonte e manancial do nosso existir, que então, ganha contornos identificados. Vida atuante do teu evangelho. Vida atuante da tua Palavra. Vida em abundância porque de ti.

Ação
Durante o dia de hoje, procura viver a Jesus como Palavra: boa notícia. Coloca em lugar de destaque em tua casa um Novo Testamento ou Bíblia aberta neste início do evangelho de Marcos. E faz da Palavra, vida.

TERÇA-FEIRA
Palavra
Está escrito no profeta Isaías: «Vou enviar à tua frente o meu mensageiro, que preparará o teu caminho. Uma voz clama no deserto: ‘Preparai o caminho do Senhor, endireitai as suas veredas’».
A apresentação de João, o percursor, é realizada com a citação do texto de Isaías da primeira leitura, do texto de Ex 23,30 e de Mal 3,1. João é aquele mensageiro que é enviado para “preparar o caminho”, precedendo o esperado das nações. O “caminho” que é preciso preparar é o do encontro: de Deus com o homem e do homem com Deus.

Meditação
Uma vez mais, Deus quer comunicar-se com toda a humanidade. Anseia por este encontro. Prepara-o enviando o último dos grandes profetas, mensageiro portador da sua novidade: quer de novo estar no meio dos seus, quer fazer-se presente na humanidade, quer ser de novo “Emanuel”, Deus connosco. Deus no meio de nós. No deserto deste nosso viver, também nós nos preparamos para este encontro. Que preparar para que no nosso deserto, no difícil deserto, se possa construir um caminho de encontro com Deus? Que fazer para nos podermos encontrar com este Deus que quer estar connosco?

Oração
O teu desejo, Senhor, confunde os sábios, confunde os doutos, e faz-se palavra simples: encontro, comunicação, partilha. Queres de novo estar connosco. Ser o nosso Deus. Mostrar-nos esse amor infinito que tudo pode, tudo espera, tudo crê. Mesmo quando somos nós a não querer, a não esperar, a não crer (e querer). Prepara o deserto do meu coração para me poder encontrar verdadeiramente contigo, Senhor. Preparado estarei para o teu amor!

Ação
Um mensageiro, uma mensagem. Também hoje são necessários mensageiros para tornar verdade a mensagem do Evangelho de Jesus. Ao longo do dia de hoje, pensemos na nossa vocação como cristãos: será que podemos dar mais de nós? Será que podemos ser mais e melhores profetas? Que resposta tenho para este Deus que procura mensageiros para a sua mensagem?

QUARTA-FEIRA
Palavra
Apareceu João Baptista no deserto, a proclamar um batismo de penitência para remissão dos pecados. Acorria a ele toda a gente da região da Judeia e todos os habitantes de Jerusalém e eram batizados por ele no rio Jordão, confessando os seus pecados.
João, o Baptista. Com um batismo de penitência, de conversão, de remissão dos pecados. Um gesto purificador que prepara a vinda de Deus. Uma purificação ritual das manchas do pecado. João oferece a possibilidade da conversão, na esperança de um “outro”, de uma nova situação que enfim será plena, única e redentora. Agora é tempo de “confessar os pecados” para iniciar a preparação do caminho, aplanar as veredas, para que se possa encontrar quem, de verdade e em plenitude, pode perdoar os pecados.

Meditação
O tempo não é ainda total. É uma etapa renovadora. O silêncio a que conduz o pecado isola. É necessária uma libertação: uma via nova, um encontro novo. Não bastam gestos e palavras: é preciso vida. Com Jesus chega uma “esperança nova”, um novo horizonte de graça e bondade. A redenção plena. Cristo que nos salva e alenta. A João acorria toda a gente da Judeia e de Jerusalém. E nós a quem acorremos? A quem nos dirigimos? Para onde corremos? Quem é que nos salva e liberta? Para onde caminhamos, enfim, neste dia a dia de desencontros com Deus?

Oração
Encontro-me aqui, Senhor, no deserto do meu ser à procura de um caminho que me leve ao encontro contigo. Mas, para onde me dirigir? As areias deste deserto conduzem-me em círculos sucessivos e parece-me que volto sempre ao mesmo lugar… sempre ao mesmo existir… parece demasiado distante o oásis em que te tornas fonte de uma água capaz de me libertar dos meus medos, das minhas incertezas, do meu pecado. Parece demasiado distante o rio que corre como manancial de vida. Mas para ti caminho. Entre lutas e cansaços, para a vitória do encontro contigo.

Ação
Procura ao longo do dia de hoje fazer um exame de consciência dinâmico em que reconheças as limitações, o teu pecado, e descubras uma forma de os superares, confessando o significado de Jesus neste teu existir: mais desértico ou mais de oásis?

QUINTA-FEIRA
Palavra
João vestia-se de pelos de camelo, com um cinto de cabedal em volta dos rins, e alimentava-se de gafanhotos e mel silvestre.
João Baptista era um profeta de características especiais. João é o percursor. Na sua humildade descreve-se a figura de um homem abandonado de si para se encher da novidade do que profetiza: a proximidade do Reino, a proximidade de Deus. O seu aspeto descreve a atitude de um profeta na sua plena autenticidade, na sua plena verdade, na sua plena missão. Não é João que se anuncia e o que é mais importante: ele é um homem vestindo “pelos de camelo, com um cinto de cabedal”, “alimentando-se de gafanhotos e mel silvestre”. Fundamental é a sua missão: ser precursor da presença de Deus.

Meditação
João é quem abre a estrada: é o mensageiro daquele que está para vir, a voz diante da Palavra, o servo diante do Senhor, aquele que batiza com água, diante daquele que batizará com o Espírito Santo. E na sua simplicidade e encanto, encerra-se uma missão única: anunciar a proximidade do Reino e de Deus. Todos os anos esta mensagem de João surge acutilante nos nossos ouvidos. Parece que rapidamente nos esquecemos do que é mais importante e precisamos desta voz, desta profecia, desta presença: bruta e excecional ao mesmo tempo. Para nos sensibilizar para o que é fundamental: Jesus está no meio de nós – preparemos o nosso coração para que Ele esteja connosco. Porque é que é tão necessária esta voz do deserto, vestida de camelo, alimentando-se de mel silvestre e gafanhotos?

Oração
Uma voz clama no deserto das nossas vidas, Senhor: “prepara o caminho de Deus”. Mas porquê? Talvez porque nos mantenhamos surdos à tua voz, Senhor. Talvez porque nos escondemos em mil desertos de existir. Talvez porque sempre e cada vez mais necessitados de acordar para a realidade. Vem, Senhor Jesus! Vem ser luz no nosso caminho que preparamos para o encontro contigo. Vem, Senhor Jesus! Vem ser verdade no nosso existir. Vem, Senhor Jesus! Vem e sê vida no nosso ser.

Ação
Procura ao longo do dia de hoje ouvir as vozes dos profetas do nosso tempo. Acredito que possas pensar que “já não há profetas”, que acabaram com “João, o Baptista”. Será mesmo assim? Não está o nosso tempo tão necessitado de profetas como o de João? Em que desertos surgem os profetas do nosso tempo? Deus continua a enviar mensageiros… é assim tão difícil encontrá-los?

SEXTA-FEIRA
Palavra
E, na sua pregação, dizia: «Vai chegar depois de mim quem é mais forte do que eu, diante do qual eu não sou digno de me inclinar para desatar as correias das suas sandálias.
Na humildade do testemunho de João, descobrimos o bem maior que nos espera. Quem está para vir supera todas as possibilidades: João não se sente digno, nem sequer de desatar as correias das suas sandálias. É o próprio Deus que vem ao encontro do homem: cabe-nos a nós descobrir a força da sua transcendência e do seu amor por nós.

Meditação
Não é um Deus qualquer este que vem ao nosso encontro: é o Deus vivo e verdadeiro; o Senhor! Na sua transcendência, vem visitar-nos, ser um de nós. Partilhar a Palavra, o gesto benevolente, a certeza do caminho certo. A proximidade de um Deus assim, pode confundir-nos, pode alienar-nos, pode tornar-nos demasiado simplistas. A grande intervenção de Deus torna-se eminente nas nossas vidas, e nós, como respondemos: com “a atitude de sempre”, com “as coisas do costume”, ou descobrindo-O em toda a sua riqueza, porque também nós reconhecemos que “não somos dignos de nos inclinarmos para desatar as correias das suas sandálias”?

Oração
Tu és, Senhor, o Deus da nossa vida. Simplificamos demasiado tudo isto… queremos tudo claro, tudo evidente, tudo manifesto e esquecemos que a “epifania” do teu amoo acontece nos gestos mais simples, na vida partilhada, na palavra que se faz Palavra tua na nossa vida… Tu és, Senhor, o Deus da nossa vida. Tudo queremos, tudo procuramos, e esquecemos o que é mais simples e evidente: tu és, Senhor, o Deus da nossa vida. É então que ficamos sem palavras… sem reação… sem voz… porque Tu és o meu Deus!

Ação
Procura ao longo do dia preparar a vinda de Deus ao teu coração. A vinda autêntica de Deus. Que é preciso então preparar?

SÁBADO
Palavra
Eu batizo-vos na água, mas Ele batizar-vos-á no Espírito Santo».
A diferença de João Baptista e do “que está para vir” é profunda: água e Espírito Santo. O batismo de João limita-se ao que é superficial. O Batismo de Jesus ao que é mais profundo. Nas palavras, nos gestos, na pessoa de Jesus, é Deus quem se faz presente como consolador do seu povo, pastor que reúne e apascenta as suas ovelhas e inaugura o Reino de Deus na história, pedindo a cada um de nós a coragem e a confiança de um novo tempo: o tempo do Espírito.

Meditação
Jesus é o novo horizonte de esperança para toda a humanidade. Nele encontramos a força de um novo Batismo no Espírito que redime e salva. Nele tudo se renova. Nele somos renovados para uma realidade nova. Nele a plenitude alcança realidade de absoluto. Esperamos, portanto, neste tempo de Advento, a vinda de Deus. Isto supõe prepararmos o nosso coração e a nossa vida. Para que o Espírito do Senhor habite em nós e nos fortaleça. Para que Deus seja tudo em nós.

Oração
Obrigado, Senhor, pela tua consolação e presença. Obrigado pelas vezes que falas ao meu coração, colmatando os vales da minha inconsistência e do meu orgulho que me conduzem a caminhos de tristeza e desolação. Anima-me para o encontro contigo. Transforma-me em espaço de planície de paz e de perdão. Purifica-me do que me transforma em ódio e rancor. Para que o meu coração te possa receber como novidade de cada instante, na plenitude do meu ser em ti.

Ação

Ao longo do dia de hoje recorda-te dos compromissos assumidos no teu Batismo e procura preparar o teu coração para receber o Senhor que vem ao nosso encontro, esperando encontrar caminhos facilitados pelo amor que em Deus depositamos.

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