Taizé - Ecumenismo: seis sugestões do irmão Alois para que os cristãos se coloquem sob o mesmo teto


Cristo deu a sua vida para reunir todos os homens numa grande família. Ele chama os que o seguem a serem um sinal da sua paz no mundo. É para constituir este sinal que a reconciliação entre cristãos é tão urgente.

Uma das questões para a qual nós, cristãos, temos de encontrar uma resposta é a seguinte: como mostrar pela nossa vida que a unidade é possível no respeito pelo pluralismo?

Haverá sempre diferenças entre cristãos: elas permanecerão como um convite ao diálogo franco; mas elas podem ser também uma riqueza. Não terá chegado o tempo de dar prioridade à identidade batismal comum a todos, que nos une já em Cristo?

Hoje, não deveriam as Igrejas cristãs ousar colocarem-se todas sob um mesmo teto, antes mesmo de encontrarem um acordo sobre todas as questões teológicas?

Cristo dá a unidade quando e como Ele quer. Mas, se não a esperarmos juntos, como pode ele dar-nos esse dom? Foi quando estavam reunidos sob o mesmo texto, também com Maria, que os apóstolos receberam o dom do Espírito Santo. E o Espírito Santos une-nos sempre, com as nossas diversidades.

Como nos colocarmos sob um mesmo teto? Gostaria de fazer seis sugestões:

- Numa comunidade local, podemo-nos pôr sob um mesmo tecto, entre vizinhos e famílias, um pouco como em «comunidades de base», para rezarmos juntos, nos entreajudarmos, ganharmos mais familiaridade uns com os outros.

- Entre comunidades locais de confissões diferentes existe já colaboração no estudo da Bíblia, no trabalho social e pastoral e na catequese. Esta colaboração poderia ser intensificada. Que cada comunidade faça, com os cristãos de outras confissões, tudo o que é possível fazer juntos, e não faça mais nada sem ter em conta os outros.

- Estamos reunidos nesta maravilhosa catedral. Será que, em muitas cidades, a catedral ou igreja principal pode tornar-se casa de oração comunitária para todos os cristãos desse lugar?

- O diálogo teológico deve continuar. Será possível conduzi-lo antes de mais num quadro de oração comunitária e com a consciência de já estarmos juntos? Ao vivermos e rezarmos em conjunto, abordamos já de outro modo questões de carácter propriamente teológico. Talvez possamos dizer o mesmo da reflexão bíblica.

- Todos os crentes receberam uma parte do dom pastoral de cuidar uns dos outros. A família cristã que é a Igreja também precisa de ministérios de unidade, a todos os níveis. Um ministério de comunhão ao nível universal está tradicionalmente associado ao bispo de Roma. Não poderia ele ser reconhecido como o servidor que zela pela concórdia dos seus irmãos e irmãs, na sua grande diversidade? Não será possível que as Igrejas imaginem formas diversas de referência a este ministério?

- As Igrejas que sublinham que a unidade da fé e o acordo sobre os ministérios são necessários para recebermos juntos a comunhão não deveriam conceder igual peso ao acordo do amor fraterno? Não poderiam então abrir de forma mais alargada a hospitalidade eucarística aos que manifestam o desejo de unidade e que creem na presença real de Cristo? A Eucaristia é não apenas o cume da unidade, mas também o caminho para a unidade.


Aceitemos avançar por um caminho que não conhecemos à partida e apoiarmo-nos sobre esta palavra de Isaías: «Vou levar os cegos por um caminho que não conhecem». Confiemos no Espírito Santo para que ele nos leve por um caminho que não conhecemos. A sua inspiração prepara-nos para que nos tornemos autênticas testemunhas de comunhão.

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