Dez propósitos do Jejum


O jejum não é uma espécie de penitência que se faz com o intuito de levar Deus a fazer algo por nós. O jejum tampouco muda Deus. O jejum não torna Deus mais bondoso ou misericordioso para connosco. Deus é o mesmo antes, durante e depois do nosso jejum. Jejuar muda-nos a nós. Vai ajudar-nos a ser mais sensíveis à nossa necessidade de aperfeiçoamento, disciplinando os nossos instintos, e torna-nos também mais solidários com o nosso próximo.

1. O jejum ajuda na preparação para um trabalho especial
Moisés (Ex 34, 28), Elias (1Rs 19, 8), Jesus (Mt 4, 2; Mc 1, 12; Lc 4, 2)... jejuaram antes de iniciar a sua missão. Também nós, antes de iniciarmos uma obra especial designada por Deus precisamos de orar e jejuar, para ser fortalecidos na certeza da presença do Pai, como eles estavam conscientes:
«Nem só de pão vive o homem, mas de toda a palavra que sai da boca de Deus.»
«Não tentarás o Senhor teu Deus.»
«Adorarás o Senhor teu Deus e só a Ele prestarás culto.»

2. O jejum está associado ao arrependimento
Depois de ouvirem a pregação de Jonas, os habitantes de Nínive arrependeram-se com jejum (Jn 3, 5-8).
Depois de se encontrar com o Senhor no caminho de Damasco, Paulo jejuou três dias antes que Ananias fosse ter com ele (Act 9, 8-9).
Jejuaram porque o arrependimento profundo envolve renúncia e abstinência.

3. O jejum está ligado ao poder espiritual
Certa vez, os discípulos tentaram expulsar um demónio e não conseguiram. E Jesus disse-lhes que há certos demónios que só saem com oração e jejum.
Os discípulos quiseram saber porque motivo não puderam expulsá-lo, e Jesus respondeu: «Por causa da pequenez da vossa fé» (Mt 17, 14-21).
O jejum em si mesmo não tem poder algum. Mas quando estamos de jejum, a nossa oração é intensificada e a fé é fortalecida, e nestas circunstâncias o poder de Jesus é dado aos Seus discípulos: «Em verdade, em verdade vos digo: quem crê em mim também fará as obras que Eu realizo; e fará obras maiores do que estas, porque Eu vou para o Pai, e o que pedirdes em meu nome Eu o farei, de modo que, no Filho, se manifeste a glória do Pai. Se me pedirdes alguma coisa em meu nome, Eu o farei» (Jo 14, 12-14)

4. O jejum está ligado a tempos de tribulação
No livro de Ester, conta-se como esta mulher pediu a todo o povo que jejuasse três dias pela libertação quando o príncipe Haman queria destruir o povo de Deus  (Est 6, 15– 8, 14).

5. O jejum ajuda a vencer as tentações
O jejum de quarenta dias que Jesus realizou revela o método mais eficaz de enfrentar Satanás e suas tentações, derrotando-o. 

6. O jejum está associado à intercessão
A grande oração de intercessão feita por Daniel foi acompanhada de jejum e pranto (Dn 9, 3; 10, 2-3).
O segundo período de quarenta dias de jejum de Moisés tinha como objetivo a intercessão pelo povo, por causa do pecado que haviam cometido contra Deus e a ameaça de destruição (Dt 9, 18-20).
O jejum está profundamente relacionado com o nosso encargo de orar pela salvação dos amigos e parentes.

7. O jejum ajuda a crescer na vida cristã
O jejum não é um mandamento, mas Jesus disse que ele faria parte da vida dos crentes, assim como a oração e a contribuição caridosa. 
No capítulo 6 de Mateus, quando Jesus falava do que é o Reino de Deus, Ele enumera as três coisas que todos os discípulos deveriam fazer: 
«Quando deres esmola, que a tua mão esquerda não saiba o que faz a tua direita, a fim de que a tua esmola permaneça em segredo.
Quando orares, entra no quarto mais secreto e, fechada a porta, reza em segredo a teu Pai, pois Ele, que vê o oculto, há-de recompensar-te.
Quando jejuares, perfuma a cabeça e lava o rosto, para que o teu jejum não seja conhecido dos homens, mas apenas do teu Pai que está presente no oculto.»

8. O jejum intensifica a nossa comunhão com Deus
Lucas 2, 37 afirma que Ana não saía do templo, mas adorava a Deus noite e dia em jejuns e oração.
Em Actos dos Apóstolos 13, 2 também se diz que os líderes da igreja de Antioquia serviam a Deus com jejuns.
Se jejuamos para buscar intimidade com Deus e o próximo isso mostra que ansiamos pelo Senhor e pela vida em fraternidade cristã mais do que pela comida.

9. O jejum ajuda-nos a receber a Palavra
Moisés foi chamado ao monte para receber a Palavra de Deus, mas para isso ele deveria subir em jejum (Dt 9, 9-10), 
«em jejum:
- das palavras desnecessárias, ruidosas, poluídas.
- das palavras dúplices e opulentas, das palavras que atropelam, 
- das palavras injustas, das palavras que divergem e atraiçoam, das palavras que separam. 
- das palavras que escondem Deus,
- das palavras onde o amor não emerge, das palavras confusas, ressentidas, atiradas como pedras, das palavras que muralham a comunicação, das palavras que nada mais permitem senão palavras...» (P.e Tolentino Mendonça) 

10. A disciplina do jejum protege do erro
S. Paulo, referindo-se aos falsos mestres, diz que «o destino deles é a perdição, o deus deles é o ventre (estômago), visto que só se preocupam com as coisas terrenas» (Fl 3, 19); que o ideal quase único das suas vidas é o desejo de satisfação dos seus desejos; que vivem obcecados por um bem-estar sempre maior; que qualquer coisa os afasta de Deus, que não "encontram tempo para estar com Deus...

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