Retiro online de Quaresma - uma proposta do bispo de Leiria-Fátima: Dom e missão da família: 4.º dia - «Estes mandamentos, repeti-los-ás a teus filhos» - Família, espaço de partilha da fé


«Estes mandamentos, repeti-los-ás a teus filhos»
Família, espaço de partilha da fé

Acolhimento e saudação aos participantes
1.      Invocação do Espírito Santo / Oração inicial
1.1.Cântico (a escolher; proposta: Escuta Israel)
1.2.Prece
Senhor, vós sois o único Deus!
Ajudai-nos a escutar a vossa palavra,
Acolhendo-a no coração, e transformando-a em vida,
Para que, nas nossas famílias, sejamos testemunhas da fé,
Capazes de transmitir a alegria e a beleza de viver no vosso amor.
Ámen.
2.      Escuta e compreensão da Palavra
2.1.Leitura do livro do Deuteronómio (6, 1-9)
1«Estes são os mandamentos, as leis e os preceitos
que o Senhor, vosso Deus, ordenou que vos ensinasse
para os cumprirdes na terra onde ides entrar, para dela tomar posse.
2Portanto, deves temer o Senhor, teu Deus,
cumprindo todas as suas leis e mandamentos que te ordeno,
tu, os teus filhos e os filhos dos teus filhos,
por todos os dias da tua vida,
a fim de que os teus dias se prolonguem.
3Portanto, Israel, escuta e tem cuidado em cumprir
o que será bom para ti e vos fará multiplicar muito
na terra onde corre leite e mel,
como te prometeu o Senhor, Deus dos teus pais.
4Escuta, Israel! O Senhor é nosso Deus; o Senhor é único!
5Amarás o Senhor, teu Deus, com todo o teu coração,
com toda a tua alma e com todas as tuas forças.
6Estes mandamentos que hoje te imponho estarão no teu coração.
7Repeti-los-ás aos teus filhos e reflectirás sobre eles,
tanto sentado em tua casa, como ao caminhar, ao deitar ou ao levantar.
8Atá-los-ás, como símbolo, no teu braço
e usá-los-ás como filactérias entre os teus olhos.
9Escrevê-los-ás sobre as ombreiras da tua casa e nas tuas portas.»
Palavra do Senhor.
2.2.Leitura pessoal (voltar a ler, em silêncio: o que diz o texto?)
2.3. Notas para a compreensão do texto
O Livro do Deuteronómio apresenta-se como um conjunto de três discursos de Moisés, pronunciados nas planícies de Moab. Pressentindo a proximidade da sua morte, Moisés deixa ao Povo uma espécie de "testamento espiritual": lembra aos hebreus os compromissos assumidos para com Deus e convida-os a renovar a sua aliança com Jahwéh. Ele, que acolhera a Lei no alto do monte, vai agora, na proximidade da entrada na Terra Prometida (onde ele nunca chegará a entrar), recordar o fundamental dessa aliança.
Neste excerto, Moisés vai começar por exortar a “temer o Senhor”. Este “temor” traduz duas atitudes essenciais: a reverência e o respeito perante Deus, por um lado; e, por outro, a pronta obediência à vontade divina, com confiança e humildade, na aceitação plena das propostas e dos mandamentos de Deus. O crente é aquele que se entrega nas mãos de Deus com total confiança, na certeza de que os mandamentos da Lei são o caminho que conduz à vida.
O texto continua com o mandamento central a acolher e viver: «Escuta Israel…».
O verbo “escutar” (“Shemá”, em hebraico), aqui usado, define uma ação em três tempos: “ouvir” com os ouvidos, “acolher” no coração, “transformar em ação concreta” aquilo que se ouviu e que se acolheu.
O “Shemá” começa com a afirmação solene da unicidade de Deus, seguindo-se a exigência de amar este Deus único com um amor sem divisão, que implica a totalidade do homem. Esse amor, interiorizado no coração e na alma do homem, deve depois traduzir-se na observância fiel dos mandamentos e preceitos da Aliança.
O texto termina com a indicação de que esta Lei deve ser transmitida aos filhos, meditada e recordada constantemente. Aliás, a aliança não se esgota no presente: é acolhida pelo testemunho dos antepassados (“o Deus dos teus pais”), para que possa ser vivida também pelos “filhos e os filhos de teus filhos”. A família é lugar da passagem de testemunho para que a aliança se renove de geração em geração.

3.      Tópicos para a meditação pessoal (o que me diz o texto?)
a)      «Como te prometeu o Senhor, Deus dos teus pais»
A fé é, sem dúvida, um caminho pessoal de acolhimento do dom de Deus, de resposta ao Deus que vem ao nosso encontro. Mas é também um dom transmitido de geração em geração, um dom que recebemos daqueles que nos precederam e nos deixaram o testemunho da sua vida e palavra, da sua oração e celebração, dos valores com que regeram as suas opções de vida… A fé é “minha”, assumida na liberdade pessoal, mas nunca isolada dos outros: é sempre “nossa”. É uma fé que herdámos, que recebemos no testemunho que chega até nós dos nossos pais na vida e na fé.
- Quem foram (e são) as pessoas mais importantes para a minha história de fé? Quem me “apresentou” Deus, me falou dele, me ensinou a rezar e a celebrar a fé? O que mais me tocou no seu testemunho de vida? Agradeço a Deus estas pessoas que colocou no meu caminho de fé? O seu testemunho ajuda-me a perceber como também posso ser importante para o caminho de fé de outros?
b)      «Escuta, Israel! O Senhor é nosso Deus; o Senhor é único! Amarás o Senhor, teu Deus, com todo o teu coração, com toda a tua alma e com todas as tuas forças.»
O caminho da fé, da confiança em Deus, parte da certeza de que Ele é o Amor que nos ama e quer a nossa salvação, ou seja, que na relação com Ele, a vida se torne cada vez mais bela, boa, feliz… Criada à imagem do Deus de Amor, a humanidade tem, na sua identidade original, a vocação ao amor. Por isso, Deus não podia deixar de nos convidar a amar, e a família é o lugar primeiro para viver e aprender o amor de uns aos outros e a Deus: “Os pais são para os filhos os primeiros responsáveis da educação e os primeiros iniciadores da fé. Têm o dever de amar e respeitar os filhos como pessoas e como filhos de Deus... Em particular, têm a missão de educá-los na fé cristã” (CIC 460).
- Procuro viver o mandamento do amor a Deus? De que forma? Sou uma testemunha do amor de Deus junto dos outros membros da família? Este amor transparece também na presença e ação da minha família na Igreja e na sociedade?
c)      «Estes mandamentos… repeti-los-ás aos teus filhos e reflectirás sobre eles»
A fé que acolhemos é também a que devemos transmitir. Outros foram importantes para nos ajudar a fazer o caminho de relação com Deus. Também nós, hoje, somos convidados a dar a conhecer a alegria e a beleza da fé às novas gerações. «A linguagem da fé aprende-se no lar doméstico, onde a fé cresce e se fortalece através do testemunho, da oração e da prática cristã. A experiência quotidiana diz-nos que educar na fé, hoje, não é empresa fácil. Toda a obra de educação se tornou cada vez mais árdua e precária. Mas os pais e os educadores não podem esquecer que são devedores aos filhos dos verdadeiros valores que dão fundamento e sentido à vida. Não podem ceder à tentação da desistência» (D. António Marto).
- A minha família procura ser uma “Igreja doméstica”, comunidade de fé, de graça e de oração, escola das virtudes humanas e cristãs, lugar do primeiro anúncio da fé aos filhos? Procuro aprofundar a minha fé para poder ajudar os outros membros da família na sua caminhada de fé? Como procuro educar os meus filhos na fé?
4.      Partilha da Palavra (do dom recebido, que posso oferecer aos outros?)
Cada pessoa, de forma espontânea e breve, poderá repetir uma palavra ou frase do texto bíblico que mais a tenha interpelado, dizer o motivo pelo qual a frase a tocou ou apresentar algo do que tenha meditado ou sentido.
5.      Oração (a partir da Palavra, que digo eu ao Senhor?)
Cada um pode fazer uma oração espontânea a partir da Palavra ou do testemunho, ou dizer juntos a oração para este ano pastoral (ver anexo A).

6.      Conclusão/ação (a que mudanças me convida o Senhor?)
Momento de silêncio para cada um formular um propósito pessoal e, se for o caso, propor um gesto ou iniciativa comunitária.
·         Compromisso
·         Cântico final (a escolher; proposta: Deus é amor)

Em casa: No seguimento do encontro de grupo, cada pessoa procurará dedicar algum tempo (15-20 minutos), num ou mais dias da semana, para retomar a meditação e contemplação da Palavra de Deus e nela encontrar a luz e a força de Deus para a sua vida no dia-a-dia.

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