Retiro online de Quaresma - uma proposta do bispo de Leiria-Fátima: Dom e missão da família: 2.º dia - «Não vos acomodeis a este mundo» - Família, fermento na sociedade


«Não vos acomodeis a este mundo»
Família, fermento na sociedade


Acolhimento e saudação aos participantes
1.      Invocação do Espírito Santo / Oração inicial
1.1. Cântico  (a escolher; proposta: Mandai, Senhor, o vosso Espírito)
1.2. Prece
Ficai connosco, Espírito Santo,
derramai a Vossa bênção no nosso coração.
Ensinai-nos o que fazer,
mostrai-nos o que pensar,
mostrai-nos como atuar.
Vós que amais a verdade acima de tudo,
não permitais que desorganizemos o que Vós organizastes.
Que a ignorância não nos conduza ao erro,
que os aplausos não nos iludam,
que o suborno e as falsas cortesias não nos corrompam.
Deixai-nos ficar em Vós
e não nos afastemos da verdade.
Ámen.
(Oração dos padres conciliares, 1962)

2.      Escuta e compreensão da Palavra
2.1.Leitura da Carta de S. Paulo aos Romanos (12, 2.15-18.21)
«Irmãos, 2Não vos acomodeis a este mundo.
Pelo contrário, deixai-vos transformar,
adquirindo uma nova mentalidade,
para poderdes discernir qual é a vontade de Deus:
o que é bom, o que lhe é agradável, o que é perfeito.
15Alegrai-vos com os que se alegram, chorai com os que choram.
16Preocupai-vos em andar de acordo uns com os outros;
não vos preocupeis com as grandezas,
mas entregai-vos ao que é humilde;
não vos julgueis sábios por vós próprios.
17Não pagueis a ninguém o mal com o mal;
interessai-vos pelo que é bom diante de todos os homens.
18Tanto quanto for possível e de vós dependa,
vivei em paz com todos os homens.
21Não te deixes vencer pelo mal, mas vence o mal com o bem.»
Palavra do Senhor.
2.2.Leitura pessoal (voltar a ler, em silêncio: o que diz o texto?)
2.3.Notas para a compreensão do texto
Paulo é conhecido como o “Apóstolo dos gentios”, por se ter dedicado especialmente à evangelização dos povos que viviam longe da cultura judaica (pagãos). A tarefa de Paulo era particularmente difícil: entrar numa cultura desconhecida, cuja maneira de viver, os valores e as referências religiosas eram tão distintas da cultura judaica. No entanto, Paulo tomou essa responsabilidade como a sua grande missão, conseguindo fazer com que o Evangelho de Cristo chegasse onde parecia que não tinha lugar.
Na primeira parte da Carta aos Romanos (cap. 1-11), Paulo faz uma síntese da mensagem do Evangelho da salvação, trazida por Jesus Cristo para todos os homens e mulheres, quer sejam judeus ou pagãos.
Na segunda parte (cap. 12-16), Paulo pede aos Cristãos que não se fechem no seu grupo, mas que se relacionem com os pagãos, propondo aí uma nova forma de vida, cultivando uma comunhão de amor cada vez maior com Cristo e com os irmãos.
O excerto proposto para a nossa oração, inclui-se nesta segunda parte, onde Paulo exorta a comunidade cristã de Roma a ter uma vida de acordo com o Evangelho; a construir uma comunidade onde cada um se ofereça a si mesmo como membro do corpo que é a Igreja de Jesus Cristo. Uma comunidade cristã assim unida será um sinal de Deus no meio de um mundo adverso.
Uma família cristã é também uma comunidade cristã: é Igreja doméstica. Uma família que esteja unida para formar um corpo que seja de Cristo é sempre um sinal de Deus no meio do mundo, no meio de uma cultura que se esquece de Deus.
3.      Tópicos para a meditação pessoal (o que me diz o texto?)
a)      «Não vos acomodeis a este mundo. Pelo contrário, deixai-vos transformar, adquirindo uma nova mentalidade»
Nós transformamo-nos, renovando a nossa mentalidade, intuindo o que é correto, o que é bom e o que é mau, o que é verdadeiro e o que é falso, o que liberta e o que aprisiona, o que concorda e o que discorda com o plano amoroso de Deus para a humanidade. Se todas as famílias cristãs, como Corpo de Cristo, conseguissem discernir com clareza os caminhos de Deus, o mundo seria bem diferente. Se as famílias da nossa paróquia ou da nossa rua se deixassem transformar pelo Evangelho de Cristo, a nossa comunidade seria bem diferente.
- A pressão da cultura dominante é enorme, contrariando os valores da fé. Preocupo-me mais com o que os outros pensam de mim, ou tenho coragem de afirmar os valores do Evangelho, mesmo contra a corrente dominante? Tenho coragem para ser diferente? Procuro cultivar este esforço na minha família, através da nossa maneira de viver? Que valores recebi da minha família e hoje me ajudam a viver em sociedade?
b)      «Alegrai-vos com os que se alegram, chorai com os que choram.»
Uma família cristã que participa ativamente nos momentos e nas manifestações de festa e de alegria da comunidade cristã, dos seus familiares, dos seus vizinhos e amigos, é um sinal da alegria de Deus. Uma família que partilha, acompanha e se aproxima do sofrimento dos outros é um sinal da esperança Cristã e da consolação da fé.
- Como reajo, quando sei que alguém precisa de ajuda? Conversamos e partilhamos em família as alegrias e sobre as dificuldades pelas quais ela vai passando, sobretudo com os filhos?
c)      «Preocupai-vos em andar de acordo uns com os outros»
Uma família onde há entendimento, onde as diferenças são uma oportunidade para crescer, com humildade e diálogo, é um sinal da paz de Deus para o mundo.
- Procuro que as diferenças e os desentendimentos na minha família se resolvam de imediato, ou deixo passar o tempo, acumulando-se a angústia e os mal-entendidos? Constumo ser eu a tomar a iniciativa para procurar o entendimento?
d)      «Não vos preocupeis com as grandezas, mas entregai-vos ao que é humilde»
Uma família que sabe lidar com os seus bens com sobriedade é para o mundo sinal da generosidade de Deus. Uma família que acolhe dentro de sua casa tanto o rico como o pobre é para o mundo um sinal da bondade de Deus.
- Quando tenho de comprar alguma coisa para mim ou para casa, quais os critérios que uso: a utilidade e a moderação ou a grandeza e o luxo? Tenho preocupações com a ecologia e com a poupança de energia em casa?
e)      «Não pagueis a ninguém o mal com o mal... Tanto quanto for possível e de vós dependa, vivei em paz com todos os homens. Não te deixes vencer pelo mal, mas vence o mal com o bem.»
Uma família cristã onde impera a capacidade de perdoar em vez do ressentimento ou da vingança é para o mundo um sinal do perdão e do amor misericordioso de Deus. Uma família, capaz de ter uma perspectiva positiva e construtiva da vida, em que o divórcio é visto como um mal que não é a solução para outros males, é para o mundo a prova de que, à luz da fé, não há caminhos sem saída.
- Ensino os meus filhos a pedir “desculpa”? Dou o exemplo, fazendo o mesmo? Estou de relações cortadas com alguém? Promovo na minha família o Matrimónio para toda a vida? Confio no Senhor e na esperança de que as dificuldades têm sempre solução?
As famílias cristãs que confrontam o mundo e a sociedade com uma maneira de viver orientada por estes valores, são verdadeiras famílias-missionárias, fermento numa sociedade com famílias que serão assim cada vez mais belas e cada vez mais felizes.

4.      Partilha da Palavra (do dom recebido, que posso oferecer aos outros?)
Cada pessoa, de forma espontânea e breve, poderá repetir uma palavra ou frase do texto bíblico que mais a tenha interpelado, dizer o motivo pelo qual a frase a tocou ou apresentar algo do que tenha meditado ou sentido.
5.      Oração (a partir da Palavra, que digo eu ao Senhor?)
Cada um pode fazer uma oração espontânea a partir da Palavra ou do testemunho, ou dizer juntos a oração para este ano pastoral (ver anexo A).

6.      Conclusão/ação (a que mudanças me convida o Senhor?)
Momento de silêncio para cada um formular um propósito pessoal e, se for o caso, propor um gesto ou iniciativa comunitária.
·         Compromisso
·         Cântico final (a escolher; proposta: Ide e ensinai)

Em casa: No seguimento do encontro de grupo, cada pessoa procurará dedicar algum tempo (15-20 minutos), num ou mais dias da semana, para retomar a meditação e contemplação da Palavra de Deus e nela encontrar a luz e a força de Deus para a sua vida no dia-a-dia. Sugerimos também que a família veja em conjunto o filme “Casomai”.

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