Retiro online de Quaresma - uma proposta do bispo de Leiria-Fátima: Dom e missão da família: 3.º dia - «Procure cada um de nós agradar ao próximo no bem» - Família, primeira Igreja


«Procure cada um de nós agradar ao próximo no bem»
Família, primeira Igreja

Acolhimento e saudação aos participantes
1.      Invocação do Espírito Santo / Oração inicial
1.1.            Cântico (a escolher; proposta: Nós somos o povo do Senhor)
1.2.            Prece
Senhor Deus, comunhão eterna de Amor,
fazei que convocados pela Vossa Palavra
a possamos acolher, com alegria, na nossa vida
e nos deixemos transformar por ela,
para que as nossas famílias se tornem verdadeiras
Igrejas domésticas, geradoras de paz e amor.
Ámen.
2.      Escuta e compreensão da Palavra
2.1.            Leitura da Carta de S. Paulo aos Romanos (15, 1-6)
1Nós, os fortes, temos o dever
de carregar com as fraquezas dos que são débeis
e não procurar aquilo que nos agrada.
2Procure cada um de nós agradar ao próximo no bem,
em ordem à construção da comunidade.
3 Pois também Cristo não procurou o que lhe agradava;
ao contrário, como está escrito,
os insultos daqueles que te insultavam caíram sobre mim.
4E a verdade é que tudo o que foi escrito no passado
foi escrito para nossa instrução, a fim de que,
pela paciência e pela consolação que nos dão as Escrituras,
tenhamos esperança.
5Que o Deus da paciência e da consolação
vos conceda toda a união nos mesmos sentimentos,
uns com os outros, segundo a vontade de Cristo Jesus,
6para que, numa só voz,
glorifiqueis a Deus, Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo.»
Palavra do Senhor
2.2.            Leitura pessoal (voltar a ler, em silêncio: o que diz o texto?)
2.3.            Notas para a compreensão do texto
A Carta de S. Paulo aos Romanos é uma das treze que constituem o chamado Corpus Paulino. Escrita, em Corinto, durante o inverno de 55-56, é uma excepção à maioria das cartas paulinas que habitualmente tratam exclusivamente assuntos iminentemente práticos. Nesta, Paulo apresenta demoradamente o Evangelho que prega, uma reflexão mais teológica. Sendo um convertido a Cristo, olha para as observâncias judaicas com alguma liberdade, nomeadamente sobre a eleição exclusiva de Israel como  Povo de Deus e o cumprimento escrupuloso da Lei para atingir a salvação.
Depois da evangelização da parte oriental do império romano, S. Paulo escreve aos cristãos de Roma, como forma de preparar a sua visita. Sabe que existem divisões entre os cristãos desta cidade precisamente por causa das exigências que os vindos do judaísmo fazem aos pagãos convertidos à fé cristã. Entrega à Igreja de Jerusalém a colecta recolhida nas comunidades por ele fundadas também como forma daquela as reconhecer. Trabalhando pela unidade da Igreja, Paulo procura reconciliar uns e outros numa só comunidade, ultrapassando assim os conflitos que levaram o imperador Cláudio, em 49, a expulsá-los da cidade. Considerado o apóstolo dos gentios, Paulo aproveita o título para pedir à maioria dos cristãos de Roma, vindos do paganismo (os fortes), que acolham com caridade os cristãos agarrados ainda às tradições judaicas (considerados os fracos).
Neste excerto da Carta, o Apóstolo recomenda aos fortes que sejam compreensivos e ajudem os mais fracos e não procurem o que lhes agrada. A construção da comunidade cristã exige sacrifício e não se faz de um momento para o outro. O modelo apresentado por Paulo é o próprio Cristo, que não procurou o que lhe agradava. Não é com a acusação de uns e o desprezo dos outros que a comunidade cristã se constrói. Assim é também em família. A mudança de hábitos e de mentalidades, os ritmos diferentes de vida podem levar a divisões entre pais e filhos, a choques entre gerações e a dificuldades entre os irmãos ou com outros membros da família. S. Paulo propõe que através da paciência e da consolação obtidas nas Escrituras, procuremos atingir a esperança da união.
3.      Tópicos para a meditação pessoal (o que me diz o texto?)
a)      «Nós os fortes, temos o dever de carregar com as fraquezas dos que são débeis e não procurar aquilo que nos agrada».
A Igreja e a família não são um clube de amigos, de pessoas que se escolhem e caminham a um único ritmo, sensibilidade e até num só pensar. Por isso, o critério da unidade da Igreja e da família nunca será a simpatia, a amizade pessoal ou a conveniência, mas sim a Palavra de Deus que nos convoca e faz de judeus e gregos um só povo, em Cristo Jesus. É a caridade que torna capaz de compreender as fraquezas do irmão e levá-lo aos ombros, como faz o Bom Pastor. É o perdão que, motivado pelo amor, é capaz de ver que é mais aquilo que nos une do que aquilo que nos separa.
- Na Igreja e na família como aceito as fraquezas do irmão? Diante das dificuldades concretas, deixo-me guiar por soluções imediatas e mais agradáveis, ou faço o esforço por compreender as razões do outro? Ter razão é para mim um valor absoluto, mais importante que manter a unidade? Sou capaz de fazer sacrifícios de boa vontade pela minha família e pela Igreja, ou considero que elas devem estar ao serviço das minhas necessidades?
b)      «Pois também Cristo não procurou o que lhe agradava»
A coerência é fundamental para um testemunho de vida cristã credível. Paulo apresenta o exemplo de Cristo como fonte e raiz do nosso agir. Ele não procurou o que lhe agradava, mas fez da Sua vida uma dádiva em favor dos irmãos, até ao dom de si na cruz. “Se o mundo não crê, deve-se, em parte, ao facto de que o nosso testemunho não é tão forte, convicto e alegre como devia ser. Não basta uma repetição cansada de fórmulas e tradições do passado. É o estilo de vida que faz a diferença sobre o sentido da existência, o valor e o respeito da pessoa e da vida humana, o verdadeiro matrimónio entre um homem e uma mulher, a família, a busca da Verdade e o viver nela, o empenho na transformação do mundo, sobre a morte e sobre a vida para além da morte…” (D. António Marto, Nota Pastoral O tesouro da fé dom para todos).
- Encontro em Cristo a fonte inspiradora para o meu agir de cada dia? Nas opções de vida, deixo-me levar pelo senso comum, pela opinião dos outros, pela tendência da moda, ou sou capaz de fazer escolhas contra a corrente? Encaro as contrariedades quotidianas como uma oportunidade para crescer na fé, esperança e caridade, ou vejo-as como intransponíveis ou, pior, como castigo de Deus pelas minhas infidelidades?
c)      «Que o Deus da paciência e da consolação vos conceda toda a união nos mesmos sentimentos»
A experiência de ser família e de ser Igreja vai-nos dizendo que não há caminhos rectos, curtos e fáceis. Elas vão-se construindo com avanços e recuos, com tensões e perdão, com passos decididos e, outras vezes, com muitas dúvidas e hesitações. É pela fé e pela esperança que caminhamos. Não há comunidades familiares e eclesiais perfeitas, acabadas. Mas em cada dia caminhamos, tendo diante de nós o exemplo da perfeição de Deus como modelo inspirador. Neste devir, cultivar a paciência e procurar a consolação de Deus são atitudes fundamentais para viver na esperança.
- Sou uma pessoa paciente ou exaspero-me com facilidade? Cultivo a esperança em Deus que nos conforta, ou conto apenas com as minhas forças? Disponho-me a fazer caminho com o irmão, sofrendo por ele e com ele, ou penso apenas em mim? Cultivo no coração o dom da unidade na família e na Igreja, ou sou uma pessoa dada a discórdias e a divisões?
4.      Partilha da Palavra (do dom recebido, que posso oferecer aos outros?)
Cada pessoa, de forma espontânea e breve, poderá repetir uma palavra ou frase do texto bíblico que mais a tenha interpelado, dizer o motivo pelo qual a frase a tocou ou apresentar algo do que tenha meditado ou sentido.
5.      Oração (a partir da Palavra, que digo eu ao Senhor?)
A partir da Palavra escutada e meditada, cada um poderá partilhar a sua oração espontaneamente ou, em conjunto, dizer juntos a oração do biénio pastoral (ver anexo A).
6.      Conclusão/ação (a que mudanças me convida o Senhor?)
Momento de silêncio para cada um formular um propósito pessoal e, se for o caso, propor um gesto ou iniciativa comunitária.
·         Compromisso
·         Cântico final (a escolher; proposta: Todos unidos formamos um só povo)
Em casa: No seguimento do encontro de grupo, cada pessoa procurará dedicar algum tempo (15-20 minutos), num ou mais dias da semana, para retomar a meditação e contemplação da Palavra de Deus e nela encontrar a luz e a força de Deus para a sua vida no dia-a-dia.  

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