Retiro online de Quaresma - Dom e missão da família - uma proposta do bispo de Leiria-Fátima (Apresentação)



APRESENTAÇÃO

Caros
Irmãos e Irmãs em Cristo:
Um “retiro espiritual” ao ritmo da vida
Como nos anos passados, convido novamente todos os fiéis e em especial as famílias a fazerem o seu “retiro espiritual” com a ajuda dos textos e temas que aqui oferecemos. Trata-se de, em grupo, entregar-se durante algum tempo à leitura orante da palavra de Deus, e repetir tal exercício pessoalmente pelo menos uma vez por semana, ao longo de toda a Quaresma. Através da sua Palavra, Deus ilumina-nos sobre o dom precioso da família e da sua missão e responsabilidade públicas, a nível social e eclesial.  E mais, dá-nos a necessária graça para a cumprir frutuosamente.
Entrego-vos com alegria este instrumento para o retiro popular quaresmal em ordem a viver o “dom e missão da família”. Foi preparado por uma equipa de colaboradores, incluindo dois casais, a quem agradeço este serviço à Igreja diocesana.
Bom retiro a todos, sob o fogo do amor de Deus que torna a família “alma do mundo” realizando a sua missão como primeira escola de humanidade e humanização.
Leiria, 11 de janeiro de 2015, festa litúrgica do Batismo do Senhor
+ António Marto
Bispo de Leiria-Fátima

ORIENTAÇÕES GERAIS

1. “Dom e missão da família”
A leitura orante da palavra de Deus em grupo pode levar-nos a uma experiência semelhante à dos dois discípulos que escutaram Jesus no caminho para Emaús. Já em casa, após a refeição, quando Jesus partiu o pão, reconheceram estar na presença d’Ele vivo, ressuscitado. Então, comentaram um para o outro: «Não nos ardia o coração, quando Ele nos falava pelo caminho e nos explicava as Escrituras?» (Lc 24, 32). A palavra de Deus gera ardor no coração, entusiasmo na vivência da fé e comunhão fraterna entre aqueles que partilham entre si os dons espirituais que por ela recebem.
Os seis temas oferecem-nos um itinerário por diversas dimensões da missão da família. Começamos pelo serviço à transmissão da vida e educação dos filhos:  “berço de vida e fecundidade” (1).  Continua com a tomada de consciência de que a comunidade familiar prepara os seus membros para a vida no mundo, ela é fermento de sociedade” (2). Mas também constitui um espaço de vivência eclesial em cada casa como “primeira Igreja” (3). O tema seguinte permite-nos aprofundar a missão de transmissão e educação na fé:, pois o ambiente familiar é espaço de partilha da fé” (4). O penúltimo tema leva-nos a meditar na “família, escola de valores” (5). Ainda sob a imagem da escola, o último encontro, em estilo celebrativo trabalha o tema da escola de amor e serviço” (6), a partir do exemplo e do ensinamento de Jesus aos discípulos.
2. A quem é proposto o retiro?
Aos fiéis cristãos, de qualquer idade, que participam na vida da Igreja.
Às famílias e ao povo de Deus em larga escala, mesmo aos que pouco frequentam as igrejas.
Às pessoas que manifestam sede de espiritualidade e desejam encontrar na palavra de Deus ajuda para iluminar e ajudar a vivência da relação e amor na própria família.
3. Quem o organiza e como o há de fazer?
Qualquer pessoa (sacerdote, líder de comunidade, dirigente de movimento ou associação, animador de grupo, pessoa ou casal) pode promover o retiro popular,  segundo uma destas modalidades:
-          em família ou grupo de famílias vizinhas;
-          nos grupos já existentes (coro, catequistas, ministros da comunhão...) ou constituídos com base em alguma afinidade (pais de crianças da catequese, pessoas convidadas, colegas de trabalho...);
-          em grupos reunidos nos lugares de culto da paróquia.
Nas paróquias com vários grupos, é bom haver um ou dois encontros de todos em assembleia, para se conhecerem, viverem juntos um momento de oração e comunhão, conviverem e partilharem as experiências.
A proposta aqui apresentada está feita a pensar no grupo. O último tema vai em forma de celebração. Se for trabalhado no grupo como os anteriores, então convém seguir o mesmo ritmo e método deles. Na celebração, é preciso ver se é possível e como fazer a partilha.
4. Com a Palavra de Deus que nos fala
Este retiro faz-se com base na Palavra de Deus, assumindo “a forma de leitura familiar e orante (a chamada “Lectio divina”), que nos põe à escuta de Deus e nos faz sentir que a Sua Palavra não é longínqua nem impessoal, mas fala hoje, pessoalmente, ao coração de cada um” (D. António Marto).
O método da leitura orante em grupo desenrola-se nos passos seguintes:
1) Invocação do Espírito Santo
Para iniciar, canta-se um cântico e/ou fazem juntos uma prece proposta.
2) Leitura e compreensão da Palavra
Em ambiente de silêncio, alguém lê o texto bíblico em voz alta. Depois, dá-se um ou dois minutos, para que cada um volte a lê-lo para si.
Em seguida, seguindo as notas do guião, o animador faz uma breve introdução ao texto para melhor se entender (no máximo 5 minutos). O objectivo não é o estudo, a pregação ou expor a própria reflexão, mas simplesmente ajudar a compreender o que se leu.
3) Meditação pessoal em silêncio
Cada participante retoma o texto, realizando o que é próprio da meditação: coloca-se como ouvinte, perguntando-se: O que me diz a mim esta Palavra? Qual a mensagem que Deus hoje me quer transmitir com ela para a minha vida? Como é que posso ser interpelado e iluminado pelas personagens, pelas ações, pelos gestos, pelas palavras, pelo diálogo do texto? Isto pode durar mais ou menos 15 minutos, conforme o grupo e a capacidade dos membros para aprofundar. Se for conveniente e ajudar, pode pôr-se música de fundo, instrumental e suave, de modo a favorecer a interiorização.
4) Partilha da Palavra
É o elemento característico da leitura orante em grupo: passa-se do momento pessoal ao comunitário mediante a partilha, num ambiente de conversa espiritual, onde cada um pode manifestar o mais significativo da sua meditação, mostrando como a Palavra toca, queima, transforma, consola, converte, etc. Não se trata de discussão ou confronto, mas enriquecimento mútuo, partilha da riqueza da Palavra pessoalmente experimentada, e maravilhar-se pelo que ela realiza nos outros. Pode até consistir simplesmente na leitura de uma frase mais significativa, acompanhada talvez de breve explicação.
Aqui a intervenção do animador limita-se a procurar que todos possam partilhar, que se mantenha o ambiente próprio do momento, e a esclarecer alguma questão que eventualmente se levante e que possa conduzir a engano.
5) Oração
O que foi partilhado é de novo apresentado ao Senhor em forma de oração. Pode ser proposto algum tipo de oração litânica na linha do texto bíblico meditado, reutilizando o seu próprio vocabulário. Também pode haver espaço para a oração espontânea, um salmo ou um cântico.
6) Conclusão/propósito de ação
Se for possível, tendo em conta o que foi partilhado, tenta-se formular um propósito concreto do grupo. É bom também que, num momento de silêncio, cada pessoa possa formular o seu propósito pessoal.
Como conclusão, canta-se um cântico.

Elaboração dos textos, revisão e seleção de cânticos:

D. António Marto, Ana e Nuno Prazeres, André Batista, Isabel Talefe e Miguel Lopes, Jorge Guarda, José Henrique Pedrosa, Pedro Viva, Sérgio Henriques.

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