Retiro online de Quaresma - uma proposta do bispo de Leiria-Fátima: Dom e missão da família: 5.º dia - «Subiu ao monte e começou a ensiná-los» - Família, escola de valores
«Subiu ao monte e começou a ensiná-los»
Família, escola de valores
Acolhimento
e saudação aos participantes
1.
Invocação ao Espírito Santo / Oração inicial
1.1. Cântico (a escolher; proposta: Espírito Santo, sopro de Vida)
1.2. Prece
Espírito
Santo, sopro de vida,
inspira
em nós a tua sabedoria,
para
acolhermos no nosso coração o projeto que Deus tem para nós.
Espírito
Santo, sopro de amor,
inspira
em nós a tua fortaleza,
para
acolhermos nas nossas famílias
as
bem-aventuranças que Jesus nos propõe.
Ámen
2. Escuta
e compreensão da Palavra
2.1. Leitura do Evangelho de São Mateus (5,
1-12)
1Naquele
tempo, ao ver as multidões,
Jesus
subiu ao monte e sentou-se.
2Rodearam-n’O
os discípulos,
e
Ele começou a ensiná-los, dizendo:
3Bem-aventurados
os pobres em espírito,
porque
deles é o Reino do Céu.
4Bem-aventurados
os humildes,
porque
possuirão a terra.
5Bem-aventurados
os que choram,
porque
serão consolados.
6Bem-aventurados
os que têm fome e sede de justiça,
porque
serão saciados.
7Bem-aventurados
os misericordiosos,
porque
alcançarão misericórdia.
8Bem-aventurados
os puros de coração,
porque
verão a Deus.
9Bem-aventurados
os que promovem a paz,
porque
serão chamados filhos de Deus.
10Bem-aventurados
os que sofrem perseguição por causa da justiça,
porque
deles é o Reino dos Céus.
11Bem-aventurados
sereis, quando, por minha causa,
vos
insultarem, vos perseguirem e, mentindo,
disserem
todo o mal contra vós.
12Alegrai-vos
e exultai,
porque
é grande nos céus a vossa recompensa.
Palavra
da salvação.
2.2.
Leitura pessoal (voltar a ler, em
silêncio: o que diz o texto?)
2.3.
Notas para a compreensão do texto
O
Evangelho de São Mateus apresenta cinco grandes discursos de Jesus, sendo o
Sermão da Montanha o mais conhecido entre eles. Este discurso constitui a
“Carta Magna” ou a “Constituição” fundamental do Reino de Deus. É um mapa para
a nossa vida cristã, um guia dos nossos deveres para com Deus e para com os
irmãos.
Nesta
pequena narrativa, podemos identificar três lugares ocupados por diferentes
pessoas: No primeiro lugar está Jesus, que ocupa o sítio mais importante, simbolizado
pelo monte. Como Moisés na montanha, Jesus vai dar a sua lei ao povo que
habitará o seu Reino, onde existem normas que distinguem os seus cidadãos de
todos os outros. Para entrarmos no Reino dos Céus é necessário aceitar estas
normas para a nossa vida. Porém, as Bem-aventuranças são mais do que leis que
temos de cumprir, são uma nova maneira de ser e de agir, um novo modo de
entender a vida como discípulos de Jesus. No segundo plano está a multidão a
quem vão ser enviados os discípulos. A multidão é sinal de universalidade,
representa o mundo inteiro, lugar de missão. No terceiro plano estão os
discípulos, que são ouvintes privilegiados da Palavra, para serem depois
testemunhas vivas do amor de Deus entre os homens. É este o lugar que nós,
cristãos, ocupamos.
Jesus sabe que a sua missão passa pela
educação para os valores que no seu tempo, tal como hoje, são contra corrente.
Ele apresenta-nos um projeto de vida inquietante e exigente, mas que nos conduz
à verdadeira felicidade, que não se baseia em aparências ou prazeres efémeros,
mas numa autêntica entrega ao amor total, o único que pode preencher os
corações humanos e dar resposta às nossas esperanças.
3. Tópicos para a meditação pessoal (o que me diz o texto?)
a) “Bem-aventurados os pobres, os humildes,
os que choram”
As
três primeiras Bem-aventuranças falam-nos do primeiro passo para a felicidade,
o ser livre. Ser livre, antes de mais nada, das escravidões interiores. Ter
espírito de pobreza é não ser escravo do dinheiro ou dos bens materiais. Na
pobreza, só há uma lei: a da partilha. Ter espírito de humildade é não ser
escravo da vaidade e do orgulho. É ter consciência da nossa pequenez e ter
compaixão pelos outros. Ter espírito de sofrimento é não ser escravo do prazer.
É aceitar que na vida há dificuldades. O sofrimento abre o nosso coração e
torna-o mais sensível às necessidades dos outros.
- Há
em mim espírito de pobreza? A minha família leva uma vida sóbria, evitando o
excesso de consumo e desperdício? Procuro ser humilde, recusando a vaidade e o
orgulho? Sou compassivo com as limitações dos outros, em particular com os
membros da minha família? Sou capaz de abdicar dos meus gostos, mesmo que isso
me custe? Educo os meus filhos para o valor do esforço e sacrifício,
preparando-os para a entrega e para o serviço?
b) “Bem-aventurados os que têm fome e sede
de justiça, os misericordiosos, os puros de coração”
Estas
Bem-aventuranças convidam-nos a viver na justiça, no amor e na verdade. A
procura de justiça leva-nos a uma entrega generosa aos irmãos, procurando uma
justa distribuição das riquezas. Mas o cristão ultrapassa os limites da justiça
para se perder na caridade. A nossa conduta não se baseia apenas no cumprimento
de leis, mas numa vontade firme de praticar o bem, numa opção preferencial pelos
pobres. Um coração limpo é aquele que não se divide entre o bem e o mal, mas,
iluminado e fortalecido pelo Espírito, escolhe sempre o bem, numa procura
sincera da verdade.
- Participo
com a minha família em ações de caridade e promoção dos direitos humanos? Levo-a
a visitar doentes, idosos, quem vivem na solidão? Somos consoladores uns dos
outros na família e também dos nossos vizinhos, dos colegas de trabalho?
Procuro dizer sempre a verdade e cultivar entre todos uma relação autêntica,
para que o bem possa prevalecer?
c)
“Bem-aventurados
os que promovem a paz e os que sofrem perseguição por causa da justiça”
Viver
em paz é o desejo de todo o homem e o fim para o qual Deus nos criou. A paz é
um dom e ao mesmo tempo uma tarefa. Comprometer-se com a paz é apaziguar os
conflitos, mas também impedir que eles surjam. É preciso semear a paz em nós e
no nosso ambiente. Jesus precisa de homens e mulheres corajosos, capazes de
praticar a justiça, mas também de defendê-la e sofrer por ela. O discípulo que
sofre pela justiça combate as injustiças onde as encontra e dedica-se a reparar
o mal cometido pelos outros. Neste sentido, os perseguidos são privilegiados e
transbordam de alegria, pois participam da ação salvífica de Jesus.
- Promovo
a paz, evitando vinganças pessoais, invejas e discórdias que geram divisões e
conflitos? Educo os meus filhos no respeito pelo próximo e na recusa da
violência? Rezo e sou solidário com aqueles que são mais perseguidos e
humilhados por causa da sua fé em Jesus Cristo? Denuncio as injustiças, mesmo
que isso me traga dissabores e ameaças?
4. Partilha da Palavra (do dom recebido, que posso oferecer
aos outros?)
Cada pessoa, de forma espontânea e breve, poderá
repetir uma palavra ou frase do texto bíblico que mais a tenha interpelado,
dizer o motivo pelo qual a frase a tocou ou apresentar algo do que tenha
meditado ou sentido.
5. Oração (a partir da Palavra, que digo eu ao
Senhor?)
Cada
um pode fazer uma oração espontânea a partir da Palavra ou do testemunho, ou
dizer juntos a oração para este ano pastoral (ver anexo A).
6. Conclusão / ação (a que mudanças me convida o Senhor?)
Momento
de silêncio para cada um formular um propósito pessoal e, se for o caso, propor
um gesto ou iniciativa comunitária.
- Compromisso
- Cântico final (a
escolher; proposta: É preciso renascer)
Em casa: No seguimento do encontro de grupo,
cada pessoa procurará dedicar algum tempo (15-20 minutos), num ou mais dias da
semana, para retomar a meditação e contemplação da Palavra de Deus e nela
encontrar a luz e a força de Deus para a sua vida no dia-a-dia.
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