Retiro online de Quaresma - uma proposta do bispo de Leiria-Fátima: Dom e missão da família: 6.º dia - “... Como Eu fiz, vós façais também” - Família, escola de amor e de serviço
“... Como
Eu fiz, vós façais também”
Família,
escola de amor e de serviço
Celebração
Notas:
1. Esta celebração foi pensada para um
grupo, mas pode ser adaptada para uma assembleia que congregue os vários grupos
da comunidade paroquial.
2. O local do encontro deve ser propício
a um ambiente de celebração; convém dispor alguns elementos que favoreçam a
oração: colocar em lugar de destaque a Bíblia como palavra de Deus, uma vela
acesa, uma cruz...
3. O acolhimento dos participantes poderá
ser feito com música ambiente.
4. O gesto simbólico a fazer, como se
refere adiante, deve ser escolhido pelo grupo para ser mais sentido e
significativo.
5. Os elementos do grupo devem dispor-se
de forma descontraída, a fim de se sentirem à vontade, mas conscientes que que
se trata de um encontro diferente dos anteriores.
Acolhimento e
saudação entre os participantes. Indicações necessárias para a celebração
1. Ritos iniciais
Cântico: Quanta paz e quanto bem... (Laudate 695)
Presidente/animador: Em
nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo ...
Todos:
Ámen
Presidente/animador: A
paz e o amor de Jesus Cristo estejam convosco!
Todos:
Bendito seja Deus que nos reuniu no amor de Cristo!
Presidente/animador: Hoje
concluímos a caminhada espiritual do retiro popular. Ao longo destas semanas,
refletimos, rezámos, partilhámos e revimos as nossas vidas à luz da Palavra de
Deus. Chegados a este momento, damos graças a Deus por tudo o que vivemos e
dispomo-nos a aceitar os desafios e compromissos para a vida despertados nestes
nossos encontros.
Silêncio
para avivar e acolher os desafios e compromissos para a família
2.
Ladainha da Sagrada Família
Presidente/animador:
Olhando para a Sagrada Família como modelo e confiantes na sua intercessão, invoquemo-la
em forma de ladainha.
(o
presidente invoca e o grupo responde)
Jesus,
salvador do mundo, Tende piedade de nós.
Jesus,
filho de Maria e nosso irmão, Tende
piedade de nós.
Jesus,
tesouro e ternura da Sagrada Família, Tende
piedade de nós.
Santa
Maria, rainha dos céus, Rogai por nós
Santa
Maria, mãe de Jesus e mãe nossa, Rogai
por nós
Santa
Maria, ornamento e alegria da Sagrada Família, Rogai por nós
São
José, pai adotivo de Jesus, Rogai por nós
São
José, casto esposo de Maria, Rogai por
nós
São
José, guia e amparo da Sagrada Família, Rogai
por nós.
Sagrada
Família, que tomamos por modelo, Rogai
por nós
Sagrada
Família, predileta do Pai celestial, Rogai
por nós
Sagrada
Família, conduzida pelo Espírito Santo, Rogai
por nós
Sagrada
Família, santificada pela presença do Filho de Deus, Rogai por nós
Sagrada
Família, santuário de todas as virtudes, Rogai
por nós
Sagrada
Família, santuário da Divina Trindade, Rogai
por nós
Sagrada
Família, tabernáculo precioso de Deus vivo, Rogai
por nós
Sagrada
Família, modelo de paciência
e resignação, Rogai por nós
Sagrada
Família, conforto nas tribulações, Rogai
por nós
Sagrada
Família, venerada pelos pastores, Rogai
por nós
Sagrada
Família, honrada pelos Magos, Rogai por
nós
Sede
nosso refúgio contra os males que nos cercam, e ouvi a nossa prece
Sede
nossa força nos combates e provas, e ouvi a nossa prece
Sede
nossa esperança nesta vida e consolo na hora da morte, e ouvi a nossa prece
Sede
eficaz protetora dos que Vos invocam com verdadeira confiança, e
ouvi a nossa prece
Sede
sempre sustento dos débeis e ajuda dos imperfeitos, e ouvi a nossa prece
Sede
sempre protetora da nossa família e de toda a sociedade, e ouvi a nossa prece
Sede
sempre espelho dos cristãos e modelo dos justos, e ouvi a nossa prece
Sede
sempre consoladora dos aflitos e refúgio de vossos devotos, e ouvi
a nossa prece
Sede
sempre apoio e defesa dos que se consagram ao vosso serviço, e
ouvi a nossa prece
Sagrada
Família, glória a vós em todos os séculos.
Reinai
para sempre em todos os corações.
Todos:
Senhor
nosso Deus e Pai,
enviai
sobre nós o vosso Espírito,
a fim
de que escutando e compreendendo a vossa palavra,
vivamos
o amor fraterno e o serviço mútuo da caridade.
Por
Cristo Senhor nosso. Ámen
3. Escuta
e compreensão da Palavra
3.1.
Presidente/animador:
Evangelho
de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São João (13,1-7)
Antes
da festa da Páscoa, sabendo Jesus que chegara a sua hora
de
passar deste mundo para o Pai,
Ele,
que amara os seus que estavam no mundo, amou-os até ao fim.
No
decorrer da ceia, tendo já o Demónio metido no coração
de Judas
Iscariotes, filho de Simão, a ideia de O entregar,
Jesus,
sabendo que o Pai Lhe tinha dado toda a autoridade,
sabendo
que saíra de Deus e para Deus voltava,
levantou-Se
da mesa, tirou o manto
e
tomou uma toalha, que pôs à cintura.
Depois,
deitou água numa bacia
e
começou a lavar os pés aos discípulos
e a
enxugá-los com a toalha que pusera à cintura.
Quando
chegou a Simão Pedro, este disse-Lhe:
«Senhor, Tu vais lavar-me os pés?».
Jesus respondeu:
«O que estou a fazer, não o podes entender
agora,
mas
compreendê-lo-ás mais tarde».
Pedro
insistiu:
«Nunca consentirei que me laves os pés».
Jesus respondeu-lhe:
«Se não tos lavar, não terás parte comigo».
Simão
Pedro replicou:
«Senhor, então não somente os pés,
mas
também as mãos e a cabeça».
Jesus respondeu-lhe:
«Aquele que já tomou banho está limpo
e não
precisa de lavar senão os pés.
Vós
estais limpos, mas não todos».
Jesus
bem sabia quem O havia de entregar.
Foi
por isso que acrescentou: «Nem
todos estais limpos».
Depois
de lhes lavar os pés, Jesus tomou o manto e pôs-Se de novo à mesa.
Então
disse-lhes:
«Compreendeis o que vos fiz?
Vós
chamais-Me Mestre e Senhor, e dizeis bem, porque o sou.
Se
Eu, que sou Mestre e Senhor, vos lavei os pés,
também
vós deveis lavar os pés uns aos outros.
Dei-vos
o exemplo, para que, assim como Eu fiz, vós façais também».
Palavra
da salvação.
3.2. Leitura pessoal (voltar a ler, em silêncio: o
que diz o texto?)
3.3.
Notas para a compreensão do texto bíblico
Na
época de Cristo, as pessoas andavam por estradas de terra e, pelo facto de
usarem sandálias, chegavam aos seus destinos com os pés empoeirados. Por isso,
assim que um visitante entrava numa casa abastada, vinha um escravo para
lavar-lhe os pés.
O
episódio narrado encontra-se no contexto da páscoa. Os dias que antecediam a
festa eram de rigorosa purificação, tanto dos corpos quanto das casas. Na
véspera, os discípulos puseram-se à mesa
da ceia com o Mestre. Aparentemente, tudo estava correto, mas eles estavam com
os pés sujos. Isto era incoerente com a pureza requerida para a ocasião. Todos
poderiam estar adequadamente vestidos, mas os pés estavam sujos. Jesus sabia e
não faz “vista grossa”, como se a poeira não estivesse lá, mas realiza o rito
da purificação.
Decerto
as tarefas foram divididas entre eles. Os preparativos da ceia tinham sido cuidados.
Alguém conseguiu o local, outro preparou a mesa, outro comprou os alimentos...,
mas quem lavaria os pés dos presentes? Há sempre uma ou outra tarefa que
ninguém gosta de fazer.
Jesus
poderia ordenar que cada um lavasse os seus pés. Mas ele não quis incentivar a
autossuficiência e o individualismo mas sim a comunhão. Então, surpreendeu a
todos. Abaixou-se e lavou os pés dos seus discípulos. Jesus tomou a iniciativa
e assumiu a posição de um servo, de um escravo. Ele fez o que nenhum fariseu
faria. Jesus estava atento às
oportunidades, não de aparecer mas de servir. Ali surge uma grande lição de
humildade e serviço. Não por uma aula teórica, mas com um ensinamento pelo
exemplo.
4.
Tópicos para a meditação pessoal (o
que me diz o texto?)
a)
“Jesus, que amara os seus que estavam no mundo, amou-os até ao fim.... E começou
a lavar os pés aos discípulos.”
Foi
um acto de amor que Jesus quis fazer. Abaixou-se e cuidou daqueles que amava
com um gesto de humildade e de serviço. Humildade vem da palavra “humus” que
significa “terra”, de onde vem também a palavra “humano”. Ser humilde é
apresentar-se de modo simples, prestável aos outros, capaz de lhes fazer bem,
de lhes reconhecer dignidade e valor e de os apreciar. Humildade e serviço são necessários em casa,
na família, no trabalho, na escola, na igreja. Sem eles, é difícil permanecer no
amor conjugal ou na construção da vida familiar, relacionar-se com os vizinhos, por melhores que
sejam. Até para aprender é preciso ser humilde. E também para reconhecer o
erro, pedir ajuda, pedir perdão ou mesmo perdoar.
- Há
em mim humildade e disponibilidade de serviço aos outros? Como tenho
concretizado esta atitude na família e na sociedade? Na minha família, damos o
devido valor uns aos outros e a quem nos rodeia ou nos visita, mostrando
disponibilidade para a ajuda e o serviço?
b) “Mestre, tu nunca me lavarás os pés”.
Quando
chegou a vez de Pedro, ele protestou. A atitude parecia de humildade, mas era
de altivez e autossuficiência. As palavras de Jesus fazem-no mudar de ideias: primeiro
não queria nada, depois quer um banho completo. Passou de um
extremo ao outro. Existem coisas que Jesus faz por nós e outras que nos
competem a nós. Ele não substitui nem elimina a responsabilidade pessoal. Cada
um tem que resolver o que estiver ao seu alcance e aceitar a ajuda dos outros. Mesmo
na família. É tão importante ajudar e servir como dar espaço aos outros e
apreciar o bem que nos fazem.
- Solicito
e aceito a ajuda de Jesus na minha vida? Serei eu também de extremos: não
aceito que me façam nada ou sobrecarrego os outros? Estou por vezes indisponível
para o serviço, ou ocupado em fazer tudo por mim, lamentando que ninguém me
ajude? Ofereço-me para servir os outros e sei pedir e apreciar a colaboração
deles para o bem família ou da comunidade?
c) “Se Eu, que sou Mestre e Senhor,
vos lavei os pés, também vós deveis lavar os pés uns aos outros.”
Jesus
desceu da sua glória e assumiu a condição humana, tornou-se servo e foi
obediente a Deus até a morte e morte de cruz. Ele ensinou que nós também somos
servos e não apenas filhos de Deus. O filho pode assumir uma posição de
receber, mas, como servo de Deus e dos irmãos, deverá também estar pronto para
fazer algo para as outras pessoas.
A família
é o lugar por excelência de serviço e escola onde se aprende esta atitude. Os
esposos entre si, os pais para com os filhos e estes para com os pais; nos
momentos difíceis de dor e sofrimento ou nos desafios das dificuldades e
problemas eis-nos diante da necessidade de lavar os pés.
- A
fé em Jesus e o seu amor leva-me a amar e a servir os outros na família e na
sociedade? O que tenho feito neste
sentido? Com que dificuldades e alegrias? Como posso exercitar melhor o serviço
aos outros onde quer que estou?
d) “Dei-vos o exemplo, para que, assim como Eu
fiz, vós façais também”.
É normal
que o súbdito, o dependente, o aluno... sirva o superior, mas Jesus, o mestre,
serviu os seus discípulos. Pode até ser fácil servir aqueles que nos amam, mas Jesus lavou
também os pés de Judas Iscariotes, sabendo que ele o iria trair. Cristo
ultrapassou os limites da razoabilidade humana, demonstrando amor, mansidão e
misericórdia.
Acusar
e criticar são atitudes bem mais fáceis do que servir. É muito fácil dizer: “Os
teus pés estão sujos”, mas baixar-se para lavá-los não é tão simples. Não posso ter nojo do pó que está nos pés do
meu irmão, porque também o há nos meus. Devemos ajudar-nos mutuamente no
sentido de nos purificarmos do pecado, admoestando-nos uns aos outros com amor. Não zombes do teu irmão que está com os pés
sujos. Os teus podem estar em pior situação. Dispõe-te para ajudar sempre.
Jesus disse aos discípulos que seriam
“bem-aventurados”, felizes, seguindo o seu exemplo de serviço. O egoísmo
conduz-nos à angústia dos desejos
insaciáveis. O amor ao próximo conduz-nos à felicidade que Jesus anunciou. Os
servos de Deus nunca ficam prejudicados, pois serão recompensados. Jesus quis
fazer escola, ensinar os discípulos para que eles o imitassem, dando
continuidade à prática do amor entre eles e para com os seus semelhantes.
- Já
aprendi com Jesus a “lavar os pés aos irmãos”? A minha família é na verdade
escola onde se pratica e se aprende a humildade, o serviço e o amor? Como
podemos promover este modo de viver e de agir nas família e na sociedade?
Silêncio
5.
Partilha da Palavra (do
dom recebido, o que posso oferecer aos outros?)
Cada pessoa, de forma espontânea e breve, poderá
repetir uma palavra ou frase do texto bíblico que mais a tenha interpelado,
dizer o motivo pelo qual a frase a tocou ou apresentar algo do que tenha
meditado ou sentido.
6.
Preces
Irmãos
e irmãs:
Elevemos
as nossas súplicas ao Senhor Jesus,
que para
nos dar o exemplo de humildade e serviço
lavou
os pés aos Apóstolos
dizendo
(ou: cantando), com toda a confiança:
R.
Cristo, ouvi-nos. (ou outro indicado pelo
presidente)
1. Pelas
Igrejas fundadas pelos Apóstolos
e
pelas comunidades locais que lhes sucederam,
para
que celebrem santamente a Eucaristia, oremos, irmãos.
2. Pelo
Papa, e pelos bispos, presbíteros e diáconos,
escolhidos
para o sacerdócio e o ministério,
para
que façam o que Jesus fez aos seus discípulos, oremos, irmãos.
3.
Para que os pais e as mães cristãs
eduquem
os filhos segundo a lei de Cristo
e
vivam eles próprios a sua fé com alegria, oremos, irmãos.
4.
Por todos aqueles que vivem sem amor,
abandonados,
esquecidos e rejeitados,
para
que encontrem o carinho que lhes falta, oremos, irmãos.
5.
Para que Deus, nosso Senhor,
faça
crescer nos corações de todos os casais
sentimentos
de fidelidade e de amor, oremos, irmãos.
6.
Para que os casais que não foram capazes
de
ser fiéis um ao outro, nas horas más,
encontrem
amigos que os ajudem e compreendam, oremos, irmãos.
(intenções
livres, se for oportuno)
Pai
nosso ...
Senhor
Jesus Cristo,
que
nos deixastes o mandamento novo do amor,
e,
por herança, a vossa Igreja e a Eucaristia;
recebei
as nossas orações,
dai-nos
a graça de permanecermos sempre em Vós
bem
como as nossas famílias
e
enchei-nos do vosso Espírito.
Vós
que sois Deus com o Pai na unidade do Espírito Santo.
7.
Gesto simbólico
(O grupo pode agora fazer um gesto simbólico
segundo alguma ideia que nele tenha surgido e considere significativo do amor e
do serviço que deverá caracterizar a vida e as relações nas famílias. Exemplos:
o lava-pés, o dar a mão ao outro para o ajudar, etc)
Presidente: apresenta
o gesto, o seu significado e o modo de o realizar...
Cântico:
Dou-vos um mandamento novo
8. Conclusão/ação (a que
mudanças me convida o Senhor?)
Momento de silêncio para cada um formular um propósito
pessoal e, se for o caso, propor um gesto ou iniciativa comunitária.
Compromisso
Presidente:
Bendigamos ao Senhor
Todos:
Graças a Deus
Cântico
final: Se vos amardes uns aos outros – Laudate 749
Em casa: No seguimento
do encontro de grupo, cada pessoa procurará dedicar algum tempo (15-20
minutos), num ou mais dias da semana, para retomar a meditação e contemplação
da Palavra de Deus e nela encontrar a luz e a força de Deus para a sua vida no dia a dia.

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