VIDA FRATERNITAS 2014 Memória, Leitura e Reflexão, artigo de ANTÓNIO DUARTE, tesoureiro e vogal, no «Espiral n,º 53



A minha leitura significa que há outras, tantas, talvez, quantos os sócios intervenientes. Na minha, porém, entrou uma arrastada reflexão, envolvendo não apenas os dias 25 (abril e outubro) – momentos destacados do nosso debate interno – mas também todo o processo preparatório (reflexo-interativo) de janeiro a outubro, em que tantos se empenharam.
A análise dos resultados não é de molde a afastar preocupações. O facto das duas Assembleias Gerais serem eletivas e o eletivo não funcionar é para mim mau sintoma. Um sintoma a merecer meditação. Foi o que fiz e agora partilho.

QUESTIONAMENTOS E ALERTAS VINDOS DOS SÓCIOS

Questionamentos e lamentações já vinham acontecendo em 2013. Os resultados, porém, deixavam a desejar. Com as cartas de dois casais sócios, Artur Oliveira e Antonieta e Vasco Fernandes e Isabel Beires, ganham novo alento. Diziam o Artur e a Antonieta, a 23 de janeiro de 2014: «[…] preocupa-nos mesmo a sério o caminho que nos parece vai trilhando a Fraternitas. Afinal, para que foi que o padre Filipe e uns tantos de nós a fundámos? Para a transformar numa espécie de confraria ascética?» E, quase no final, acentuava a marca identitária da Fraternitas: «Ser na Igreja – à qual se mantém fiel – um corpus profético com uma Missão que lhe sabe destinada: pugnar pelo exemplo e pela palavra por um sacerdócio ordenado plural na Igreja católica.»
Da carta do Vasco e da Isabel, datada de 27 de janeiro de 2014, vinham preocupações convergentes. Nela escreviam: «[…] será que nós ainda somos Fraternitas Movimento? Ou nos estaremos a transformar numa “Pia Associação de padres dispensados”?» E, lembrando o artigo 5 dos Estatutos, expressavam vivas saudades dos tempos passados em que havia dois Encontros anuais verdadeiramente motivadores: «Um retiro – que nos lavava a alma; outro – a Formação Teológico-Pastoral – que nos renovava a mente.»
Estes dois alertas, datados do final de janeiro de 2014, desencadearam vários outros contributos epistolares, que enriqueceram o debate interno em curso. Estas cartas foram reunidas pelo Presidente da Direção, Fernando Félix, em opúsculo de oito páginas A4, com o título «Que Fraternitas Queremos», o qual foi distribuído a todos os sócios pelo correio, além de ficar disponível para consulta nesta nossa página oficial da Fraternitas na Internet: Que FRATERNITAS queremos ser

O ÉLAN RENOVADOR DA ASSEMBLEIA GERAL DE ABRIL

A Assembleia Geral de 25 de abril de 2014, em Fátima, falhada enquanto eletiva, foi eficaz nas decisões tomadas:
- Dar caráter extraordinário e deliberativo à Assembleia Geral de outubro.
- Implementar Encontros Regionais para envolver mais sócios no novo rumo a definir. No dia 7 de junho, realizou-se no Seminário Redentorista de Cristo-Rei, em Vila Nova de Gaia, um Encontro Regional com a presença de 23 associados. No dia 12 de julho, teve lugar em Lisboa outro Encontro Regional com a presença de 12 associados.
- Criar uma comissão ad hoc em apoio à Direção e com tarefas bem definidas. No dia 17 de maio, Comissão e Direção reuniram-se em Lisboa e, nesse encontro, foi estabelecido enviar uma carta aos sócios com quotas em atraso para regularizarem a sua situação até 30 de junho, a fim de terem direito a voto na AGE. Essa carta foi enviada no início de junho. A Comissão também se reuniu para redigir uma carta ao Papa Francisco por ocasião do Sínodo dos Bispos acerca da Família.
Tudo isto foi acontecendo no intervalo entre as duas Assembleias, com os seguintes resultados:
- Clarificação da lista alfabética dos sócios e sócias eletivos, resultante da obrigatoriedade de ter as quotas em dia para ter direito a voto ou ser procurador. Isto permitiu saber quem, presente ou ausente, caminha com a Fraternitas.
- Uma maior aproximação dos sócios conseguida através dos Encontros Regionais, realizados no Porto, em Coimbra e em Lisboa.
- Fomentou o contacto entre Direção e os sócios.
- Implementou a quota das viúvas que, como membros de pleno direito, dela não estão dispensadas. Nove responderam à chamada.

A ASSEMBLEIA DE OUTUBRO: A CLARIFICAÇÃO DAS TENDÊNCIAS

A Assembleia de 25 de outubro, de novo em Fátima, foi o culminar de uma caminhada fraternal que envolveu muita gente, particularmente os 98 sócios efetivos. Para tal, estes associados que desejaram ter voz ativa puseram as quotas em dia tal como acontece em todas as associações em assembleias deliberativas. Ao fazê-lo, estes sócios manifestaram ainda a sua ligação real à Fraternitas, dizendo por gestos que estão com ela, a amam e acreditam na necessidade de continuar a dar, dentro da Igreja do Senhor Jesus que tanto amamos, um autêntico testemunho profético, em prol de uma Igreja católica cada vez mais plural, mesmo no sacerdócio ministerial ordenado.
Esta Assembleia Geral Extraordinária acentuou de forma clara a tendência pró-Movimento, mas sem anular a essência matricial da Fraternitas definida nos artigos 1 e 2 dos Estatutos, como refere a comunicação «Ecos da Assembleia Geral Extraordinária». Adequou assim este movimento associativo aos novíssimos tempos que vivemos, libertando-nos dos constrangimentos burocráticos impeditivos da sua ação.

E AGORA, FRATERNITAS?

Tal como aconteceu na eleição do Apóstolo Matias, na instituição dos sete diáconos, e no sínodo apostólico de Jerusalém, fez-se ouvir a voz de todo o grupo, havendo deliberação e compromisso.
Falhou, na nossa Assembleia, a parte eletiva, ou seja, a disponibilidade para escolha dos timoneiros da Direção que, durante três anos, deem um pouco da sua vida à Fraternitas. O amor a esta manifesta-se, sobretudo, com atos. Mais importante do que ir à televisão fazer lindos discursos, é o trabalho discreto e diário para que a Fraternitas funcione.
Será que a indisponibilidade geral para os cargos que dão trabalho será o vírus que nos extinguirá?

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