A família segundo Santo Inácio de Loyola



O que diria Santo Inácio às famílias cristãs?

Tentemos descobrir alguns aspectos profundamente inacianos que poderão ajudar a enriquecer as relações de família, a partir de alguns momentos dos seus Exercícios Espirituais:

Contemplar a diversidade. 
A fonte e origem de comunhão é a Trindade que contempla o mundo e, vendo a sua diversidade, os seus problemas concretos decide a encarnação. [Cfr. EE 102-109]. 
A primeira família é a Trindade e esta tem um olhar atento e compadecido sobre a humanidade e decide actuar, fazendo-se próxima. Assim, temos em primeiro lugar uma atitude: olhar e agir, movidos pelo amor e desejo de estar próximos.

O cuidado. 
É ternurenta a contemplação que Inácio propõe do nascimento de Jesus. Maria e José enchem o Menino de cuidados delicados, fazendo-me eu ali presente, e usando os sentidos para saborear a infinita suavidade e doçura da divindade, da alma e das suas virtudes e de tudo [EE 124]. 
Os gestos de Maria e José são uma gramática das nossas atitudes familiares.

Dar o que se é e tem. Na Contemplação para alcançar amor encontramos, por fim, o núcleo de toda a relação. O amante dá ao amado o que é e tem, e o amado ao amante, tendo por pressuposto que o amor se deve pôr mais nas obras que nas palavras. [Cfr EE 230-231]. Não é necessário explicar mais este ponto, cada um saberá as “obras” que lhe são pedidas com este desafio.

Deste modo, não falando explicitamente sobre a família, Inácio é muito inspirador das nossas relações, em especial com os que nos estão mais próximos. Procuremos viver estes desafios.

António Valério, sj | 28.02.2015 | www.essejota.net

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