Eis a mensagem do Quinto Domingo da Quaresma: Chega a Hora do Senhor Jesus!


Em três domingos sucessivos, a liturgia apresenta-nos uns símbolos para entender melhor o mistério da Páscoa do Senhor, a Hora de Jesus: o templo que Ele reedificará em três dias (3.º domingo da quaresma), a serpente levantada que cura quem olha para ela com fé (4.º domingo) e o grão de trigo (quinto domingo). 
O mistério pascal implica morte e ressurreição.

Comentário à liturgia do quinto domingo da Quaresma, pelo P.e Antonio Rivero, L.C
Textos: Jr 31, 31-34; Hb 5, 7-9; Jo 12, 20-33

Quando chegou a Hora de Deus, Jesus sentiu-a: «Chegou a hora... sinto-me agitado. É melhor eu pedir ao Pai para parar o relógio do Plano de salvação?” (cf. Evangelho). Ele gritou, chorou (segunda leitura).
Mas o Pai não mexeu nenhum dedo, não parou o relógio, não adiantou os ponteiros. Simplesmente deixou que se cumprisse a Hora. 
E o Filho foi detido, processado, condenado, executado. Assim se cumpriu a Hora da salvação do género humano.
Não é a hora do calendário civil. É a Hora na língua bíblica, isto é, o desígnio de Deus, o plano de Deus, numa palavra, a vontade de Deus. E Jesus enfrentou essa Hora com decisão, com coragem, com obediência, com amor, mas sem economizar dor e sofrimento no corpo, na alma, no espírito.

Muitos dos nossos irmãos estão a atravessar neste momento a Hora amarga: sofrimentos pessoais, familiares, sociais, políticos, económicos, nacionais, internacionais, planetários. 
Hora permitida por Deus, mas muitas vezes querida pelos homens sem escrúpulos e sem o santo temor. 
O Papa Francisco já enumerou alguns desses espinhos na sua exortação Evangelii gaudium: economia da exclusão, idolatria do dinheiro, dinheiro que governa em vez de servir, iniquidade que gera violência, perseguição de cristãos, indiferença relativista, famílias destruídas e frágeis nos seus vínculos. 
Outras cruzes duras que são o pão nosso de cada dia. O que digo eu a uma viúva de coração em luto, a um pai de cinco filhos condenado à morte de cancro, a uma mocinha a quem o galã resolveu deixar no pé do altar, vestida e desajeitada, à família com um filho que mexe com drogas ou se encontra numa cadeia, ao...? Não bastam conselhinhos analgésicos e euforizantes.
Os meus irmãos e eu, queríamos que essa Hora passasse agora mesmo. Porém, que quer Deus? O nosso Pai Deus, em resposta a este desejo, envia o seu Filho ao sofrimento; chegou o Filho e carregou a cruz sem resmungar, pois era a Hora do Pai para nos salvar. O cristão aprendeu assim o sentido que o Filho deu ao sofrimento: purificador dos próprios pecados, redentor das almas, co-laboradores com Ele na salvação dos homens. Por tanto, a Hora do sofrimento é, de fato, a hora da verdade, dessas grandes verdades.

Cedo ou tarde chegará a nossa Hora. Cada um pense qual é a sua Hora, sabendo que a Hora de Deus é terrível, incompreensível, mas necessária e deve ser cumprida. Que a Hora de Deus é a Hora do Pai cheio de ternura e misericórdia que busca a ovelha perdida e salva a pecadora arrependida.

Para refletir: Como reajo diante da Hora de Deus na minha vida: com amor e obediência como Jesus; ou com rebeldia e desgosto? Deixo Deus Pai marcar a Hora na minha vida ou imponho a hora que eu quero?

Para rezar: Senhor, que se cumpra em mim a vossa Hora, quando Vós quiserdes, onde Vós quiserdes, como Vós quiserdes e no tempo que Vós quiserdes. Quero me parecer ao vosso Filho Jesus e a tantos dos vossos amigos, santos e santas. Amém.

Qualquer sugestão ou dúvida podem se comunicar com o padre Antonio neste e-mail:  arivero@legionaries.org

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