Mulheres na Igreja: Um ministério conjunto


O génio das mulheres tem brilhado ao longo dos séculos, em especial na longa história da Cristandade. Mas o estatuto das mulheres ainda precisa de ser promovido na Igreja como uma maneira de superar o clericalismo dominante e de assegurar que elas assumem as suas responsabilidades na vida da comunidade cristã.

Mulheres na Igreja: Um ministério conjunto 
Por: LORENZO CARRARO, Missionário Comboniano
Revista Além-MarMarço de 2007

Uma das maiores mudanças dos tempos modernos é a emergência das mulheres: estão a afirmar a sua dignidade, a sua igualdade e estão a assumir o seu lugar e responsabilidade na sociedade.
As datas em que as mulheres adquiriram o direito de voto (o primeiro país a aceder foi a Finlândia, em 1906; o último, o Kuwait, em 1 de Julho de 2006) lembram-nos de como aconteceu tão recentemente as mulheres receberem direitos políticos iguais, e de como isso foi alcançado enfrentando muita suspeita e resistência. A entrada das mulheres em todas as profissões na sociedade e em papéis políticos é verdadeiramente nova e verdadeiramente revolucionária. Foi o movimento feminista mundial, símbolo e instrumento da emancipação das mulheres, a promovê-la. É dentro do movimento feminista mais alargado que colocamos o florescimento da teologia feminista nas igrejas cristãs, na segunda metade do século XX.
O movimento feminista é ainda uma batata quente, ocasião de muita controvérsia pela polarização de posições que estão reflectidas no seguinte excerto do conceituado sociólogo Francesco Alberoni, que faz a tipologia das mulheres. Primeiro, num quadro tradicional: «Foram as mulheres que fizeram uso da sua inteligência, em vez da brutalidade para assegurar a sua sobrevivência e a dos seus filhos. Como esposas e mães, criaram um modo de vida civilizado. Inventaram o lar e convenceram os maridos a cuidar dele. Educaram os maridos e os filhos na limpeza e na arrumação; valorizaram a gentileza e a ternura, tudo o que é terno e delicado». Segundo, num quadro de modernidade feminista, que criou um novo tipo de mulheres: «Não procuram o amor, mas o poder; não trabalham para a harmonia mas para a dominação. Competem com os homens; assumiram os seus valores. Exteriormente, aparecem como mulheres, mas interiormente são homens. Preocupam-se com a sua beleza, o seu encanto e a atracção através de dietas, liftings, ginástica, acessórios sofisticados e maquilhagens refinadas apenas para seduzir, para subir na escada social e para se afirmarem. Sentem-se destroçadas se se entregam a um homem. O homem é o inimigo». Para concluir, polemicamente, que «este tipo de mulheres pensa que representa o futuro, mas não sabe que alinhou com a tradição mais velha da humanidade: o poder, a prevaricação, a guerra, e arrisca-se a perder as coisas mais preciosas da vida: a habilidade de compreender, a capacidade de amar e ter um coração arrebatado».

Doutoras da Igreja
O desejo e a opção de escrever sobre o lugar e a missão das mulheres na Igreja nasceram em mim da reflexão sobre o sacerdócio baptismal, o sacerdócio dos fiéis. Um número crescente de fiéis é composto por mulheres: são um mundo próprio, com características muito distintivas e originais. O Papa Paulo VI já tinha manifestado a consciência da Igreja sobre o lugar das mulheres proclamando Santa Teresa de Ávila e Santa Catarina de Siena doutoras da Igreja (1970). João Paulo II declarou Santa Teresa de Lisieux doutora da Igreja (doctor amoris: doutora do amor) em 1997, no aniversário da sua morte.
Em Roma, em 1987, realizou-se o sínodo sobre o laicado. Nessa ocasião, uma das recomendações foi para um estudo mais aprofundado das bases antropológicas e teológicas do significado e da dignidade de ser mulher e de ser homem: «É uma questão de entender as razões e as consequências da decisão do criador de que o ser humano deveria sempre e somente existir como mulher ou homem. É apenas partindo destes alicerces que será possível compreender a grandeza da dignidade e da vocação das mulheres e a sua presença activa na Igreja e na sociedade».
Da nova consciência de que a Igreja é, primeiro que tudo, povo de Deus, formado por pessoas, homens e mulheres que são criaturas de Deus, surge o conceito do sacerdócio comum dos fiéis e a consequente promoção do laicado na Igreja. É no contexto desta promoção do laicado expressa pelo sínodo de 1987 que o Papa João Paulo II decidiu escrever a carta apostólica Mulieris Dignitatem (1988) sobre a vocação e a dignidade das mulheres.
O estilo e o carácter da carta levam-nos a uma reflexão integrada sobre o feminismo. Trata-se, possivelmente, do documento mais pessoal e original do falecido Papa, escrito com fina sensibilidade, um documento que fez crescer a admiração mesmo em determinados círculos feministas radicais. Por exemplo, Gertrud Mongella, presidente da Conferência Internacional das Mulheres em Pequim, afirmou: «Gostaria que todos os fanáticos do mundo pensassem da mesma forma equilibrada que o Papa».

Sexualidade humana

Na carta apostólica, o falecido Papa fala da nossa sexualidade como uma experiência de comunhão entre a mulher e o homem. Este dar-se a si mesmo, na reciprocidade, e sem o domínio do outro, é mais como a vida interior de Deus do que qualquer outra coisa que encontremos na criação. Há nesta entrega o gosto do divino, e o Cântico dos Cânticos é a sua música interior.
Wojtyla recusa separar a «pessoa» do corpo. Ele amou o corpo humano, sempre apreciou a força e a vitalidade que o seu corpo lhe dava, escalando montanhas, praticando canoagem ou nadando. Amou as paisagens e os cheiros e os sons da liturgia. Em toda a parte viu que o nosso espírito e o nosso corpo são feitos um para o outro, entra um no outro, interpenetram no segredo do nosso ser. Para o falecido Papa, mesmo o celibato é compreendido à luz do matrimónio, o sacramento através do qual o criador revelou à humanidade a comunhão da sua própria natureza. Em Mulieris Dignitatem, trouxe ao mesmo tempo o seu ensinamento rico e original sobre a sexualidade humana.
Começando em 1979, logo no primeiro ano do seu papado, João Paulo II devotou 15 minutos de cada audiência geral semanal ao longo de cinco anos a meditações densas e rigorosas sobre a sexualidade humana. Começou com Adão na sua solidão. Como espécie, Adão esteve sozinho. Esteve sozinho em toda a criação. Nem teve como companhia a sua própria espécie, nem pôde procriar e assegurar a continuidade da sua própria espécie. Esta solidão, diz a Bíblia, não foi boa. Faltou-lhe uma parte essencial. Assim, da carne de Adão, para sublinhar a unicidade da essência humana, Deus criou Eva: não apenas uma mulher, mas uma pessoa com um nome e personalidade. Um ponto incontornável deste relato é que o ser humano é dois-em-um.
Além disso, se o ser humano é feito «à imagem de Deus», a distinção dos nossos ser masculino e feminino é reveladora do próprio ser e vida interior de Deus. É na nossa comunhão de uns com os outros que somos imagens de Deus. Somos feitos para a comunhão do masculino com o feminino.

Ministério conjunto
Em 31 de Maio de 2004, no dia da Festa da Visitação, o cardeal Joseph Ratzinger, então responsável pela Congregação para a Defesa da Fé, publicou o seu último documento importante antes de ser escolhido, um ano mais tarde, para ser o Papa Bento XVI. É a «Carta aos Bispos sobre a Colaboração dos Homens e das Mulheres na Igreja e na Sociedade». Esta carta é a ocasião imediata para escolher este tópico e o objecto directo do meu interesse.
A palavra «colaboração» é muito usada, especialmente aplicada ao «ministério conjunto» na Igreja de hoje. Descreve um tipo diferente de relação dos que existiram no passado e que ainda estão presentes em muitas partes do mundo e em muitos aspectos da vida da Igreja. São considerados imperfeitos ou errados e, por esse motivo, esperançosamente, devem ser rejeitados: como a submissão, a subserviência, a competição, a dominação, o antagonismo.
Neste sentido, o documento é um ponto de chegada. O movimento feminista, nas suas posições extremas, não afectou apenas mulheres, mas também os homens, como a jornalista inglesa Melanie Phillips mostrou no seu livro The Sex-Change Society (Feminized Britain and the Neutered Male), publicado em 1999. A revolução de género no século XX foi feminina, mas o feminismo extremo distorceu a sua própria agenda da igualdade substituindo-a pela identidade. Ao mesmo tempo, os homens foram demonizados e o papel masculino foi posto em crise. O resultado foi uma política antifamília em que todos se transformaram em potenciais perdedores.

Para além do feminismo
Nesta situação, não é de surpreender que a Congregação para a Doutrina da Fé tenha endereçado a sua carta tanto a homens como a mulheres. Hoje, além de dar a conhecer claramente os direitos legítimos das mulheres e trabalhar para os tornar respeitados nos cinco continentes, é também necessário falar nos deveres de ambos os sexos. 
A carta da Congregação para a Doutrina da Fé sobre a colaboração dos homens e das mulheres na Igreja e no mundo destaca a igualdade na dignidade humana e, além disso, a diferença fundamental entre os sexos. A carta expõe a insuspeita riqueza e profundidade da antropologia dos sexos no Catolicismo para encontrar soluções que ataquem os problemas na área das políticas da família e das mulheres.
As implicações deste «novo» feminismo são radicais. Não há nenhuma razão para escolher as mulheres e fazer uma ideologia chamada feminismo só para elas. Falamos sobre as mulheres e os homens e a sua cooperação e diferença, não apenas sobre mulheres.
Neste sentido, já estamos para além do feminismo. Se o estatuto das mulheres precisa de ser promovido na Igreja (e precisa!), não é porque sejam mulheres mas porque são laicado. É o sacerdócio baptismal dos fiéis que tem de ser redescoberto na prática da vida da Igreja. Só desta maneira ultrapassaremos o clericalismo lento e veremos que o laicado assume as suas responsabilidades e tem o seu espaço na vida da comunidade cristã. Neste contexto, o génio das mulheres já brilha e continuará a brilhar pelos séculos vindouros como aconteceu ao longo da história da Cristandade.

Novos espaços, novas funções
Como Papa, Bento XVI parece aberto à ideia de discutir o papel da mulher na Igreja, numa reflexão que procure mais espaço para as mulheres e que lhes reconheça uma função mais institucional. Para este Papa teólogo, tratar-se-ia de valorizar melhor o «génio feminino» na Igreja, sem entrar na discussão do «sacerdócio feminino», tema já definitivamente excluído pelo seu antecessor.
Bento XVI parece sensível à opinião dos que pensam que é necessário conferir às mulheres na Igreja não só um «reconhecimento carismático», mas também «institucional», por exemplo, consultando-as antes de se tomarem algumas decisões e confiando-lhes lugares de maior responsabilidade, tanto a nível de igreja local como universal.
Num encontro do ano passado, com o clero da sua diocese de Roma, o Papa não recusou falar sobre o assunto e respondeu dando clarificações e deixando abertas perspectivas de reflexão e acção. Para Bento XVI, este reconhecimento institucional não precisa de passar necessariamente pelo acesso ao ministério ordenado. Ele deve sobretudo «procurar espaços novos e funções novas», explorando as possibilidades que os ministérios não ordenados oferecem e respondendo às necessidades das comunidades eclesiais. O Papa deixou assim aberto todo o campo dos ministérios não ordenados, tanto em relação com a Palavra de Deus (a catequese, a formação cristã, a organização das celebrações da Palavra, etc.) como com a organização da comunidade cristã e o seu envolvimento nos processos de transformação social.
A presidência ministerial, que a ordenação sacerdotal confere aos homens, fica fechada às mulheres. Mas a presidência do amor e do serviço, da comunhão e da missão, ficam-lhe abertas. Referindo-se ao ecumenismo, o Papa reconheceu recentemente que é preciso «criatividade e ousadia» para fazer avançar a causa da unidade dos cristãos. O mesmo se pode dizer da causa das mulheres na Igreja: ao nível das igrejas locais tem faltado criatividade e ousadia para dar mais espaço às mulheres e espera-se do Papa e da Santa Sé aquilo que só as comunidades podem fazer: abrir espaços novos e reconhecer ao génio feminino novas funções.
Com esta sua abertura, Bento XVI parece ter em mente, sobretudo, as comunidades cristãs que vivem na Europa e que sofrem as consequências do actual processo de desertificação religiosa que caracteriza o mundo ocidental.

A luta das mulheres
A abordagem de espírito aberto e livre de Jesus em relação às mulheres como membros do seu grupo de discípulos foi logo seguida por uma mentalidade estreita como é testemunhado pelas passagens sobre as mulheres atribuídas a São Paulo. A perspectiva tacanha alcançou o seu auge na Idade Média e foi expressa pelo adágio que as mulheres precisavam: Aut murus aut maritus (uma parede ou um marido: para serem enclausuradas pelas paredes de um mosteiro ou pelo estatuto de casadas).
Tão subtil era a posição de inferioridade das mulheres no casamento que era paradoxalmente a partir dos mosteiros que as mulheres podiam manifestar a sua livre iniciativa e os seus talentos. Era nos mosteiros que as mulheres encontravam a instrução numa época de iliteracia quase universal; lá encontravam espaço da liderança: as abadessas gozavam da jurisdição de bispos nos seus mosteiros. É com origem nos mosteiros da Europa medieval que encontramos um grupo de mulheres místicas e teólogas notáveis como Santa Hildegarda de Bingen, Santa Gertrudes, a Grande, Santa Brígida da Suécia, a beata Júlia da Noruega, Santa Catarina de Siena. Foram muito influentes na vida tantas vezes tumultuosa da Igreja nas suas épocas e protagonistas de interessantes vislumbres «femininos» em teologia, especialmente no seu discurso de Deus e do seu mistério.
O Renascimento não trouxe qualquer mudança ao conjunto de atitudes contra as mulheres. Temos a história exemplar de Mary Ward (1586-1645), uma corajosa mulher inglesa que queria começar uma congregação de vida activa como a dos Jesuítas. Estava enamorada pela regra de Santo Inácio de Loiola. Como descobriu, os seus inimigos não estavam apenas na Inglaterra protestante. A sua devoção à visão espiritual de Santo Inácio alimentou a suspeição do clero secular, que era rival da fascinante Sociedade de Jesus. O seu instituto foi ridicularizado como a casa da «senhora jesuíta».
Mas para além dos ciúmes territoriais dos católicos ingleses, havia a resistência mais larga, a princípio, ao programa radical que Mary delineara. Enquanto os elementos do seu programa eram admirados — especialmente a sua proposta para a criação de uma escola gratuita para meninas católicas —, a sua intransigente insistência de que o instituto não fosse de clausura e que permanecesse livre da jurisdição episcopal chocou frontalmente contra o lugar fixado para as mulheres na Igreja.
Enquanto alguns bispos ofereciam aprovação polida aos seus planos, a maior parte partilhava a opinião de um sacerdote que, ao admirar o fervor das irmãs, observou: «Está tudo dito: não passam de mulheres!» Mary Ward viajou por grande parte da Europa a pé, foi presa pela Inquisição e viu as suas tentativas fracassarem.
Tornou-se necessário, após a Revolução Francesa, permitir que as mulheres religiosas pudessem sair da clausura e se empenhassem elas próprias no mundo numa vida de apostolado, trabalho social e missão. O século XIX e a primeira parte do século XX assistiram a um florescimento extraordinário de congregações religiosas femininas de vida apostólica e missionária. As mulheres religiosas contribuíram poderosamente para a evolução da condição das mulheres, especialmente através da instrução.
A Igreja Católica sempre pôs, logo desde o início do sistema de ensino na Europa, a ênfase principal no ensino das raparigas e das mulheres. A instrução é a força principal da mudança nos padrões tradicionais dos papéis sexuais. A Igreja fez o seu melhor esforço na instrução das mulheres, especialmente nas missões. «Se educamos uma mulher, educamos uma aldeia», conforme diz um provérbio da África. Os problemas que as mulheres enfrentam no mundo em desenvolvimento são piores. Aqui as mulheres são responsáveis não somente pela sua própria família, mas também por comunidades inteiras, num dia infindável de trabalho, frequentemente entre a pobreza e a privação.
A emancipação das mulheres na sociedade está ligada ao aparecimento de tantas mulheres ilustres no horizonte da Igreja do século XX que seguem a tradição de grandes mulheres do segundo milénio da Cristandade. São elas: Dorothy Day, Raissa Maritain, Edith Stein (Teresa Benedita da Cruz), Teresa de Calcutá, Sue Rider, Josephine Bakita, Simone Weil, Catherine De Hueck Doherty, Madalena de Jesus, para mencionar apenas algumas. O esforço árduo ainda não acabou completamente, mas o Vaticano II está também neste campo como um separar de águas cujos frutos começámos a colher.




O Papa e as «discípulas» de Jesus
OCTÁVIO CARMO, jornalista da «Ecclesia»

Bento XVI concluiu no mês passado um ciclo de catequeses dedicado aos Apóstolos e a várias figuras do Cristianismo primitivo, destacando o contributo das mulheres na difusão do Evangelho. O Papa lembrou que Jesus escolheu «12 homens, como pais do novo Israel», mas para além destas «colunas da Igrejas», foram também escolhidas, entre os discípulos, «muitas mulheres».
Desde a profetisa Ana até à Samaritana, passando por várias figuras sem nome, como a hemorroísa ou a mulher siro-fenícia, muitas foram as mulheres citadas pelo Evangelho. O Papa destacou as que tiveram um papel «activo» na vida de Jesus, a começar por Maria, sua mãe. Com funções de «responsabilidade» seguiram Jesus mulheres como Maria Madalena, Susana, Joana, que o serviam com os seus bens.
«As mulheres, ao contrário dos 12, não abandonaram Jesus na hora da Paixão», disse o Papa, destacando que Maria Madalena foi, não só testemunha da Paixão, mas «a primeira testemunha da ressurreição». E, citando Tomás de Aquino, Bento XVI falou de Maria de Magdala como «Apóstola dos Apóstolos».
Estas figuras aparecem de forma clara nos Evangelhos: a leitura de Lc 8, 2-3 revela, por exemplo, que aos 12 Apóstolos se tinham juntado «algumas mulheres, que tinham sido curadas de espíritos malignos e de enfermidades: Maria, chamada Madalena; Joana, mulher de Cuza, administrador de Herodes; Susana e muitas outras, que os serviam com os seus bens».
Quanto à presença feminina no âmbito da Igreja primitiva, esta foi «tudo menos secundária», frisou o Papa. Numa audiência geral, Bento XVI dedicou, por exemplo, a sua catequese à figura de Priscila, «colaboradora» de São Paulo. «A história do Cristianismo teria tido um desenvolvimento bem diferente, se não fosse o generoso contributo de muitas mulheres», concluiu o Papa.
Esta temática de «Jesus e as mulheres» esteve em realce entre nós, no ano passado, durante a terceira sessão do seminário internacional «O “Jesus Histórico”, Perspectivas sobre a investigação recente», organizado pela Universidade Católica. O P.e Joaquim Carreira das Neves defendeu que Jesus teve discípulas, que o acompanharam ao longo da sua vida pública e assumiram um papel de serviço (diakonia) junto dele e dos 12. Para este conhecido biblista, é evidente que «havia um número de mulheres que seguiam Jesus e o serviam, como outros discípulos homens». Isso, contudo, não quer dizer que o fizessem «à maneira dos 12», sendo, assim, discípulas e diaconisas (servidoras) em sentido lato.

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