Os beatos Luis e Célia Martin: o primeiro casal que será canonizado

"Deus me deu uma mãe e um pai mais dignos do céu do que da terra”, disse certa vez santa Teresinha do Menino Jesus, falando sobre seus pais. A vida dos beatos Luis e Celia Martin foi marcada sempre pela oração e a confiança total em Deus. Estes pais foram e são ainda hoje uma fonte de inspiração para as famílias cristãs em todo o mundo. Nesta quarta-feira, 18 de março, o papa reconheceu o milagre da cura milagrosa de uma jovem espanhola por sua intercessão.

Por isso, o casal será canonizado em outubro anunciou – como anunciou o cardeal Angelo Amato, prefeito da Congregação para as Causas dos Santos – coincidindo com o Sínodo dos Bispos, dedicado precisamente à família. Uma canonização oportuna em um período em que a Igreja reflete sobre os desafios enfrentados pelas famílias de hoje para permanecerem modelos de virtude cristã em uma sociedade secularizada. E certamente não é coincidência. O padre Antonio Sangalli, postulador da causa de canonização dos beatos, está convencido, e afirmou – nesta entrevista a ZENIT – que a história da vida conjugal dos Martín, é exatamente o que precisam os cristãos de hoje para se motivarem a viver a sua fé sem medo. E, talvez, estes dois esposos que subirão junto nos altares, poderão abrir o caminho para muitas outras canonizações “de casais”. Acompanhe a entrevista abaixo:

Entrevista com o padre Antonio Sangalli, postulador da causa que vai fazer santos os pais de Santa Teresinha de Lisieux, por Junno Arocho, ROMA, 20 de Março de 2015 (Zenit.org)

ZENIT: Como postulador da causa dos beatos cônjuges Martín, qual foi a sua primeira reação ao saber que o Papa Francisco aprovou o milagre?

- Pe. Sangalli: Senti uma grande alegria no coração e uma forte gratidão com o Santo Padre e com todos os que trabalharam nesta canonização, e que foram muitos... quis realmente agradecer a Deus porque ele é a fonte e a origem de toda santidade, neste caso a santidade que cresce na primeira célula da sociedade que é a família. Eu acho que seja notável ver que dentro dessa história humana dos cônjuges Martín, tem uma grande história de Deus com a sua humanidade. Isto prova que a experiência conjugal e matrimonial não é um obstáculo à santidade, mas que os santos também podem ser dois cônjuges que se amam.

ZENIT: Qual o significado da canonização de Luis e Célia que será no dia 5 de outubro, e que coincide com o sínodo dedicado ao tema da família?

- Pe. Sangalli: Dá testemunho de que a santidade permeia todas as fases da vida e que não existem dificuldades que não sejam superáveis. Os Martín viveram uma vida conjugal que durou 19 anos até que Luis perdeu a sua esposa por um tumor nos seios. Foi um matrimônio longo e isso é um testemunho, porque o casal morava na França em uma época muito diferente da atual, onde já era possível obter o divórcio, onde existia a união civil. Luis e Celia fizeram uma opção cristã e levaram-na adiante com coerência apesar das dificuldades do trabalho, da formação dos filhos e das dificuldades que enfrentaram também eles em seus relacionamentos.

No entanto, sempre colocaram a Deus em primeiro lugar! Este é o exemplo que hoje nos transmitem: a família Martín – que hoje a Igreja santifica – enfrentou tudo sob o olhar de Deus, colocando Jesus em todas as situações, de alegria como de angústia, certos sempre do grande abraço do Senhor, e de que com a sua ajuda teriam chegado a fazer alguma coisa e a superar todas as dificuldades. No fim das contas isso é o que acontece quando Deus está ativo, quando Deus vive dentre de uma família, é acolhido, existe obediência e forte seguimento.

ZENIT: O que poderia dizer-nos sobre o recente milagre aprovado pelo Papa?

- Pe. Sangalli: Trata-se da cura de uma menina prematura, que nasceu no sétimo mês, e que poucas horas depois foi atacada por uma hemorragia cerebral de quarto grau. Junto com isso outras complicações e infecções nos primeiros dias de vida diagnosticaram um resultado nefasto. Os pais já se preparavam para celebrar o funeral. Os médicos deram um parecer negativo para a menina se houvesse sobrevivido, porque diziam que ela teria graves sequelas psicológicas e neurológicas. O pai e a mãe dessa menina, portanto, se colocaram sob a proteção dos pais de santa Teresinha do Menino Jesus, por sugestão das freiras às quais tinham recorrido.

Também as freiras oraram para os Martín pedindo a cura da pequena, e todos a rodearam com o seu amor. Depois aconteceu o milagre. Depois de ter começado a rezar de forma constante, a situação foi resolvida rapidamente. Os médicos ficaram absolutamente perplexos... e depois de 5 ou 6 anos de cura, a menina não teve nenhuma das consequências que os médicos tinham diagnosticado, e hoje tem uma saúde completamente normal como todas as meninas da sua idade.

ZENIT: Luis e Celina são o primeiro casal na história da Igreja a ter a glória dos altares. Qual o significado deste evento para a Igreja e para o mundo de hoje?

- Pe. Sangalli: Isso significa que na Igreja de hoje o matrimônio tem uma grande dignidade. Já Cristo elevou a sacramento o amor entre um homem e uma mulher, como sinal do amor da Igreja. Como diz São Paulo: o mistério que existe na união entre um homem e uma mulher é a imagem profundíssima do amor entre Cristo e a Igreja. E a mesma Igreja, ao canonizar estes cônjuges, demonstra que o matrimônio tem a dignidade de uma vocação, de um chamado.

Os cônjuges são revestidos com a autoridade de Deus para fundar uma família, tornando-se "ricos" em Cristo. É, portanto, uma mensagem muito forte também para os jovens de hoje, em um momento em que o casamento é um pouco maltratado em sua essência e compreensão. A Igreja reafirma assim a integridade do matrimônio, a grande vocação, o grande sinal que é o matrimônio.

Mostra, portanto, que existe ‘um trabalho em casal’, antes como noivos, depois como esposos e finalmente como pais, um passo depois do outro. É um caminho rumo a santidade, não simplesmente um caminho humano, uma realização humana, mas um projeto grandioso que Deus confia aos esposos. Os quais, desde o noivado, caminham juntos e juntos devem cuidar um do outro, da santidade de ambos: primeiro no casal, depois na família. Esperemos que depois da canonização destes cônjuges venham muitos outros...

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