«É este o meu mandamento: que vos ameis uns aos outros como Eu vos amei», leitura orante do VI Domingo da Páscoa
A liturgia deste Domingo é rica em palavras de amor e sobre
o amor. Simples, mas extraordinárias. Parecem ser muitas e repetitivas, mas
existe acima de tudo o desejo de, no silêncio, deixar cantar dentro de nós o
próprio Amor. Nos dias de hoje, a palavra amor pode confundir-se nas nossas
mentes, uma vez que há tantas formas de amar: desde o simples desejo de amar ao
amor desinteressado; do amor materialista ao mais espiritual; do amor a si
mesmo até ao desprezo por Deus, ao amor de Deus até ao desprezo de si mesmo.
O convite é a andarmos mais além: as palavras que Jesus
dirige aos seus discípulos são palavras dirigidas também a nós, ao nosso tempo;
o convite a renovar a Aliança fundada sobre o Amor. Por iniciativa de Deus que
imprimiu e fez sentir o amor ao longo da história humana é o mesmo amor
concretizado em Jesus que nos deixa o seu mandamento: continuar a amar ao modo
de Deus, mas como Ele amou, até ao dom total de si mesmo. Eis a raiz de toda a
nossa vida cristã (agir, pensar, falar): amar como Ele nos amou.
Evangelho segundo S. João (10, 11-18)
“Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Assim como
o Pai me amou, também Eu vos amei. Permanecei no meu amor. Se guardardes os
meus mandamentos, permanecereis no meu amor, assim como Eu tenho guardado os
mandamentos de meu Pai e permaneço no seu amor. Disse-vos estas coisas, para
que a minha alegria esteja em vós e a vossa alegria seja completa. É este o meu
mandamento: que vos ameis uns aos outros como Eu vos amei. Ninguém tem maior
amor do que aquele que dá a vida pelos amigos. Vós sois meus amigos, se
fizerdes o que Eu vos mando. Já não vos chamo servos, porque o servo não sabe o
que faz o seu senhor; mas chamo-vos amigos, porque vos dei a conhecer tudo o
que ouvi a meu Pai. Não fostes vós que Me escolhestes, fui Eu que vos escolhi e
destinei, para que vades e deis fruto e o vosso fruto permaneça. E assim, tudo
quanto pedirdes ao Pai em meu nome, Ele vo-lo concederá. O que Vos mando é que
vos ameis uns aos outros.»
SEGUNDA FEIRA
PALAVRA
Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Assim como
o Pai me amou, também Eu vos amei. Permanecei no meu amor.
Naquele tempo… mais um encontro que Jesus tem com os seus
discípulos; mais uma palavra de afeto e de amor em relação aos seus; mais um
chamamento a viver a partir do amor. O mesmo amor vivido com Pai e manifestado
ao longo da sua existência. Naquele tempo… a partilha da alegria e da doação de
tudo o que tinha: o amor do Pai.
MEDITAÇÃO
Jesus sabe que dentro de nós, trazemos uma grande
necessidade de amor: necessidade de sermos acolhidos como somos, de nos
perdermos nos braços da ternura quando estamos longe de casa, de sermos
acompanhados com estima e simpatia principalmente quando caminhamos nas
perigosas encruzilhadas da vida; necessidade de autêntico afeto, sem medida e
sem interesse. Unirmo-nos a Ele, no amor do Pai, é permanecermos unidos à
videira, à vida que nos unifica por dentro, que sacia a nossa sede e fome de
verdade e justiça.
ORAÇÃO
Senhor, só Tu podes ensinar-me a linguagem do amor.
Só Tu, podes responder às minhas necessidades mais profundas
de amor.
Quero permanecer no Teu amor, unir-me a Ti e fazer o que
agrada ao Pai.
Na minha oração da manhã direi no silêncio do meu ser:
Como o Pai me amou, Eu vos tenho amado, permanecei no meu
amor, permanecei no meu amor.
Ao longo do dia repetirei as vezes que forem necessárias.
AÇÃO
Hoje, se a palavra convida- me a permanecer no amor:
procurarei ser sinal e expressão desse amor no encontro com as pessoas da minha
escola, universidade ou local de trabalho.
TERÇA FEIRA
PALAVRA
Se guardardes os meus mandamentos, permanecereis no meu
amor, assim como Eu tenho guardado os mandamentos de meu Pai e permaneço no seu
amor.
Quem vive unido a Jesus, guarda os seus mandamentos e
permanece no seu amor, é fiel. Viver como Jesus viveu, é experimentar a
fidelidade de Deus que desde sempre nos amou. Jesus acima de tudo faz-nos
contemplar a fonte do amor, a mesma fonte que lhe dá a plenitude e a alegria
total, isto é, a vida de Deus.
MEDITAÇÃO
Jesus sente-se amado pelo Pai, experimenta sobre si mesmo o
amor gratuito e forte, vive em constante e plena comunhão com Ele. Aprendeu de
Deus Pai a amar e corresponde com espírito dócil e concreto. Esta experiência
de comunhão, de agapé, Jesus quer passá-la para o concreto da nossa existência,
pois o Amor oferece-nos a riqueza da vida que ultrapassa os nossos méritos,
porque é dom. Se permanecemos no Amor, Jesus é Vida em nós; Ele atua em e através
de nós: anuncia a Boa Nova ao pobre, ama, cura, enxuga as lágrimas. Permanecer
no Seu Amor é agir segundo o Amor. Que outra coisa se pode esperar de um
discípulo de Cristo? Que observe os seus
mandamentos, assumindo a mesma paixão pela humanidade, o mesmo amor gratuito e
salvador por todos os homens.
ORAÇÃO
Senhor Jesus, Filho muito amado do Pai,
ensina-me a linguagem inefável do amor.
E como criança pequena, que eu aprenda
com os factos e os gestos concretos de cada dia
a grande lição de viver do Amor.
AÇÃO
Hoje permaneço na proximidade das relações, no sorriso que
faço, na escuta atenta das alegrias e tristezas das pessoas que comigo se
encontram; hoje permaneço na serenidade do diálogo e na partilha da vida que me
habita.
QUARTA FEIRA
PALAVRA
Disse-vos estas coisas, para que a minha alegria esteja em
vós e a vossa alegria seja completa. É este o meu mandamento: que vos ameis uns
aos outros como Eu vos amei.
Das palavras de Cristo chega-nos ao coração a união que Ele
vivia com o Pai, assim como a fidelidade aos seus mandamentos. A força desta
união e a observância dos mandamentos leva à plenitude da alegria. A alegria
que nasce do amor só pode ser uma alegria autêntica e duradoura. Como dizia
Madre Mazzarello «A alegria é sinal de um coração que ama muito o Senhor». Se
amarmos como Ele amou perceberemos esta alegria.
MEDITAÇÃO
Se vivermos o amor como o vive Deus e como vive Jesus, a
nossa alegria será estonteante, porque manifestará a plena realização da nossa
vida. A alegria de que nos fala Jesus não toca a dimensão da renúncia da
felicidade, como alguns pensam quando se fala em questões religiosas e de vida
cristã. Como se o permanecer em Cristo fosse a maior infelicidade que existe à
face da terra. E quantos não nos olham de lado!
A alegria que nos é proposta é a da união com Ele e com o
Pai, a mesma vida de comunhão que os une, mesmo que passe pela dor e pelo
sofrimento. Porque a verdadeira morada do cristão, não é um mero espaço ou um
lugar, mas o próprio amor de Cristo; n’Ele vivemos, crescemos e agimos. E qual
é o seu mandamento? É doar-se totalmente à humanidade até à morte de cruz. É o
COMO Jesus amou que muda a nossa qualidade de querer bem e resgata a nossa
experiência de amor. O amor é mais do que emotividade, espontaneidade, sexo; é
um acto de liberdade de quem se dá para que outro tenha vida.
ORAÇÃO
No silêncio da manhã ou da noite rezo com calma o salmo 97,
agradecendo ao Senhor a alegria de ser fruto do seu amor:
Cantai ao Senhor um cântico novo
Pelas maravilhas que Ele operou.
A sua mão e o seu santo braço
Lhe deram a vitória.
O Senhor deu a conhecer a salvação,
Revelou aos olhos das nações a sua justiça.
Recordou-se da sua bondade e fidelidade
Em favor da casa de Israel.
Os confins da terra puderam ver
A salvação do nosso Deus.
Aclamai o Senhor, terra inteira,
Exultai de alegria e cantai.
AÇÃO
Hoje, apostarei numa presença que irradia alegria. Farei de
cada instante, não um momento de alegria vã, ilusória e balofa que derivam do
egoísmo e da procura do próprio interesse, mas um momento de manifestação de
Deus.
QUINTA FEIRA
PALAVRA
Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a vida pelos
amigos. Vós sois meus amigos, se fizerdes o que Eu vos mando. Já não vos chamo
servos, porque o servo não sabe o que faz o seu senhor; mas chamo-vos amigos,
porque vos dei a conhecer tudo o que ouvi a meu Pai.
S. João na sua primeira carta escreve: «Nisto consiste o
amor: não fomos nós que amamos a Deus, mas foi Ele que nos amou e enviou o seu
Filho como vítima de expiação pelos nossos pecados.» Jesus traduziu plenamente
a vontade do Pai ao amar-nos de modo tão radical: colocar-se na nossa pele,
unindo-se a nós com tal intensidade, ternura e amizade ao ponto de dizer
«Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a vida pelos amigos»
MEDITAÇÃO
Jesus veio para que conhecêssemos em profundidade o mistério
que nos faz compreender a imensidão do amor de Deus por nós. Jesus deseja que o
discípulo partilhe tudo com Ele e sinta que é chamado a uma extraordinária
missão, aquela reservada apenas aos amigos. Para Jesus, somos sempre amigos,
mesmo quando, como Judas, não somos fieis à Aliança. É por todos os amigos que
Jesus está a disposto a dar a vida. Não somos servos ao serviço de um patrão,
que não conhecem o projeto ou só externamente o sabem e limitam-se a executar
ordens. Somos amigos, confidentes, que vivemos a comunhão de vida e partilha de
projetos. Jesus chama-nos amigos porque nos revelou o projeto do Pai e nos
chama a colaborar com Ele na realização do mesmo. O amigo não pede o que não dá
primeiro, não manda sem que não tenha feito a experiência. Olhando para Jesus
conhecemos o Caminho da verdadeira relação com Deus e entre nós. Lendo os
sinais entramos no mistério de um amor que deseja que cada um de nós se torne
«outro Cristo», a fim de que a Palavra tenha sempre voz.
ORAÇÃO
Na minha oração deste dia rezarei o Pai Nosso calmamente e
de cada frase farei uma pequena meditação.
Pai Nosso...
AÇÃO
Hoje, debruçar-me-ei durante algum tempo sobre o meu projeto
de vida. Analisarei a minha relação com Deus e com os outros: até que ponto dou
a minha vida para que o projeto de Deus se realize?
SEXTA FEIRA
PALAVRA
Não fostes vós que Me escolhestes, fui Eu que vos escolhi e
destinei, para que vades e deis fruto e o vosso fruto permaneça. E assim, tudo
quanto pedirdes ao Pai em meu nome, Ele vo-lo concederá.
Por iniciativa e gratuidade é a nossa eleição e salvação. O
Senhor escolhe-nos e destina-nos para que levemos o mesmo amor com a mesma
força que Ele ama e o fruto da entrega permaneça no mundo. Destina-nos a levar
o amor com a força da oração.
MEDITAÇÃO
Jesus escolheu-nos não para nos ligar a Si, mas para nos
enviar aos irmãos. Esta circularidade do amor é sinal que grita e quer
continuar a gritar a presença de Deus no mundo: Jesus que vive a perfeita união
com o Pai, introduz-nos nessa comunhão, para que bebendo da fonte, possamos ser
amor e tornar visível o rosto de Deus nas nossas realidades, até ao dom total
de nós mesmos. Como aconteceu com Jesus, como cristãos, devemos ter a coragem
de dar a vida pela Igreja. Este é o fruto da missão, da evangelização e do
testemunho e assim «todos os confins da terra podem ver a salvação do nosso
Deus». Ser cristão, não é uma filosofia mental. Não é uma ideia bela para se
partilhar: é vida. E a vida vive-se com as pernas, com os braços, com a mente,
com a palavra, no mundo, na escola, na família… por todo o lado e com todos!
ORAÇÃO
Senhor,
amar sem medida parece absurdo
e encontramos mil motivações
para nos justificarmos.
Amamos com facilidade
quem não nos dá trabalho
quem está longe
e não nos pisa os pés.
Testemunhar o amor gratuito é um grande desafio.
Dá-me, Senhor Jesus, o Amor que vem de Ti,
que tem como lei o amor oblativo.
Dá-me o Amor- dom- serviço- sorriso- partilha
que só Tu podes dar.
Faz, Senhor,
que o mundo saboreie o céu. Amén
AÇÃO
Hoje, viverei o meu ser enviado: as minhas palavras e
atitudes sejam reflexo da minha vocação ao amor; o olhar atento, o sorriso no
momento de tristeza, a mão estendida para as necessidades dos irmãos.
SÁBADO
PALAVRA
O que Vos mando é que vos ameis uns aos outros.
O amor é dado de mãos cheias para que cada um de nós
encontre em Jesus a plenitude da vida.
«O amor de Deus não conhece limites e confins de qualquer
espécie, mas supera o tempo e espaço. Ultrapassa qualquer barreira de raça, de
cultura, de nação e de fé. O agapé é eterna: tudo passa, mesmo a esperança e a
fé, mas o amor permanece sempre. Nem mesmo a morte o pode apagar, pois este é
mais forte que ela.»
MEDITAÇÃO
O convite é sempre antigo e sempre novo: viver a partir do
Amor. A capacidade de olhar o outro/ o irmão nos olhos e dizer-lhe «Quero-te
bem» mesmo quando não estamos de acordo sobre pensamentos e modos de fazer, é
sinal de quanto nos sentimos amados.
Amar, é capacidade de sairmos dos nossos esquemas e dos
nossos pontos de vista… amar é procurar e desejar o bem do outro. É uma
experiência que nos leva a transformar os inimigos em amigos, a ser e a viver
em comunhão com toda a criatura. «Quem não ama permanece na morte» (1Jo 3, 14)
e não «na casa» que é Cristo. A nossa fé manifesta-se no amor por Deus e pelos
irmãos. Se o amor não gera alegria não vem de Deus, fecha-se em si mesmo e não
cria reciprocidade e fraternidade. Se como cristãos deixamos morrer o fogo do
amor que Deus acendeu em nossos corações, o mundo morrerá de frio! Então será
bom questionarmo-nos: O que entendi do mandamento do amor? Como o vivo? Já
descobri qual a minha missão na Igreja?
ORAÇÃO
Senhor, Tu deste a vida pelos teus amigos: ensina-me a viver
como Tu viveste, para que seja bênção para os meus irmãos:
Senhor Jesus,
ajuda-me a difundir por toda a parte
o Teu perfume.
Inunda a minha alma
com o Teu Espírito e com a tua vida.
Invade-me completamente
e faz-me “mestre” de todo o meu ser
para que a minha vida seja sinal da tua.
Ilumina, servindo-te de mim
e toma-me de tal maneira
ao ponto de quem se aproxima
possa sentir a Tua presença em mim.
Permanece em mim.
Então resplandecerei e serei luz para os outros.
Mas esta luz terá a sua fonte
Unicamente em Ti, Jesus,
e de mim não sairá um único raio.
Louva em mim, Senhor,
e que esse louvor ilumine
quem está comigo;
Que eu não anuncie com palavras
mas com o exemplo das minhas ações
e do amor que o meu coração
recebe de Ti.
(Adaptado John Henry Newman)
AÇÃO
Hoje, procurarei querer o bem dos meus irmãos, mas sobretudo
darei pequenos passos para amar e querer bem aqueles que não estão tão próximos
de mim devido ao orgulho e aos conflitos gerados. Aproximar-me-ei de quem não
me é tão simpático, deixando que a graça e o amor de Deus trabalhem em mim e eu
possa viver do verdadeiro Amor.
Ir. Anabela Silva fma

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