Lectio divina da Solenidade de Pentecostes


Creio no Espírito Santo, Senhor e Dador de vida, que procede do Pai e do Filho, que com o Pai e o Filho recebe uma mesma adoração e glória, e que falou pelos profetas e conduz a Igreja à verdade completa, e a humanidade à santidade.

Comentário do Pe. Antonio Rivero, L.C., Doutor em Teologia Espiritual
Textos: Atos 2, 1-11; 1 Cor 12, 3b-7.12-13; Jo 20, 19-23

Um pouco de história do dogma sobre o Espírito Santo
De maio a julho do ano 381, o imperador Teodósio I reuniu em Constantinopla 185 bispos do Oriente e do Ocidente: 150 a favor e 36 contra o Espírito Santo. 
Os 36 diziam: O Espírito Santo não é Deus. 
Os 150 diziam: É Deus. 
O concílio disse: O Espírito Santo “cum Patre et Filio adoratur et conglorificatur” (recebe uma mesma adoração e glória com o Pai e o Filho) e, portanto, é Deus que procede do Pai e do Filho. 
Dito concílio condenou e excomungou, e o imperador desterrou e expropriou templos e impôs ao império o Credo Niceno-Constantinopolitano, o mesmo que hoje rezamos nas igrejas já faz 1400 anos.

O Espírito Santo tem uma longa biografia no Antigo e no Novo Testamento. 
Desde a primeira página do Génesis já se fala da existência eterna do Espírito que “pairava sobre as águas”. Ele foi quem equipou de fé o patriarca Abraão e o enviou como missionário a terras idolátricas; encheu de força Sansão, de astúcia Judite. O Espírito Santo fez visionário de acontecimentos futuros Isaías que anunciou a encarnação de Deus; o que ungiu David como rei; o que inspirou Ezequiel a promessa de Deus de tirar o nosso coração de pedra e de colocar em nós um coração espiritual. 
E digamos alguns episódios do Novo Testamento para não alargar a história: o Espírito Santo ilumina e convence Maria de Nazaré para ser Mãe de Deus; e conduz Jesus ao deserto; o que contagia e reveste os apóstolos de ousadia e de força para ir pelo mundo inteiro para pregar o evangelho, testemunhando a sua fé com o seu sangue. 

Haveria mártires sem o Espírito Santo? Haveria virgens que se consagrariam a Cristo em corpo e alma, sem o Espírito Santo? Haveria homens que deixariam tudo para se configurar com Cristo, Cabeça e Pastor, sem o Espírito Santo? Haveria leigos bem comprometidos com a causa da Igreja e da evangelização sem o Espírito Santo? Portanto, o Espírito Santo é o protagonista da história sagrada e eclesial, pessoal e comunitária. O Espírito Santo dirige os destinos da Igreja através de tantos séculos.         

Hoje, neste dia de Pentecostes, quero reafirmar a minha fé profunda e sólida no Espírito Santo, que é o Espírito de Cristo: espírito de justiça, dignidade, verdade, santidade, graça. E porque preciso Dele, eu creio no Espírito da Igreja com o seu programa de amor contra o egoísmo que campeia o nosso mundo, que o avassala e paganiza; da verdade eterna contra o erro aberrante e ensurdecedor; da virtude contra o pecado demolidor e camuflado. Eu creio no Espírito de Deus, que cada manhã fala com o meu espírito de homem e o aconselha, corrige, insinua, manda, proíbe, tonifica, ensina a saber pesar e distinguir bem estas coisas do coração, do corpo, das lágrimas e dos risos, dos estados terminais da alma, a glória, a eternidade e Deus.  

Para refletir
Como é a minha relação com o Espírito Santo no meu dia-a-dia? Inspira os meus pensamentos, purifica o meu coração, fortalece a minha vontade? Lança-me a pregar Cristo sem vergonha e com audácia e alegria?

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