O celibato opcional na Igreja Católica Maronita do Líbano

Foto: AIS :: seminaristas maronistas no Maronite Patriarchal Seminary, no Líbano
No Líbano, não há falta de vocações para o sacerdócio nem para a vida religiosa, e os responsáveis seleccionam com muita atenção os candidatos.

O sacerdote amigo que me foi buscar ao aeroporto de Beirute disse-me: «Ainda bem que o avião chegou a horas, ainda podemos participar na missa solene desta tarde na catedral de Jbeil.» Confessei a minha ignorância: «Que solenidade é hoje?» Enquanto o carro percorria a estrada que ladeia a costa do Mediterrâneo em direcção ao norte do Líbano, o padre Karam explicou-se que se tratava da festa anual de São Maroun, o patriarca fundador da Igreja Católica do Líbano que, por isso mesmo se chama Maronita. Chegámos apenas a tempo de cumprimentar o bispo e alguns membros do clero da diocese. Sobre a minha alba branca coloquei a estola própria do rito maronita. A solene eucaristia terminou com uma cerimónia em que todos, em procissão, vieram beijar com grande reverência o sagrado ícone de São Maroun.
Depois da Missa, participámos ainda num jantar de festa, num restaurante à beira-mar. Éramos três, os padres latinos (eu vindo de Roma, e dois outros colegas, um da Coreia do Sul e outro de Timor-Leste). Tiveram a gentileza de nos pôr numa mesa junto com outros três sacerdotes maronitas, dois deles acompanhados pelas respectivas esposas. A esposa do terceiro tinha ficado em casa a cuidar dos filhos ainda pequenos. Foi muito interessante a maneira como partilharam connosco as alegrias e as dificuldades das duas maneiras de viver o sacerdócio ordenado na Igreja Maronita: os sacerdotes que optaram por formar família, e aqueles que escolheram o celibato.
Três dias depois, aceitámos o convite do reitor do Seminário Maior de Beirute e fomos encontrar a comunidade dos seminaristas com os seus formadores. Que alegria, poder encontrar aqueles mais de cem seminaristas de Filosofia e Teologia. No Líbano, não há falta de vocações para o sacerdócio nem para a vida religiosa, e os responsáveis seleccionam com muita atenção os candidatos. Sentados no seu escritório, o reitor explicou-nos que a quase totalidade dos candidatos ali presentes concluíram os estudos universitários antes de pedir para entrar no seminário. Aqueles, poucos, que já são casados deixam a sua família de segunda a sexta e vivem no seminário para seguirem a formação sacerdotal. Entre os seminaristas solteiros, cerca de metade escolhem o celibato e, depois de terminar os anos de Teologia, deixam o seminário e inserem-se na vida pastoral da própria diocese para se prepararem para a ordenação diaconal e sacerdotal. Aqueles que se sentem chamados ao matrimónio regressam à própria diocese e constituem família. A ordenação de diácono e de sacerdote normalmente é possível cerca de cinco anos depois do matrimónio: é preciso que a família esteja estável de todos os pontos vista, que os primeiros filhos já estejam a crescer e que pelo menos o pai tenha emprego seguro para sustentar a família. É claro, dizia-nos o reitor, que a opção dos sacerdotes com família tem outras exigências, não é fácil cuidar de uma família e da paróquia ao mesmo tempo, mas é uma questão de vocação. Quando o Senhor chama, Ele também dá as forças necessárias para responder. 

Por: FERNANDO DOMINGUES, Missionário Comboniano, na revista Além-Mar, de abril 2015

Comentários