Padres casados ​​não seriam uma 'surpresa' para o arcebispo de Chicago


A possibilidade de ​​padres católicos casados foi parte de uma conversa franca e reveladora com Dom Blase Cupich, de Chicago, nos Estados Unidos. O arcebispo revela, em uma entrevista, que isso não iria surpreendê-lo.

O arcebispo lembrou que o Papa Francisco já disse às conferências episcopais de todo o mundo para considerar esse assunto e apresentar um relatório.

"Eu acho que o que o papa estava dizendo é que ele quer ter certeza de que não importa o que você faça desde que isso crie unidade dentro de suas próprias Igrejas, de seu próprio país", disse Cupich. "Não há nenhuma razão para tomar qualquer decisão que vá dividir a Igreja. A primeira marca da Igreja é a unidade e eu acho que é por isso que o papa disse: 'Vocês todos precisam se reunir primeiro e falar a respeito para ver qual o impacto que isso terá sobre sua Igreja, seja positivo ou negativo".

Quando perguntado se ele acredita que verá padres casados em sua vida, Cupich disse: "As previsões são difíceis de fazer, mas eu diria que considerando a forma como o Espírito Santo trabalha na Igreja, eu não me surpreenderia com nada".

Assuntos como os católicos de rito oriental da Europa e membros de outras denominações que já eram casados antes ​​de serem ordenados, entre outros, foram apenas uma parte de uma conversa que incluiu o papel crescente das mulheres e a inclusão de mais líderes leigos em geral, como parte de sua equipe de gestão.

O arcebispo prometeu ampliar a liderança da Igreja para além dos homens de colarinho clerical, começando com a nomeação de Betsy Bohlen como a "chefe de operações" da arquidiocese.

Quando lhe foi perguntado se sua nomeação é simbólica, ao mesmo tempo que também substantiva, Cupich disse: "Eu imagino que é simbólica no sentido de que eu dei uma palestra na última semana e quando eu mencionei isso, as mulheres se levantaram e aplaudiram. Isso é significativo".

Cupich disse que não acredita que haja qualquer contradição entre ter uma mulher no papel de líder da arquidiocese e o fato das mulheres não poderem ser sacerdotes.

"Nós podemos abordar toda a questão de separar o sacramento da ordem do poder ou da autoridade, que eu acho que tem sido associada por muito tempo ao estado clerical".

Entre seus primeiros desafios é lidar com o caso do padre Brenden Curran, removido na semana passada depois de alegações de uma relação sexual imprópria com uma mulher. Embora ter dito que ele poderia estar de volta a uma paróquia algum dia.

"Somos uma comunidade que perdoa e eu sei que há pessoas que foram reabilitadas e que se fortaleceram como sacerdotes depois de algum tipo de falha pública ou moral".

Cupich disse que a tolerância não é extensível aos que abusam de menores, "porque eu acho que você passa dos limites quando viola uma criança, quando você fere uma criança".

A reportagem é de Jay Levine, publicada no sítio da rede de televisão CBS Chicago, 05-05-2015. 
A tradução é de Claudia Sbardelotto.

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