Nunca serão os pensamentos e as palavras humanas que traduzirão este mistério da Santíssima Trindade. Porque a Santíssima Trindade é o nosso Deus. E se falamos de Deus, falamos de um grande mistério. Um mistério, que nos acompanha e abraça constantemente em todos os momentos da vida.
Todas as tentativas para açambarcar este absoluto redundaram em asneira terrível contra quem experimentou essas investidas. Este Deus é e basta. Já Moisés desejou uma definição concreta, mas não a teve. Basta o mistério e a definição indefinida, «o Eu sou Aquele que sou envia-te…». Face a esta vontade de Deus, contemplemos o mistério e deixemos a nossa vida mergulhar neste mistério indizível, único que nos é dado acolher.
Conta-se que alguém ao passear sobre um caminho de muita poeira reparou que se formavam atrás de si dois pares de pegadas na poeira, mas, nalguns momentos reparou que estavam atrás de si apenas um par de pegadas. Na sua oração, confidenciou esse episódio da sua vida a Deus. Deus respondeu-lhe que um dos pares de pegadas era Dele que o acompanhava sempre. Mas esta pessoa diz a Deus: «Mas para onde foste quando eu mais precisava de ti»? Porque, o segundo par de pegadas desaparecia quando ele sentia mais dificuldades e quando tinha mais problemas na sua vida. Deus respondeu-lhe: «Nessas ocasiões, Eu carrego-te ao colo»!
Deus é essa realidade que está sempre presente e que nos carrega ao colo quando as contingências da poeira da vida se tornam mais difíceis de suportar. É este Deus que nos desafia fortemente e constantemente para que se inflame a construção da vida à nossa volta, «se fores quilo que Deus quer, colocarás fogo no mundo», dizia Santa Catarina de Sena e São Francisco de Assis, concretizou, «onde há caridade e sabedoria, não há medo nem ignorância».
E são Basílio deixou bem claro que não existe outro Deus senão esse que se traduz na prática da vida e na realidade concreta do caminho. Diz assim: «Pertence aquele que tem fome o pão que tu guardas; àquele que está nu a capa que tu conservas nos teus guarda-vestidos; àquele que está descalço, os sapatos que apodrecem em tua casa; ao pobre o dinheiro que tu tens guardado. Assim tu cometes tantas injustiças quantas as pessoas às quais poderias dar».
Um pouco duro e inquietante. O Deus misterioso desafia-nos à prática da partilha todos os dias da nossa vida e a lutar por um mundo mais justo e fraterno.

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