Assim se expressou o Papa Paulo VI
sobre o diabo: “Uma potência hostil interveio. O seu nome é o
diabo, esse ser misterioso de quem são Pedro fala na sua primeira
Carta. Quantas vezes, no Evangelho, Cristo nos fala deste inimigo dos
homens? Nós cremos que um ser preternatural veio ao mundo
precisamente para perturbar a paz, para afogar os frutos do Concílio
ecumênico, e para impedir a Igreja de cantar a sua alegria por ter
retomado plenamente consciência dela mesma. Nós sabemos que este
ser, escuro e perturbador, existe verdadeiramente e que está atuando
continuamente com uma astucia traidora. É o inimigo oculto que
semeia o erro e a desgraça na história da humanidade. É o sedutor
pérfido e taimado que sabe se insinuar em nós pelos sentidos, pela
imaginação, pela concupiscência, pela lógica utópica, pelas
relações desordenadas, para introduzir nos nossos atos desvios
muito nocivos e que, porém, parecem corresponder às nossas fraturas
físicas e psíquicas ou às nossas aspirações profundas” (29
de junho de 1972).
O demónio existe...
e se não, perguntemos a Adão e Eva (1 leitura). Ele foi o
causante de que os nossos primeiros pais falhassem com Deus, o
desobedecessem. O demónio lhes inoculou o veneno da soberba e da
rebeldia, para ser autônomos e não depender de ninguém. Satanás
tocou neles o calcanhar de Aquiles “ser como deuses”,
isto é, sem ter que prestar satisfação para ninguém, ser
autossuficientes, donos de si mesmos. O processo que o tentado seguiu
com eles foi assim: entrou em diálogo com eles, inoculou-lhes a
dúvida da bondade de Deus, apresentou-lhes o mal como bem e eles
cederam, cegados pela soberba, ferindo e ofendendo Deus Criador e
Pai. E depois de cederem à tentação não assumiram a sua
responsabilidade culpando o outro. Deus, triste, teve que impor a sua
pena sobre os nossos primeiros pais para que eles se recapacitassem
da gravidade do pecado.
O demónio existe...
e se não, perguntemos a Cristo que teve que lidar com ele durante
toda a sua vida terrena. Jesus falou de Satanás muitas vezes. Mas,
sobretudo, teve que lutar contra ele. No inicio do seu ministério,
ali estava Satanás esperando-o no deserto para fazê-lo cair e assim
tergiversar a sua missão de Messias; não já um Messias de cruz e
infâmia, mas de glórias e honras. E como Cristo o venceu, o demónio
não se desanimou e esperou para outra oportunidade, quando Cristo
estivesse mais fraco humanamente falando, no Horto das Oliveiras.
Durante o seu ministério quantas vezes teve que lutar contra Satanás
e os demais demónios que tinham entrado em tantos corações
(Evangelho) e que o insultavam. Satanás se apoderou também da alma
traidora de Judas. Na cruz, foi Satanás quem gritava pela boca
odiosa daquele turista que por ali passava: “Se és o Filho de
Deus, desce da cruz”. Cristo veio ao mundo para derrotar
Satanás no mesmo campo de batalha onde ele tinha vencido: no homem,
desde que o criou. E Cristo ganhou e o derrotou com a sua paixão,
morte e ressurreição.
O demónio existe...
e se não, perguntemos à Igreja, à sociedade, e a nós mesmos.
Quem provocou tantas heresias, cismas ao longo dos séculos? Só
podia ser o grande provocador, Satanás, que tantas vezes colocou o
pé no meio do caminho. A nossa sociedade hoje em muitas partes
apostatou primeiro da Igreja, depois de Cristo, e agora de Deus.
Quantas leis iníquas estão promulgando em alguns Estados! Quem está
dirigindo esta sinfonia infernal se não for Satanás, príncipe
deste mundo como o chamou Cristo? Quem não foi tentado pelo demónio,
seja na carne, seja no espírito? Todos nós já fomos tentados por
esta força malévola, por este ser misterioso horrível, para
desobedecermos a Deus e passemos às suas filas
Para refletir
A demonologia é um capítulo muito importante da teologia
católica e que hoje em dia se descuida demais. Existe uma lacuna no
ensinamento da teologia, na catequese e na pregação. E esta lacuna
necessita e pede ser preenchida. Estamos diante de “uma das maiores
necessidades” da Igreja no momento presente. Quem tivesse previsto
isso? A catequese de Paulo VI sobre a existência e influência do
demónio produziu um ressentimento inesperado da parte da imprensa.
Uma vez mais, acusou-se a cabeça da Igreja – o Papa- de retornar
às crenças já superadas pela ciência. O diabo está morto e
enterrado! Isso é o que querem meter nas nossas cabeças. O Papa
Francisco também já falou várias vezes sobre o demónio: “A
presença do demónio está na primeira página da Bíblia e a Bíblia
termina também com a presença do demónio, com a vitória de Deus
sobre o demónio... Vigiemos sempre, pois jamais o demónio foi
expulso para sempre! Só no último dia” (Em Santa Marta, 13
de outubro 2014).
Para rezar
Rezemos a oração de são Bento: “Glorioso Padre Bento,
ajudai-nos na luta contra o demónio, o mundo e a carne. Afastai de
nós qualquer influência maligna, as tentações, o poder do Mal, os
perigos para o nosso espírito e para o nosso corpo. Ajudai-nos a
confiar no Amor de Deus nosso Pai, na Força de Cristo nosso
Salvador, e na Presença do Espírito Santo nosso Defensor. Amém.
Comentário à litutrgia do X Domingo Comum, por padre Antonio Rivero, L.C.

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