«Receber o dom do ministério ordenado, significa assumir a condição de servidor de Cristo e do Evangelho», disse D. Manuel Quintas, bispo do Algarve, na missa de ordenação sacerdotal

Foto © Samuel Mendonça
A Diocese do Algarve viveu ontem mais um dia dos mais significativos pela ordenação de um novo sacerdote, o padre Nelson Rodrigues, de 26 anos, natural da Conceição de Faro.

Na Eucaristia em Loulé, no santuário de Nossa Senhora da Piedade, popularmente evocada como Mãe Soberana, o bispo do Algarve lembrou ao ordinando que o texto do evangelho escutado oferece a “chave da fidelidade e fecundidade” do ministério a que agora foi chamado. “Só é possível acolher e exercer este dom através do amor sem reservas a Cristo, presente na consagração da própria vida e traduzido no serviço quotidiano em apascentar o seu povo”, advertiu D. Manuel Quintas.

“A eficácia e a fecundidade do nosso ministério não depende do muito que possamos promover ou realizar, mas sim da pureza da nossa fé, da intensidade do nosso amor a Cristo, da comunhão eclesial com o bispo, com o colégio presbiteral, da gratuidade do nosso serviço à Igreja, presente de tantas formas no nosso ministério, através de uma existência sacerdotal moldada ao estilo de Jesus”, prosseguiu o prelado.

D. Manuel Quintas, que começou por considerar que a diocese algarvia deveria estar com o “coração em festa, grato ao Senhor pelo dom deste novo presbítero para a Igreja”, lembrou ao ainda diácono Nelson Rodrigues que, ordenado sacerdote, seria “chamado a distribuir generosamente” o que lhe é concedido, sem o considerar como “propriedade” sua.

O bispo diocesano lembrou mesmo que, “no exercício do ministério, o mais importante não são os meios”, os “instrumentos” de que os sacerdotes se servem para o serviço ministerial que incluem as qualidades naturais desenvolvidas ou adquiridas ao longo do percurso vocacional. “A sua importância é proporcional à eficácia com que facilitam a compreensão, o acolhimento, o seguimento e a identificação com Cristo e com os valores do evangelho. É este o conteúdo da mensagem que deve ser acolhido e recordado e não o meio utilizado para a sua transmissão”, sustentou o bispo do Algarve.

Lembrando o que tem indicado o papa Francisco, relativamente ao modo de exercer o ministério, o prelado apontou as três atitudes que disse estarem “profundamente interligadas, exigindo-se e iluminando-se mutuamente”: “sair, acolher, servir”. D. Manuel Quintas apelou a uma “Igreja em saída que vive a tensão da missão” para “anunciar, testemunhar e contagiar”. “Perder esta tensão equivale a enveredar pela instalação e acomodamento, pelo caminho da infidelidade, contrário ao do Espírito que impele e envia, uma Igreja descentrada de si mesma para se centrar em Cristo”, advertiu.

Prosseguindo nas indicações não só para o novo sacerdote, mas também para os restantes presbíteros e demais membros da Igreja algarvia, o bispo do Algarve alertou que “o papa, o bispo, os presbíteros e os cristãos até mais comprometidos não podem considerar-se o centro da Igreja”. “O centro é sempre a pessoa de Cristo. É Ele que é o seu fundamento e a sua consistência”, destacou, sustentando que “só uma Igreja, constituída e servida por discípulos missionários, abertos à ação do Espírito, pode e há-de chegar a todos sem exceção”.

D. Manuel Quintas exortou para a necessidade de “privilegiar a pastoral do acolhimento e do encontro” para “acolher de modo a despertar para o acolhimento de Cristo” e lembrou o “sugestivo” gesto de Pedro narrado no evangelho, confrontado com um paralítico que pedia esmola. “Pedro não passa ao largo, abeira-se e inclina-se sobre ele, segura-o pela mão, dá-lhe o que tem, ou seja, anuncia-lhe Jesus Cristo. Depois ergue-o e ajuda-o a firmar-se nas pernas já curadas e a caminhar. É esta a atitude que deve estar presente em todos nós, particularmente em todos nós, particularmente, aqueles recebemos o dom deste ministério ordenado”, afirmou.

O bispo diocesano salientou que “receber o dom do ministério ordenado, significa assumir a condição de servidor de Cristo e do evangelho, até dar a vida se necessário for, à semelhança de Pedro e de Paulo”. “Apoiados em Cristo e dóceis ao dinamismo do Espírito, sentir-nos-emos, cada dia, impelidos a anunciar o evangelho com alegria, audácia, dedicação e um coração sempre cheio de esperança. Não deixemos, pede-nos o papa Francisco, que nos roubem a força missionária”, afirmou a terminar, antes de pedir aos jovens que não tenham medo de se consagrar a Cristo e a todos os presentes que não esmoreçam na oração pelas vocações e que louvem a Deus “com alegria e gratidão pelo dom deste novo presbítero”. “Acompanhemo-lo sempre com a nossa oração, a nossa amizade, o nosso apoio fraterno e, se for preciso também, com a nossa correção fraterna”, pediu.

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