«Suportai-vos - sede o suporte - uns aos outros com caridade», diz S. Paulo na Carta que leremos no próximo domingo
«Já ouvi por muitas vezes pessoas interpretarem de forma errada esta passagem bíblica em Efésio 4, 2 «suportai-vos uns aos outros».
Muitos interpretam a palavra "suportar" como "tolerar" e chegam ao cúmulo de dizer: " Não gosto de fulano mas suporto-o porque Deus manda!"Suportar é algo que está muito além desta concepção. Significa sustentar, estar debaixo de..., sofrer, etc. Creio que o exemplo de Cristo com a cruz às costas ilustra bem e melhor define o que verdadeiramente significa, suportai-vos uns aos outros...
Se nos remetemos ao Evangelho de Mateus, vamos encontrar uma alusão parecida com a de Paulo, feita por Jesus. "Dá a quem te pede, e não voltes as costas ao que deseja que lhe emprestes" (Mt 5, 42).
Reflexão de P.e José Luís Rodrigues, no blogue O BANQUETE DA PALAVRA
Nos tempos que correm este ensinamento tem muito que se lhe diga. E nunca é fácil de realizar. Porque a palavra hoje vale zero, as pessoas são muito inconstantes e são pouco sérias quanto aos valores que antes valiam ouro, hoje, pouco valem diante da sociedade obcecada pelo materialismo. Bom, uma infinidade de coisas que nos fazem pensar. Mas, a mensagem existe e serve para nos colocar diante da reflexão.
Ora vejamos, tantas vezes, ao sermos solicitados a ajudar certas pessoas necessitadas, inclinamo-nos a perguntar: "São cristãos? São sérios? O que fazem no dia a dia? Fumam cigarros? Passam os dias nos cafés? Vivem correctamente? Se não, por que os haveríamos de ajudar?"
Há uma velha alegoria judaica, mais ou menos neste teor: um dia Abraão estava sentado à porta da tenda, como tinha por costume, esperando hospedar estranhos, quando viu, caminhando na sua direcção, um homem de cem anos, todo curvado e amparado no seu bordão, fatigado pelos anos e pela viagem. Abraão recebeu-o bondosamente, lavou-lhe os pés, fê-lo sentar-se e serviu-lhe a ceia. O ancião comeu, entretanto, sem pedir a bênção de Deus nem lhe dar graças. Ao ser-lhe perguntado por que não adorava o Deus do céu, o velho disse a Abraão que adorava unicamente o fogo, e não conhecia outro deus. Diante desta resposta, Abraão no seu zelo, ficou indignado a ponto de mandar embora o velho da sua tenda, expondo-o às trevas, aos males e perigos da noite, sem protecção. Deus chamou Abraão e perguntou-lhe onde estava o estrangeiro. Ao que o patriarca respondeu: "Atirei-o para fora, pois não Te adora". Deus então respondeu: "Eu tenho-o suportado por mais de cem anos, se bem que ele me desonre, e tu não o pudeste suportar por uma noite, sendo que ele não te causou nenhuma perturbação?" Tendo em conta isto, diz a história, Abraão chamou o homem de volta, foi hospitaleiro com ele, e proporcionou-lhe sábias instruções.
Nada disto é fácil, mas juntando a nossa boa vontade à bondade infinita de Deus, quantos milagres destes pode ser possível realizar na nossa vida.»
E é depois destas considerações que S. Paulo escreve o que lemos neste XXIII domingo comum:
Ef 5, 21-32: «Irmãos: Sede submissos uns aos outros no temor de Cristo. As mulheres submetam-se aos maridos como ao Senhor, porque o marido é a cabeça da mulher, como Cristo é a cabeça da Igreja, seu Corpo, do qual é o Salvador. Ora, como a Igreja se submete a Cristo, assim também as mulheres se devem submeter em tudo aos maridos. Maridos, amai as vossas mulheres, como Cristo amou a Igreja e Se entregou por ela. Ele quis santificá-la, purificando-a no baptismo da água pela palavra da vida, para a apresentar a Si mesmo como Igreja cheia de glória, sem mancha nem ruga, nem coisa alguma semelhante, mas santa e imaculada. Assim devem os maridos amar as suas mulheres, como os seus corpos. Quem ama a sua mulher ama-se a si mesmo. Ninguém, de facto, odiou jamais o seu corpo, antes o alimenta e lhe presta cuidados, como Cristo à Igreja; porque nós somos membros do seu Corpo. Por isso, o homem deixará pai e mãe, para se unir à sua mulher, e serão dois numa só carne. É grande este mistério, digo-o em relação a Cristo e à Igreja.»
E é depois destas considerações que S. Paulo escreve o que lemos neste XXIII domingo comum:
Ef 5, 21-32: «Irmãos: Sede submissos uns aos outros no temor de Cristo. As mulheres submetam-se aos maridos como ao Senhor, porque o marido é a cabeça da mulher, como Cristo é a cabeça da Igreja, seu Corpo, do qual é o Salvador. Ora, como a Igreja se submete a Cristo, assim também as mulheres se devem submeter em tudo aos maridos. Maridos, amai as vossas mulheres, como Cristo amou a Igreja e Se entregou por ela. Ele quis santificá-la, purificando-a no baptismo da água pela palavra da vida, para a apresentar a Si mesmo como Igreja cheia de glória, sem mancha nem ruga, nem coisa alguma semelhante, mas santa e imaculada. Assim devem os maridos amar as suas mulheres, como os seus corpos. Quem ama a sua mulher ama-se a si mesmo. Ninguém, de facto, odiou jamais o seu corpo, antes o alimenta e lhe presta cuidados, como Cristo à Igreja; porque nós somos membros do seu Corpo. Por isso, o homem deixará pai e mãe, para se unir à sua mulher, e serão dois numa só carne. É grande este mistério, digo-o em relação a Cristo e à Igreja.»

Diante desta palavra, nos resta a buscarmos o silêncio, a meditação para saber que atitude tomar frente as riquezas que a palavra nos alerta neste dia. É difícel entender e colocar em prática mas a graça de Deus nos submeterá a vivê-la.
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