Neste domingo terminamos a leitura do capítulo seis de São
João, sobre o discurso eucarístico. E terminamos com as reações dos presentes
diante das palavras de Jesus: “Quem pode aguentar este discurso tão duro?”. É o
mesmo dilema que pôs Josué aos seus ao entrar na terra prometida: “Preferem
servir Javé ou os deuses falsos?” (1 leitura).
Na primeira leitura - Js 24, 1-2a.15-17.18 – é claro o
dilema: escolher entre Deus e os deuses estrangeiros… Os deuses “além do rio”
exigem menos, são mais cómodos, não proíbem isto ou aquilo; não impõem não
roubar, não matar e nem os restantes mandamentos.
A resposta do povo a Josué foi: elegemos a Deus!
Todavia, ao longo da história, o povo de Israel faltou
muitas vezes ao que tinha prometido.
No Evangelho - Jo 6, 63c.68c -, é Cristo quem pergunta aos
que o seguiam: quereis ficar comigo ou ir embora? De novo o dilema. O que Jesus
pedia aos seus não era fácil, porque supunha uma mudança de mentalidade e de
vida. São livres. Jesus vê alguns ir embora, assustados com as suas palavras.
Pedro, que tem uma fé e um amor enormes para com Cristo,
responde: “Senhor, a quem iremos? Tu tens palavras de vida eterna. Nós
acreditamos e sabemos que Tu és o Santo de Deus.»
Escolheram o Senhor Jesus para toda a vida e para morte…
Hoje, compete-nos a nós responder a Cristo: quem vamos
seguir: Ele e a sua doutrina ou o mundo com as suas propostas fáceis,
tentadoras e embriagadoras?
Nós já elegemos Deus no Batismo. Reafirmámos isso na Confirmação.
Alimentamos a escolha na Comunhão. Fecundamos a aliança em Cristo e pela Igreja
e pelo mundo, pelos sacramentos da Ordem e do Matrimónio. Somos instáveis?
Reconciliamo-nos pela Confissão e curamo-nos pela Unção.
Para refletir
Quem estou alimentando e seguindo na minha vida: o homem
velho e passional, ou o homem novo, que vive conforme o Espírito? Já optei por
Cristo e pelo seu Evangelho ou prefiro escutar e seguir as sereias deste mundo?
Cada quanto renovo as minhas promessas batismais?
Para rezar
Com Santo Tomás de Aquino quero rezar:
«Todo-poderoso e eterno Deus, aproximo-me do sacramento do
vosso Unigênito Filho, o meu Senhor Jesus Cristo, como enfermo ao médico da
vida, como manchado à fonte da misericórdia, como cego à luz da eterna
claridade, como pobre e mendigo ao Senhor do céu e da terra. Rogo, pois,
Senhor, a vossa infinita generosidade que digneis curar a minha enfermidade,
lavar as minhas manchas, iluminar a minha cegueira, enriquecer a minha pobreza,
vestir a minha desnudez, para que me aproximar para receber o pão dos anjos, o
Rei dos reis e Senhor dos que dominam, com tanta reverência e humildade, com
tanta contrição e devoção, com tanta pureza e fé, com tal propósito e intenção
como convêm à saúde da minha alma. Concedei-me, peço-vos, receber não só o
sacramento do corpo e do sangue do Senhor, mas também a graça e virtude do
sacramento. Benigníssimo Deus, concedei-me receber o corpo que o vosso Filho Unigênito,
o nosso Senhor Jesus Cristo, tomou da Virgem Maria, de tal maneira que mereça
ser incorporado ao seu Corpo Místico e ser contado entre os seus membros.»

Comentários
Enviar um comentário