«É bom haver grupos preocupados com a reforma da Igreja», Jacques Gaillot, bispo virtual de Parténia.
O bispo francês Jacques
Gaillot, demitido da sua diocese de Évreux (França), em Janeiro de 1995, foi recebido pelo Papa Francisco no Vaticano, no dia 1 de setembro.
Em entrevista à Agência France Press (AFP), disse que o
encontro com Francisco foi muito positivo.
Contou que disse ao papa: «Não vim pedir nada, mas uma
multidão de pobres está feliz por me ter recebido e sente-se reconhecida.»
«Falei-lhe dos doentes, divorciados, homossexuais. Disse-lhe
que estas pessoas esperam muito dele», acrescentou.
Gaillot, de 79 anos, confessou que se comoveu com a maneira tão
informal com que o pontífice o recebeu, em especial, a total ausência de
protocolo.
«É um homem muito livre livre. Perguntou-me se eu estava
acompanhado por um fotógrafo. Como não estava, ele levantou-se e tirámos uma
foto com o telemóvel», relatou.
O papa argentino, jesuíta de formação, costuma receber na
Casa Santa Marta, onde se aloja, figuras públicas que têm sido críticas da
posição oficial do Vaticano, para ouvir as suas ideias, mesmo se não as aprova.
Trata-se de gestos de reconciliação geralmente apreciado,
especialmente por parte dos setores mais progressistas, que, durante décadas,
encontraram fechados os portões do Palácio Apostólico.
Testemunho de quem esteve presente
«A audiência durou 45 minutos», relata Jean-Marie Guénois, no portal do jornal Le Figaro. E segue relatando: «Na minha carreira de jornalismo político eu nunca vi uma tal proximidade, autenticidade, simplicidade», testemuha Daniel Duigou, hoje padre e pároco de Saint-Merri, em Paris, que acompanhou o bispo Jacques Gaillot.
«Nós somos irmãos», disse o papa, iniciando a conversa, segundo Daniel Duigou, acrescentando: «O senhor é bispo de Partenia?» «Sim», respondeu Jacques Gaillot. «Já faz 20 anos que sou excluído, e isto é o meu passaporte para que eu esteja com os excluídos e os excluídos se reconhecem em mim. O senhor ao me receber, eles se sentem reconhecidos pelo senhor. Não é por mim que eu estou aqui, é por eles. Eles estão muito felizes. Obrigado!» «Muito bem», respondeu o Papa que acrescentou, segundo D. Gaillot: «Cristo bate à porte da Igreja mas não do exterior... do interior, para que abramos a porta para o mundo, para a humanidade. Ele quer sair!»
Em francês, língua usada na audiência. Francisco disse: «Os migrantes são a carne da Igreja.»
Quando o bispo lhe disse que não é convidado para participar na conferência episcopal, o Papa não fez nenhum comentário. Ele simplesmente disse: «Vá em frente continuando a fazer o que o senhor faz (pelos excluídos). Isto está bem.»

Entrevista a Jacques Gaillot (feita em 1997, por jornalista português)
Quer antes quer depois de ter sido forçado a deixar a sua diocese, Gaillot nunca abdicou do seu papel de bispo, de pastor, junto dos mais desfavorecidos: sem-abrigo, refugiados, pobres, desempregados, vítimas de tráfico humano estão entre as pessoas que ele vem apoiando desde há muito, quer pessoalmente quer na sua diocese virtual de Partenia (http://www.partenia.org), criada quando a Internet era ainda embrionária.
No livro Deus Vem a
Público (ed. Pedra Angular) António Marujo, jornalista, publicou uma entrevista com Jacques
Gaillot (na realidade, uma síntese de duas entrevistas feitas em Maio de 2007 e
Setembro de 1997, esta última realizada em conjunto com Manuel Vilas Boas). Ele partilha, a seguir o texto:
«Nascido a 11 de Setembro de 1935, Jacques Gaillot
esteve em Portugal em 1997 e 2007. Depois de ter sido forçado pelo Vaticano a
sair da diocese de Évreux, no Noroeste de França, em Janeiro de 1995, o bispo
foi nomeado como responsável de Parténia, uma diocese extinta no século VII.
Essa inexistência física levou-a a abrir uma página na internet, na
qual escreve um catecismo “alternativo”, troca correspondência ou facilita o
acesso a páginas de outras instituições e associações.
Pensa que foi uma razão política que levou o Vaticano
a demiti-lo de Évreux. Assumindo-se como um homem livre, Jacques Gaillot acusa
o então ministro do Interior francês, Charles Pasqua, de estar por detrás da
sua destituição. Gaillot era conhecido pelas suas posições polémicas sobre
temas como o preservativo, a homossexualidade, a pobreza, a exclusão, a falta
de habitação ou o desarmamento. Opiniões que o levavam a ser presença constante
na comunicação social, o que também não agradaria aos poderes – da Igreja e do Estado.
Ao contestar, num livro muito crítico, as restrições
que o ministro propunha na política de imigração, Gaillot assinou a própria
demissão. Sem desistir: abriu a página na internet e ali fala com toda a gente.
Com esta nova diocese “sem fronteiras”, voltar à sua diocese seria, agora, um
passo atrás.
Jacques Gaillot – que continua no activo como bispo e
sentindo-se parte da Igreja, ao contrário do que algumas pessoas possam
imaginar – fez o serviço militar na Argélia, o que o levou a interessar-se pela
não-violência. Ordenado padre em Março de 1961, trabalhou em várias estruturas
de formação, até ser nomeado bispo de Évreux em Maio de 1982.
Tem publicados dezena e meia de títulos, entre os
quais, em português, Conversas no Adro da Igreja (ed.
Notícias/Casa das Letras) e No que Eu Acredito (ed. Piaget).
Com que Igreja sonha?
Uma Igreja do terreno, da base, de homens e mulheres
abertos aos outros, que acolhem e trabalham com os outros. Cristãos e cristãs
que estão na metidos na massa humana, com outros. Os cristãos são o rosto de
pessoas que não suportam a injustiça, que se batem pela paz. E levam a
mensagem, o fermento do evangelho.
Esse desejo nasce também da sua experiência como bispo
de Parténia?
Sim, há muita gente que se sente excluída da sociedade,
da Igreja, mas que continua viva e a bater-se no interior dos organismos – da
Igreja ou não – e que transporta a esperança do evangelho.
Após estes anos depois da sua demissão de Évreux, que
balanço faz? Continua a sentir-se como bispo católico?
Agradeci a Roma o que vivo. Estou desligado de tudo o
que é institucional e decididamente com as pessoas. Se fosse bispo de Évreux,
não estaria aqui neste momento. Tenho esta possibilidade de estar com as
pessoas. Noutros tempos, eu tê-las-ia encontrado como podia, mas não era fácil
uma vez que era bispo. É para mim uma grande alegria, uma grande esperança. Não
pensava, na minha vida, fazer o que faço hoje.
Como olham hoje para si as pessoas?
Vêem-me como um bispo que, justamente, conheceu a
exclusão. E dizem: “Um bispo que é como nós, que foi posto de lado, tal como
nós. Perdemos o trabalho, somos desconsiderados – e há alguém da Igreja que é
como nós e pode compreender-nos.” Portanto, sou um sinal para muitos excluídos,
hoje. Se estivesse integrado, como bispo, numa diocese, não seria esse sinal
para tais pessoas.
Isso significa que continua a estar ao lado dos
sem-abrigo, dos marginalizados?...
Sim. Estou com os sem-papéis, com os que não têm
alojamento, com os presos políticos, com quem vive angustiado, que sobrevive na
sociedade. Depois de Évreux, é uma segunda viva, um segundo povo.
Os grupos que o apoiam são vistos como contestatários
da Igreja oficial. O que é mais importante nestes grupos: a contestação, a
reivindicação ou outra coisa?
Creio que é bom haver grupos, na Igreja, que estejam
preocupados pela reforma da Igreja: a democracia, o lugar das mulheres... Creio
que, para reformar a Igreja, é preciso estar ligado ao mundo da exclusão. É bom
que também haja grupos que, em relação à instituição Igreja, digam que não é
aceitável deixar as mulheres de lado, não haver práticas democráticas, etc. É
importante que esses grupos existam.
São grupos que colocam questões internas como o
celibato, a ordenação das mulheres, a moral sexual. São questões importantes
para discutir?
É bom que haja grupos para isso, mas não são as minhas
questões. As minhas são as questões da sociedade: a injustiça, a paz, a
ecologia. Mas é legítimo que haja cristãos que queiram a reforma da Igreja e
continuem a contestar. Sobretudo, se são cristãos inteligentes e muito
comprometidos, os bispos devem contar com eles.
Coloca a questão da sociedade porque é esse o grande
desafio para a Igreja e para os cristãos?
A Igreja é relativa à sociedade. Se não houvesse
sociedade, não haveria Igreja. A evolução profunda da sociedade faz com que a
Igreja deva mudar. A dificuldade para a Igreja de hoje é a modernidade. Tudo
está centrado no indivíduo, que é autónomo e que deve fazer o seu caminho, que
deve encontrar os seus valores, o seu sentido, que é responsável da sua vida. E
se lhe dizem que há uma lei natural, que diz isto e aquilo, ele não aceita numa
lei que vem de fora.
O indivíduo conduz a sua vida, isso é a modernidade.
Essa é uma das dificuldades da Igreja e da sociedade de hoje, em Espanha, em
Itália, etc., porque na modernidade o indivíduo tem direito à felicidade, à
realização de si mesmo, ser verdadeiro consigo mesmo.
Há igrejas protestantes que avançaram por esses
caminhos, mas também enfrentam crises profundas. O problema é a coerência dos
cristãos?
A santidade de uma Igreja – Católica ou Protestante –
é a sua ligação com os oprimidos, com os que são excluídos. Isso é o
importante. A Igreja nunca é ela mesma sem os pobres. O importante para a
Igreja não é que ela seja bem considerada pelos poderosos, pela gente
importante, é que ela seja verdadeiramente acolhida pelos pobres, pelos
pequenos. É essa a saúde, a força da Igreja
Pessoalmente, como se definiria: um bispo
contestatário, um cristão rebelde?
Não, sou um bispo, creio que fui libertado pelo
evangelho, fui seduzido pela liberdade de Cristo. Sou um bispo que não está aí
sobretudo por causa da doutrina, para chamar à lei, para defender a
instituição, mas para despertar as pessoas para aqueles que estão à beira do
caminho, aos que sofrem. São os seres humanos que estão em primeiro lugar.
Estou aí por eles.
Considera-se um desempregado da Igreja?
Nem pensar. Posso dizer-lhe que os meus dias estão bem
ocupados. E que, em Paris, estou com os excluídos: famílias sem alojamento,
jovens sem trabalho, estrangeiros sem documentação...
É esse o trabalho de um bispo?
O trabalho de um bispo é estar onde o povo sofre, onde
o futuro do homem está em perigo. Por isso é bom que eu esteja perto de outros,
junto dos excluídos.
O que pensa da utilização do preservativo? Foi também
um tema falado a propósito da sua demissão...
É uma questão que me parece secundária, perante o
problema da sida...
Apenas para a sida?
O preservativo é um meio de luta contra a sida. Há a
continência, há a fidelidade e há o preservativo. É preciso que cada um se
sinta responsável e tome os seus meios, na sua situação, para não semear a
morte e para respeitar a vida.
Mas o preservativo é também um meio de contracepção?
Não se deve tomar o preservativo como um meio de
contracepção, mas antes como esse respeito do outro e da vida. E acho esquisito
que a Igreja se fixe nesse aspecto. Esse deve ser um problema que deve ser
gerido simplesmente, colocando as pessoas perante a sua responsabilidade.
O que pensa do aborto?
Penso mal: o aborto é matar a vida, por isso sou
contra o aborto.
É um crime?
É um mal, é uma desgraça. Encontrei jovens raparigas
que tinham abortado e que me disseram: ‘É a pior coisa que pode acontecer a uma
mulher’. Mas admito que há situações de angústia, sobretudo de jovens mães, e
que se possa recorrer ao aborto. Em todo o caso, não se deve julgá-las. Penso
também que qualquer país possa tentar fazer uma lei para resolver este quadro
de miséria.
Quem deve decidir entre fazer ou não fazer o aborto?
Em primeiro lugar, os interessados.
Nas matérias de moral sexual, critica-se muito a
Igreja por se intrometer na vida privada. O que pensa disso?
Em geral, é verdade que a Igreja está demasiado
presente nas questões da sexualidade e seria melhor que estivesse mais no
terreno da justiça. Penso que o papel dos responsáveis da Igreja é, talvez,
esclarecer, as consciências das pessoas, de esclarecer um pouco as suas
decisões.
A homossexualidade não é aceite pela Igreja...
Há pessoas que são homossexuais. Existem e sofrem de
discriminação – na família, no trabalho, na religião. Isso deve interrogar a
Igreja, para que não os excluamos. Já há muitos excluídos na sociedade, é
preciso que a Igreja não faça o mesmo. Eu sempre defendi para que essas pessoas
sejam acolhidas na Igreja, sejam escutadas na Igreja, que tenham também o seu
lugar na Igreja.
Alguma vez presidiria a um casamento de homossexuais?
Nunca. Penso que é lamentável que se utilize a palavra
“casamento” para os homossexuais. Casamento tem por base um homem e uma mulher,
é o casamento da diferença, não é preciso utilizar este termo em relação aos
homossexuais. Isso não é favorável nem a uns nem a outros.
No Catecismo da Igreja reafirma-se o acolhimento às
pessoas, aos homossexuais, mas condena-se o acto. O que pensa disso?
Tento nunca julgar as pessoas, temos o dever de as
acolher. E se não as acolhemos, não podemos reclamar-nos do evangelho. É
preciso compreender o sofrimento, as suas dificuldades. É preciso que essas
pessoas possam viver e, também na Igreja, ter responsabilidades. Dizer que
alguém é homossexual é eximir-se a responsabilidades.
Na história, a Igreja defendeu a guerra justa. Há
alguma guerra justa?
Não posso juntar a palavra ‘justa’ à palavra ‘guerra’,
não é possível. Para mim é aplaudir o fogo. Portanto, não falaria de guerra
justa, e sempre estive contra a guerra...
Defende a não-violência...
Absolutamente. Foi durante a guerra da Argélia que
descobri a não-violência. Tornei-me um militante não-violento.
A não-violência é um princípio ainda praticável ou
trata-se de uma utopia que acabou com Gandhi e Luther King?
A não-violência não é alternativa à violência, que
tudo regulamenta. A não-violência é uma opção, não se decreta. É uma atitude, é
um espírito, é preciso que a maior parte possível das pessoas seja
não-violenta, para que se possa oferecer resistência. Dito isto, existem na
sociedade estruturas de violência que fazem com que estruturas injustas
suscitem reacções de violência. A miséria suscita situações de violência, mas a
violência do Estado e da sociedade existe primeiro. Se se suprimir esta
violência, talvez se suprima a outra.
A violência gera a violência e não tem solução, é um
impasse. Por exemplo, na Argélia: é claro que é o governo militar que está
relacionado com aquela violência. Não é possível que, em Argel, onde há tantos
quartéis, não se faça esta relação. A França apoia o governo argelino, vendendo
material militar. Temos coisas aqui a fazer: ao nível diplomático, comercial,
ou da venda de armas. É assim que se começa.
Tem uma página na internet. Isso é uma vingança do
silêncio que lhe foi imposto?
Estou na Internet porque fui aconselhado por amigos.
Diziam-me ‘É importante, porque se és bispo de Parténia, esse é o meio que te
convém’. Esse é um modo de comunicar, para mim muito interessante, porque assim
posso franquear todas as fronteiras...
... E comunicar no deserto?
O deserto está prestes a florir, porque por todo o
lado há comunicações que se estabelecem e comunicar é viver. Por isso, tento
fazer florir o deserto.
O direito de opinião existe na Igreja?
Há uma opinião pública na Igreja, é preciso que todos
os cristãos tenham oportunidade de manifestar a sua opinião.
Está de acordo com a ordenação das mulheres?
O que se passa na sociedade, hoje em dia, repercute-se
na Igreja. Há uma exigência feita por todos, pelas mulheres, para que haja uma
parceria homens-mulheres, tanto na sociedade como na Igreja. Estamos numa
Igreja onde os responsáveis são homens, celibatários e, muitas vezes, idosos. E
é uma batalha a ganhar, que haja mulheres investidas de responsabilidade. É uma
complementaridade, uma riqueza. Temos um ministério de modelo masculino, é
necessário inovar, é preciso procurar, mas isso acontecerá.
Quando?
Não sei, mas acontecerá. Talvez eu não o veja, mas não
se pára a maré que sobe.
O seu catecismo na internet é uma alternativa ao
Catecismo da Igreja Católica?
É uma outra abordagem, sim. Um bispo, normalmente, na
sua diocese, é convidado a fazer o seu catecismo. O Concílio de Trento pediu,
aliás, que cada bispo fizesse o seu catecismo. Então fiz o meu. Mas fi-lo,
partindo das perguntas das pessoas, não de categorias religiosas, dizendo ‘é
isto, imponho-vos aquilo’, mas construindo isso em conjunto, a partir da
experiência dos grupos, das comunidades, perguntando: ‘como fazeis?’ Portanto,
são pessoas de culturas diferentes, de países diferentes, que constroem em
conjunto. Depois se verá...
Há muitas pessoas que lhe escrevem através da
internet?
Sim, claro, são milhares de pessoas, sobretudo jovens.
O que lhe dizem?
Primeiro, manifestam-se felizes por comunicar. As
pessoas estão muitas vezes sozinhas, se são cristãos falam da Igreja e uma vez
que tenho internet, estão ali, em rede... Depois, sobretudo, põem questões
sobre o futuro, sobre a humanidade, a injustiça do mundo, do sentido da vida,
duma busca religiosa – há tantas religiões, as pessoas procuram...
O que pensa do celibato eclesiástico?
É um sinal importante dado por Jesus e pelo evangelho.
Para mim, é também um sinal importante que eu escolhi. Mas penso que, ao mesmo
tempo, para os padres, deve ser concedida a liberdade de escolher. Hoje, na
cultura, na evolução do mundo, é uma coisa que deve estar na liberdade de
decisão.
Qual é o futuro da Igreja?
O futuro da Igreja está em ela voltar-se para a
humanidade, para a sociedade. As questões prioritárias são as questões da
humanidade. A saber, as questões da injustiça, do combate pela paz, da
salvaguarda da criação. Esse é o grande objectivo: que as igrejas, na sua acção
ecuménica, se voltem nessa direcção.
E o seu futuro? Aceitaria regressar a uma diocese?
Estou bem como estou. Não tenho ambições pessoais. No
fundo, agradeço o que se passou comigo, pelo caminho que me foi dado, ao mesmo
tempo apaixonante e rude.»


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