«Pois também eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra
edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela»
(Mateus 16, 18)
Nenhum outro personagem neotestamentário causa tão profunda
impressão no coração do leitor bíblico quanto esse impulsivo pescador galileu,
cuja fervorosa devoção em servir seu Mestre o fez tornar-se um dos mais
destacados e celebrados obreiros do Evangelho em todos os tempos.
A relevância de Pedro para a história da Igreja se faz
sentir na própria ordem da lista dos apóstolos. Embora a sequência desses nomes
varie conforme as citações dos evangelistas, dois dos discípulos são sempre
apresentados na mesma ordem: o primeiro e o último. Se, para os autores
sinópticos, o lugar de ignomínia e vergonha pertence ao abjeto Judas Iscariotes,
por outro lado, a proeminência dentre os doze cabe a Simão, chamado Pedro (Mt
10, 2; Mc 3, 16; Lc 6, 14).
Jânio Santos de Oliveira
Presbítero e professor de teologia da Igreja Assembleia de Deus no Estácio
janio-estudosdabiblia@bol.com.br
http://esbocosdesermoesppegadores.blogspot.pt/2015/08/as-sete-virtudes-que-jesus-viu-em-pedro.html
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O impacto causado pela figura de Pedro ao leitor do Novo
Testamento obedece à razão direta de sua semelhança com cada um de nós, na
complexidade de nossas contradições e ambiguidades. A natureza de Pedro
assemelha-se a um turbulento redemoinho onde pululam as mais louváveis virtudes
e as mais repreensíveis fraquezas. Desse vigoroso pescador podia-se esperar
qualquer coisa, exceto um comportamento previsível diante dos desafios do
cotidiano. Por isso, suas reações a eles variavam desde a mais expressiva coragem,
como no andar sobre as águas tempestuosas do Mar da Galileia (Mt 14, 28-31),
até posições pusilânimes como a da noite em que, aos impropérios, negou seu
Mestre (Mt 26, 69-75).
"Muito se tem dito sobre o temperamento de Pedro. Ele
não era particularmente modesto, mas era frequentemente impositivo. Por vezes,
durante os primeiros dias da Igreja, Pedro pôs-se na vanguarda dos apóstolos,
falando como seu porta-voz. Embora mais tarde eclipsado em notoriedade por
Paulo, Pedro permaneceu firme na afeição da Igreja primitiva como o primeiro
dentre os mais notáveis cristãos.
Com uma rara combinação de coragem e covardia, Pedro
alternava momentos de grande força e lamentável instabilidade. Jesus dirigiu-se
mais a ele do que a qualquer outro de seus seguidores, tanto em louvor como em
repreensão. Nenhum outro discípulo foi tão diretamente admoestado por nosso
Senhor e nenhum deles jamais ousou advertir seu próprio Mestre como Pedro! Mas,
sob os ensinos, os exemplos e o treinamento de Cristo, o caráter impulsivo desse
galileu foi sendo gradativamente subjugado até, finalmente, após o Pentecostes,
tornar-se a própria personificação da fidelidade a Cristo.
Havia, entretanto, um fator remidor no caráter de Pedro: sua
aguda sensibilidade ao pecado. Em seu espírito, ele se mostrou extremamente
sensível e melindroso nesse particular. Foi ele quem disse: 'Senhor, retira-te
de mim; porque sou pecador' (Lc 5, 8). Pedro pecou tão gravemente quanto Judas.
Se este vendeu Jesus, aquele imprecou contra seu Senhor. Não há, pois, diferença
essencial nisso, exceto pelo fato de que Pedro se arrependeu e Judas não."
De facto, os elementos conflituantes que compunham o caráter
do apóstolo foram sendo, paulatinamente, adestrados e moldados por seu Rabi
que, qual domador que habilmente submete o cavalo selvagem, transformou aquela
personalidade paradoxal num líder que, séculos mais tarde, ainda é honrosamente
lembrado como um dos grandes campeões da cristandade.
Dentre todos os apóstolos apresentados no Novo Testamento,
Pedro é – ao lado de Paulo – aquele sobre quem mais relatos dispomos. Embora
parte dessas informações seja também procedente da história pós-bíblica, é nas
páginas dos Evangelhos que obtemos os elementos fundamentais para o traçado de
uma silhueta aproximada de sua personalidade como discípulo de Jesus Cristo.
A VIDA DO APÓSTOLO
●Nome original: Simão (Mt 10, 2), que parece ser uma forma
grega do nome hebraico Simeão (ouvindo), nome muito comum na época (Mc 6, 3;
14.3; Lc 7, 40; At 1, 13). Mais tarde, Jesus mudaria seu nome para Pedro (do gr.
Petros), ou Cefas (do aram. Kepha), cujo significado é pedra, rocha (Jo 1, 42,
1 Cor 1, 12).
●Filiação: Pedro era filho de Jonas, um pescador que vivia
na região da Galileia (Jo 1, 42; 21, 15-17; Mt 16, 16).
●Profissão: Assim como seu pai, Pedro era pescador,
profissão que geralmente exercia na companhia de seu irmão, André, e de outros
dois irmãos, Tiago e João (Mt 4, 18).
●Estado civil: Pedro era casado (Mc 1.30), e, do que podemos
inferir de alguns textos bíblicos, sua mulher o acompanhava sempre no seu
ministério itinerante (1 Cor 9.5).
●Terra natal: Pedro era natural de Betsaida – uma aldeia nas
praias nortenhas da Galileia, perto do Jordão, de fortes influências gregas. O
nome é aramaico e tem o sentido de casa de pesca ou então casa de pescadores.
Mas Pedro tinha também residência em Cafarnaum, na Galileia (Mc 1.21 ). Ambos
os lugares se situavam à margem do lago, onde ele exercia a função de pescador.
●Escolaridade: Pedro nunca frequentou alguma academia rabínica,
não teve educação especial em teologia e retórica, nem educação formal na lei
judaica, por isso era considerado homem sem letras ou indouto (At 4, 13).
●Posição socioeconómica: os filhos de Jonas, André e Pedro, trabalhavam
na pesca com o pai, embora tudo leva a crer que Simão tinha o seu barco
próprio. A pesca era um dos negócios rentáveis naqueles dias; possuir barcos e
redes para a indústria pesqueira não era para pessoas pobres e, portanto, estes
homens eram considerados classe média alta; possuidores de suas casas próprias
e viviam bem, para os padrões da época. A indústria da pesca era uma das mais
importantes naqueles dias.
●Início da vida apostólica: Quando Simão juntou-se aos
apóstolos, ele tinha trinta anos. Era casado, possuía três filhos, e vivia em
Betsaida, perto de Cafarnaum. O seu irmão, André, e a mãe da sua mulher viviam com
ele. Ambos, Pedro e André, eram sócios de pescaria dos filhos de Zebedeu. O
Mestre havia conhecido Simão há algum tempo, quando André o apresentou como o
segundo dos apóstolos. Naquele momento Jesus deu a Simão o nome de Pedro, e o
fez com um sorriso, para ser uma espécie de apelido.
CARÁCTER DE SIMÃO PEDRO
Simão era muito conhecido por todos os seus amigos como
sendo um companheiro impulsivo e errático. É bem verdade que, mais tarde, Jesus
deu importância nova e de maior significado ao apelido, conferido de uma
maneira tão imediata.
Simão Pedro era um homem impulsivo, um otimista. Ele havia
crescido dando a si próprio a indulgência de ter sentimentos fortes; estava
constantemente em dificuldades, porque persistia em falar sem pensar. Essa
espécie de descuido também trazia complicações, umas após outras, para todos os
seus amigos e condiscípulos, tendo sido o motivo para o Mestre, muitas vezes,
haver chamado suavemente a sua atenção. A única razão pela qual Pedro não
entrava em maiores complicações, por falar sem pensar, era que, desde muito
cedo, ele aprendera a conversar sobre muitos dos seus planos e esquemas com o
seu irmão, André, antes de aventurar-se a fazer propostas em público.
Pedro era um orador fluente, eloquente e dramático.
Era também um líder de homens, por natureza e por inspiração,
um pensador rápido, mas sem um raciocínio mais profundo.
Fazia, mais do que todos os apóstolos juntos, muitas perguntas
e, embora a maioria delas fosse de boa qualidade e pertinente, muitas eram
impensadas e tolas. Pedro não tinha uma mente profunda, mas conhecia muito bem
a própria mente. Era, por conseguinte, um homem de decisão súbita e de ação
rápida. Enquanto os outros, atónitos, faziam comentários de espanto ao verem
Jesus na praia, Pedro pulava na água e nadava até a praia para encontrar o
Mestre.
O traço que Pedro mais admirava em Jesus era a sua ternura
elevada. Pedro nunca se cansava de contemplar a paciência de Jesus. E nunca se
esqueceu da lição sobre perdoar a quem erra, não apenas sete, mas setenta vezes
e mais sete. Ele pensou muito sobre essas impressões, sobre o caráter do
Mestre, de sempre perdoar, durante aqueles dias escuros e tristes que se seguiram
imediatamente depois que ele, irrefletida e involuntariamente, negou a Jesus no
pátio do sumo sacerdote.
Simão Pedro era aflitivamente vacilante; ele ia subitamente
de um extremo a outro. Primeiro ele recusou-se a deixar Jesus lavar os seus pés
e então, ao ouvir a resposta do Mestre, ele implorou para que ele o lavasse por
inteiro. Mas, afinal, Jesus sabia que as falhas de Pedro vinham da sua cabeça e
não do coração.
Ele era uma das combinações mais inexplicáveis de coragem e
de covardia, como jamais houve na Terra. A sua grande força de caráter era a
lealdade, a amizade. Pedro amava Jesus, real e verdadeiramente. E, ainda a
despeito de ter uma força altaneira de devoção, ele era instável e inconstante
a ponto de permitir que uma garota serviçal o provocasse e o levasse a negar o
seu Senhor e Mestre. Pedro podia resistir à perseguição e a qualquer outra
forma de ataque direto, mas ele se desamparava e afundava diante do ridículo.
Era um soldado valente, quando enfrentava um ataque frontal, mas era um covarde
curvado de medo, quando surpreendido por trás.
Pedro foi o primeiro dos apóstolos de Jesus a adiantar-se
para defender o trabalho de Filipe com os samaritanos e o de Paulo com os
gentios. Entretanto, na Antioquia, mais tarde, ele inverteu a sua posição quando
afrontado pelos judaizantes que o ridicularizavam, retirando-se temporariamente
de entre os gentios, sem outro resultado a não ser trazer sobre a sua cabeça a
denúncia destemida de Paulo.
Ele foi o primeiro entre os apóstolos a confessar, de todo o
coração, reconhecer a combinação da humanidade e da divindade em Jesus, e o
primeiro — depois de Judas — a negá-lo.
Pedro não era tanto um sonhador, mas ele não gostava de
descer das nuvens do êxtase e do entusiasmo dos seus deleites teatrais, para o
mundo da realidade simples do dia-a-dia.
Ao seguir Jesus ele ficava, literal e figurativamente, à
frente da procissão ou então rastejando na última fileira — “seguindo de longe
e por trás”. Entretanto, ele era o pregador mais notável dos doze; ele fez mais
do que qualquer homem, a não ser Paulo, para estabelecer o Reino e enviar os
seus mensageiros aos quatro cantos da Terra, em uma só geração.
Após negar intempestivamente ao Mestre, ele caiu em si e,
com o apoio compassivo e sensível de André, ele tomou de volta o caminho das
redes de pescaria, enquanto os apóstolos permaneciam estáticos à espera de
saber o que viria depois da crucificação. Quando ficou totalmente seguro de que
Jesus o havia perdoado e de que tinha sido recebido de volta ao aprisco do
Mestre, o fogo do Reino queimou de um modo tão brilhante dentro da sua alma,
que ele se tornou uma luz grande e salvadora para milhares de almas na
escuridão.
Depois de deixar Jerusalém, e antes de Paulo tornar-se um
espírito de liderança para as igrejas cristãs dos gentios, Pedro viajou
extensivamente, visitando todas as igrejas da Babilónia até Corinto. Ele
visitou muitas igrejas e ministrou até mesmo naquelas que haviam sido erigidas
por Paulo. Embora Pedro e Paulo tivessem temperamento e educação muito diferentes,
até mesmo em teologia, eles trabalharam juntos e harmoniosamente, nos seus
últimos anos, para a edificação das igrejas.
Um pouco do estilo e dos ensinamentos de Pedro é mostrado
nos sermões parcialmente transcritos por Lucas e no evangelho de Marcos. O seu
estilo vigoroso foi mais bem representado na sua carta conhecida como a
Primeira Epístola de Pedro; ao menos isso é verdadeiro antes de haver sido ela alterada,
posteriormente, por um discípulo de Paulo.
Todavia, Pedro persistiu no erro de tentar convencer os
judeus de que Jesus era, afinal, real e verdadeiramente o Messias deles. Até o
dia da sua morte, Simão Pedro continuou a padecer mentalmente da confusão entre
os conceitos de Jesus, enquanto Messias judeu, de Cristo como o redentor do
mundo e do Filho do Homem, enquanto uma revelação de Deus, o Pai cheio de amor
por toda a humanidade.
A esposa de Pedro era uma mulher muito capacitada. Durante
anos ela trabalhou satisfatoriamente como membro do corpo feminino e, quando
Pedro foi expulso de Jerusalém, ela o acompanhou em todas as suas jornadas às igrejas,
bem como em todas as suas excursões missionárias. E, no dia em que o seu
ilustre marido teve a vida ceifada, ela foi atirada às bestas selvagens na
arena de Roma.
E assim este homem, Pedro, um íntimo de Jesus, um dos que
fizeram parte do círculo interno do Mestre, partiu de Jerusalém, proclamando
com poder e glória as boas-novas do Reino, até que a plenitude da sua
ministração tivesse sido alcançada; e ele se considerou como um digno recebedor
de altas honrarias quando os seus captores informaram-lhe que ele deveria morrer
como o seu Mestre tinha morrido — na cruz. Dessa forma Simão Pedro foi
crucificado em Roma.
A Bíblia salienta os traços principais do caráter de Pedro,
os quais iam se revelando em suas ações.
a) Impulsivo – suas reações eram pusilânimes (Mc 1, 29; Mt 4,
20; 14, 28-29; 17, 1-13);
b) Egoísta – Pedro demonstra seu egoísmo ao se preocupar
consigo mesmo (Mt 16, 18-22).
c) Interesseiro – Sua preocupação era com sua satisfação
pessoal (Mt 19, 27).
d) Soberbo – para Pedro, tudo o que ele fazia era “o
melhor”(Mt 26, 33)
f) Inconstante – O mesmo Pedro de diz “Tu és o Cristo, o
filho do Deus Vivo”, na mesmo capítulo chama Jesus à parte e repreende-o por o
mestre está falando sobre sua morte e ressurreição (Mt 16, 22). Antes havia
recebido um elogio (Mt 16, 18), agora, uma repreensão (MT 16, 23).
Pedro era um homem sincero. Desde os primeiros instantes em que
esteve com Jesus, Pedro mostrou-se uma pessoa transparente e verdadeira, como
no momento em que, maravilhado pelo milagre da pesca maravilhosa, prostrou-se
aos pés do Mestre e confessou-se pecador, pedindo-lhe que se afastasse dele.
Pedro era dinâmico. Dinamismo é qualidade daquele que é enérgico,
ativo, bem disposto, que tem iniciativa. Foi com essa disposição que Pedro
decidiu sair do barco e ir ao encontro de Jesus por sobre as águas, levantou-se
contra os homens que intentavam prender seu Mestre e cortou a orelha de um
deles, e, no dia de pentecostes, teve a iniciativa de sair do cenáculo e pregar
o primeiro sermão, arrebatando quase três mil almas.
Pedro era um homem volúvel. Uma pessoa volúvel é alguém instável,
que gira facilmente; numa linguagem bem prosaica, alguém que, quando não é
oito, é oitenta. No capítulo 16 do evangelho de Mateus, vemos uma sequência de
fatos que mostra bem essa realidade. O homem que ainda há pouco tinha dado lugar
para Deus usá-lo, agora dava lugar para o diabo (vv 16, 17, 22, 23). O mesmo
homem que arriscou a sua vida para salvar seu Mestre, arremetendo-se contra
seus algozes, e feito a promessa de que iria com Ele até a morte, mais tarde,
nega-O diante de uma criada (Jo 18, 10, 17, 25-27). Ou, o mesmo que inicialmente
não aceitava que Jesus lhe lavasse os pés, agora diz ao Mestre: “Senhor, [lava]
não só meus pés, mas também as mãos e a cabeça” ( Jo 13, 6-9). Que extremos!
Pedro era impulsivo e impetuoso. Impulsividade é qualidade
de alguém que reage irrefletidamente sob as emoções do momento. Pedro era
guiado por uma forte impulsividade, conforme podemos ver nos casos já citados,
quando ele cortou a orelha de Malco, ou então, quando prometeu que iria com
Jesus até à morte, se preciso, sem nem sequer ter ideia da grandeza da promessa
que estava fazendo ou dizendo.
JESUS CONHECIA BEM PEDRO
Jesus conhecia muito bem essas e outras qualidades de Pedro,
quando o chamou para o ministério. O mestre via além das fraquezas daquele
homem: visava as suas potencialidades. Para citar o lugar comum, vale lembrar
que Deus não chama capacitados, mas capacita os chamados. A ousadia,
impulsividade e dinamismo de Pedro seriam muito úteis quando a serviço de Deus
(At 1, 13.15; 2, 4). Antes disso, todavia, Pedro passaria por uma experiência
que foi decisiva para uma transformação profunda no seu caráter.
O GRANDE FRACASSO E A RENOVAÇÃO DE PEDRO
Pedro nega a Jesus. No capítulo 26 do evangelho de Mateus
está registada a mais importante e mais amarga experiência da vida de Pedro.
Por três vezes ele negaria seu Mestre. Logo ele que havia prometido ir com
Jesus até à morte, se preciso (v 35).
O galo começa a cantar. Imediatamente Pedro lembra o que
Jesus havia dito, e qual não foi sua dor quando, naquele mesmo momento, Cristo
o olha de forma penetrante. Só lhe resta chorar, chorar amargamente. Era a
tristeza segundo Deus, que opera o arrependimento para a salvação (2 Co 7, 10).
Ali Pedro é despido de todo sentimento de orgulho, prepotência e superioridade
que o caracterizou nos três anos de discipulado.
Começava a conversão de Pedro.
Procurado por Jesus. Os dias que se seguiram à morte de
Cristo foram sombrios para Pedro. Ele ainda podia ouvir o cantar do galo e ver
o olhar penetrante de Jesus. Os pensamentos que campeavam sua cabeça eram de
desilusão, frustração e pesar.
Negar seu Mestre, não, aquilo seria irreparável. De repente,
as mulheres lhe trazem a notícia de que Jesus havia ressuscitado e mandara um
recado para ele: “Mas ide, dizei a seus discípulos [de Jesus] E A PEDRO que ele
vai adiante de vós para a Galileia; ali o vereis como ele disse” (Mc 16.7). Ali
começava a restauração de Pedro. Mais tarde, Jesus lhe aparece, ressurreto, em
circunstâncias desconhecidas (Lc 24.34).
Foi no mar de Tiberíades que se deu o último estágio da restauração.
João conta que, mesmo depois de todas as experiências que tivera com o Senhor,
Pedro resolve voltar à pesca (cap 21). Alguns dias se haviam passado desde que
Jesus aparecera pela segunda vez aos discípulos no Cenáculo – naquela ocasião,
Ele lançou em rosto a incredulidade de Tomé (Jo 20.27).
Junto com Tomé, Natanael, Tiago e João, Pedro tem uma ideia que
revela mais uma vez a inconstância de seu caráter. Ele diz: “Vou Pescar”.
Naquela noite, nada apanharam. De manhã, Jesus aparece na praia, mas não é, a
princípio, reconhecido por eles.
Foi João quem primeiro percebeu que era Jesus e abriu os
olhos de Pedro: “É o Senhor” (v7). Quando Simão Pedro reconheceu Jesus,
cingiu-se (estava nu) e lançou-se no mar. Na praia, depois de jantarem, Jesus
se dirige a Pedro com a seguinte Pergunta: “Simão, filho de Jonas, amas-me mais
do que a estes?” “Sim, Senhor; tu sabes que eu te amo”, respondeu Simão.
“Apascenta as minhas ovelhas”, continuou Jesus. Simão seria questionado mais duas
vezes com a mesma pergunta. Pela terceira vez, ele responde, agora
entristecido, “Senhor, tu sabes tudo; tu sabes que te amo”. “Apascenta as
minhas ovelhas”, Jesus lhe pede pela terceira vez.
Pronto: Pedro estava restaurado, convertido, transformado; pronto
a ir até à morte por Jesus. Tanto é que, logo em seguida, o Senhor vaticina
sobre o tipo de morte que Pedro teria, com que glorificaria a Deus (vv 18,19).
«AS SETE VIRTUDES QUE JESUS VIU EM PEDRO ANTES DA SUA
CONVERSÃO»
1. Um homem de ação
Para entendermos a impetuosidade deste discípulo, precisamos
conhecer sua história. Pedro era um Galileu, e todo Galileu tinha a reputação
de serem independente e enérgico. Isso às vezes, os faziam parecerem
turbulentos, mas eles tinham um caráter franco. Embora fossem impetuosos, eram
também mais simples e transparentes do que os seus irmãos do sul. Pedro era
ativo e seu modo de agir era muito rápido. Às vezes agia sem pensar muito!
Quando Jesus andou sobre o mar, ele pediu para andar também, e foi o único a
ter essa experiência! Quando Jesus estava sendo preso, Pedro foi o único que
agiu tentando ajudar Jesus, embora acabasse cortando a orelha direita do servo
do sumo sacerdote (Mt 26, 51; Mc 14, 47; Lc 22, 50; Jo 18, 10).
Foi repreendido por Jesus, mas sua coragem nos
impressiona!!. Se prestarmos atenção em Pedro, vamos notar que ele participou
muito ativamente do ministério de Jesus aqui na Terra. Ele estava em todas as
ocasiões, mesmo quando era para dar vexame, como negar Jesus! Mas, e os
outros?!. Para onde fugiram os outros? É bem provável que se os outros
discípulos estivessem na mesma situação de Pedro, quem garante que eles também
não teriam negado Jesus! Na verdade, todos eles negaram, pois fugiram, se
escondendo. Pedro foi o único a ter a coragem de aparecer!
Nas histórias de Pedro, podemos ver que ele cometeu vários
erros. Apesar de sua proeminência e entusiasmo, Pedro ainda era um ser humano
imperfeito, mas muito atuante. Deus gosta de usar pessoas de “ação” na sua
obra. Ele prefere que erremos tentando acertar, de que ficarmos parados,
imobilizados ou engessados. Deus precisa de pessoas motivadas, que saibam
influenciar, e de serem atuantes na sua obra! Deus quer pessoas “ativas”. Que
sejam ativas na igreja, no lar, na vizinhança, no trabalho, na faculdade, e em
todos os lugares onde o nome de Deus precisa ser exaltado! Ser ativo não
significa falar muito ou querer aparecer. É deixar a passividade de lado e usar
os dons que Deus lhe deu para engrandecer a obra de Cristo.
2. Um homem de coração humilde
Diz a Bíblia, que certo dia Simão, André, Tiago e João
tinham tido uma fraca noite de pesca. Jesus apareceu de repente e, subindo para
o barco de Simão, ordenou-lhe que lançasse as redes. Ele assim o fez, apanhando
muitos peixes que acabou enchendo dois barcos. Foi um milagre feito perante
Simão. O discípulo maravilhado lançou-se aos pés de Jesus, dizendo: “Senhor,
ausenta-te de mim, que sou um homem pecador” (Lc 5.8). A confissão de Pedro
indica que ele reconhecera a obra de Deus por intermédio de Jesus. Pedro na
condição de pescador, não merecia estar na presença de Jesus, por ser Santo.
Jesus jamais afasta o pecador que reconhece sua condição miserável!
Pedro era um homem forte, vigoroso, arrojado, mas também era humilde para
reconhecer suas fraquezas! A sua humildade foi que o diferenciou de Judas.
Pedro poderia ter tido o mesmo fim de Judas, mas sua humildade sobressaiu, e
ele pode ser reintegrado ao seu chamado. Muitos de nós nos assemelhamos a Pedro
em suas fraquezas, mas dificilmente gostamos de nos assemelharmos a ele em
humildade.
O problema é que quando vemos Jesus mais claramente, também
nos vemos na mesma medida. Sua santidade expõe nossas imperfeições; sua
perfeição revela a nossa pecaminosidade.
Você um dia já considerou no seu coração, ser menor do que
os outros? Você seria capaz de tolerar uma humilhação? Já sentiu prazer em
lidar com gente bem humilde?
Deus usa, com maior força, pessoas humildes como Pedro, que
têm coragem de assumir seus erros. O orgulho é um dos maiores obstáculos que
Deus enfrenta para atingir o coração de alguém. É o maior empecilho para fazer
dos cristãos pescadores de homens.
3. O arrependimento de Pedro foi sincero
Pedro tinha negado o seu Senhor no momento de maior
necessidade e humilhação de Cristo. O seu arrependimento foi sincero, pois
demonstrou isso quando se entristeceu verdadeiramente pelo ato que cometera, e
não pelas conseqüências. Seu arrependimento mostrou que o Espírito Santo podia
trabalhar em seu coração e mudá-lo. Foi quebrantado por seu pecado. O seu
pecado foi por ter usado palavras impróprias, e não o pecado de cobiça como foi
o de Judas.
Pedro estava totalmente arrependido e disposto a recomeçar!
Esse atributo é o selo dos verdadeiros cristãos! Todos os seres humanos são
pecadores, a grande diferença está no arrependimento, e não na quantidade de
pecados! Se comparar Davi e Saul vai notar que os dois cometeram grandes
pecados! Talvez alguns até julgassem Davi mais pecador, pois adulterou e matou
um dos seus melhores homens: Urias, para ficar com sua esposa. Mas o segredo de
Davi foi o arrependimento, assim como foi o de Pedro também.
Esse texto nos dá uma dimensão interessante sobre o outro
lado do arrependimento.
É bom sabermos que sem arrependimento ninguém será salvo.
Você tem essa virtude? Pois é, você sabia que tem muita gente no meio
evangélico que nunca se arrependeu de ter sua língua refreada? Fala o que não
deve, ou o que não convém dizer, mas fala! Você sabia que tem pessoas que não
sabe perdoar? E que não pede perdão por ter errado?. Que fala palavras ásperas
num momento de raiva?
4. Um poderoso missionário
Pedro além de ativo, era zeloso, firme e intolerante. Jesus
viu nele um elemento útil para a sua igreja. Pedro foi chamado para ser “pescador
de homens” (Mt 4, 19).
Em Lc 22.32 - Jesus nos mostra que sabia que Pedro um dia
mudaria, e se tornaria um homem importante para a igreja primitiva.
Queridos, todos nós que afirmamos seguir Jesus, estamos na
mesma situação de Pedro. Recebemos oportunidades para fazermos a nossa escolha.
Principalmente a escolha de fazermos a obra do Senhor. Cada um de nós deveria
perguntar a si mesmo o que estamos fazendo com esta oportunidade que Jesus nos
oferece. O Senhor nos dá oportunidade de reconquistar a sua confiança, e
afastar do nosso coração a mancha de um dia termos negado o seu Nome.
Depois que Jesus morreu e ressuscitou iniciou-se a grande
obra de Pedro. Tornou-se um dos grandes missionários dos judeus e dos gentios!
Uma pedra de valor nas mãos de Deus. Houve um momento que Pedro entendeu que
tinha que sair de Jerusalém. Só depois de algum tempo em Samaria, é que ele
volta para Jerusalém para relatar à igreja os bons resultados de seu trabalho
(At 8.14-25).
Foi em Jerusalém que Pedro conhece Paulo pela primeira vez
após ter sido convertido (At 9.26-30). Deixa novamente Jerusalém e parte para
uma viagem missionária em Lida e Jope (At 9.32-43). É chamado para abrir a
porta da igreja cristã aos gentios, através da admissão de Cornélio de Cesareia
(At.10). Embora o livro de Atos, destaque mais as viagens de Paulo, Pedro
também viajou extensamente pela Antioquia (Gl 2.11), e Corinto (2 C1.12). Foi
quando ficou conhecido como o apóstolo dos judeus (Gl 2.8).
Quando Paulo se torna mais experiente na obra missionária,
passa a assumir um papel mais ativo na obra da igreja. A partir daí, podemos
perceber que o nome de Pedro foi relegado para um segundo plano na narrativa do
NT. Na vida de Pedro, podemos identificar e observar como Deus usa pedras
imperfeitas como nós. Pedro se destacou como um apóstolo humilde, mas de uma
capacidade missionária extraordinária! Esses ingredientes fazem parte da
receita de uma vida cristã saudável e digna de toda honra! Amados, creia, vocês
poderão também se tornarão uma “pedra” nas mãos de Jesus, onde Ele irá lapidar
e fazer de vocês uma “pedra” de infinito valor.
5. Um forte espírito de liderança
Quando lemos o NT, podemos perceber que Pedro sempre
“encabeça” a lista dos apóstolos nos relatos dos evangelhos. Junto a Tiago e
João é um dos três do círculo fechado de Jesus. Os Evangelhos com freqüência
retratam Pedro assumindo posição de liderança: faz perguntas, dá conselhos não
solicitados, salta do barco para se encontrar com Jesus, anda sobre as águas,
expressa convicção de que Jesus é o Cristo, afirma fervorosamente sua lealdade,
puxa a espada no Getsêmani, e briga com os que vieram prender Cristo.
O evangelho de Atos destaca Pedro como um líder inquestionável!
Pregou o primeiro sermão evangelístico na Igreja Primitiva (At 2),
corajosamente enfrentou o Sinédrio (At 4). Foi o primeiro a dividir o evangelho
com um gentio na casa de Cornélio (At 10). Foi ele que buscou a moeda do
tributo, na boca do peixe (Mt 17, 24-27). Junto com João, eram quem preparavam
a Páscoa para Jesus (Lc 22, 8).
Por isso, entendemos que os escritores do NT, o consideravam
como o mais importante dos doze. Ele não escreveu tanto como João ou Mateus,
mas surgiu como um apóstolo de forte liderança e grande influência na igreja
primitiva. No dia de Pentecoste, 120 seguidores de Jesus receberam o Espírito
Santo, mas a bíblia só registra as palavras de Pedro explicando o que estava
acontecendo naquele lugar (At 2, 14-40). Ele e João foram os primeiros a
realizarem um milagre depois de Pentecoste curando um paralítico na Porta
Formosa (At 3.11-11). Foi Pedro que censurou Ananias e Safira (At 5, 1-11). Foi
Pedro que sugeriu um novo apóstolo para o lugar de Judas (At 1, 15-25).
A missão de Pedro foi de grande importância junto aos
gentios (At 10). Interessante que os escritores do NT usaram quatro nomes
diferentes para Pedro. Um é o nome hebraico Simeon, que significa “ouvir” (At
15.14). O segundo era Simão, a forma grega de Simeon. O terceiro era Cefas,
palavra aramaica que quer dizer “rocha”. O quarto nome era Pedro, que em grego
significa “pedra ou rocha”. Os evangelistas do NT se referem ao apóstolo com o
nome Pedro, mais vezes, do que os outros três.
6. O coração de Pedro transformado e mais sensível à sua voz
Pedro foi um homem notável por sua sinceridade e forte
desejo de servir a Jesus em quaisquer circunstâncias. Com sua história, aprendemos
que Deus chama o homem, apesar dos seus defeitos, a fim de projetar nele o seu
caráter santo mediante a obra do Espírito Santo. Pois ele conhece a estrutura
de cada um de nós, sabe de nossas imperfeições e nos entende. Há, porém, uma virtude
que não pode faltar ao servo do Senhor: sinceridade. Se formos sinceros e
desejarmos realmente servi-lo com toda a dedicação, a porta estará aberta para
o Espírito Santo efetuar as transformações necessárias em nosso caráter.
7. A paixão e o zelo para com as verdades celestes
Ao convocar Pedro, André, Tiago e João, Jesus demonstra que
o chamado da evolução espiritual é austero, formal e irrecusável. Embora Pedro,
André e João, os discípulos pescadores, já seguissem a Jesus, em algumas de
suas viagens, desde quando saíram do grupo de João Batista. No entanto, seria
necessário um convite direto para que eles não mais tivessem qualquer dúvida
quanto à importância da missão que os aguardava. Eles percebem isso. Não mais
se dedicariam aos afazeres da vida profissional da pesca. Os seus funcionários
e demais familiares cuidariam do dever do sustento material. Jesus usa de uma
metáfora: “Segui-me e eu vos farei pescadores de homens”. Eles continuariam
sendo pescadores, mas de seres humanos. Passariam toda a existência retirando
as consciências humanas das profundezas das misérias físicas e morais.
Falta zelo quanto:
Leitura da Palavra o prazer de meditar, nosso tempo
disponível é ocupado com coisas banais nem vou citar a TV. Com isso crente enfraquecido
na fé, sem firmeza para enfrentar o inimigo.
Oração diária e constante, tempo de oração o fundamento da
vida com Deus. Crente que não gasta tempo em oração é candidato ao fracasso e
desânimo. Trocamos o poder pelo lazer
Testemunho vivo e alegre na comunhão com os irmãos, sinal
reciproco de que amamos a Deus, Jesus disse em João 14:21.
Nas atividades da Igreja. Esquecemos que a Igreja existe
para nossa participação, tempo de compartilhar com os irmãos gasta.
No companheirismo da vida cristã, não temos o prazer de
visitar una a outros.
Cultivar uma vida de quebrantamento diante de Deus.
Precisamos mudar o
rumo do nosso foco, em trocar o sagrado pelo profano, em deixar de zelar mais
pelas nossas coisas materiais do pela nossa própria vida com Deus.
O grande erro que temos cometido através da história cristã,
e não percebemos que se faz necessário, vivermos um zelo extremado a vida com
Deus.
Devemos nos espelhar nos mulçumanos, embora considerassem
sua prática de fé contrária a nossa, mas devemos admitir que eles vivem um zelo
que cada um de nós precisava viver.
Se não tivermos zelo não chegaremos a lugar algum, nem
jamais poderemos afirmar como Paulo, completei a carreira e guardei a fé.
PEDRO É TOTALMENTE TRANSFORMADO
Pedro no Pentecostes. Jesus já havia voltado para o céu.
Antes, porém, ordenou que os discípulos não se ausentassem de Jerusalém até que
do alto fosse revestidos de poder (At 1, 8). Cinquenta dias depois da
ressurreição de Jesus, acontece o cumprimento da promessa e os discípulos são
batizados com o Espírito Santo (At 2.1-5). Os sinais resultantes do batismo chamam
a atenção de judeus de todo o mundo que estão ali reunidos para celebrarem a
festa de Pentecostes e querem saber o que era aquilo. Pronto. Pedro, cheio do
Espírito Santo, levanta-se e prega o seu primeiro sermão com tanta ousadia e
destemor que quase três mil almas se converteram. Seu temperamento destemido,
impulsivo e ousado estava agora a serviço de Deus, sob total controlo do
Espírito Santo. Imaginem só alguém que negara Jesus diante de simples criados,
agora o confessando diante de grandes autoridades.
Pedro após o Pentecostes.
Os dois elementos que marcaram o ministério de Pedro: graça para
resistir à perseguição e zelo pela integridade da igreja.
a) Resistindo à perseguição. O homem inconstante que não conseguia
velar sequer uma ora em oração com seu Mestre, agora é um crente de constante
oração. E estava indo orar, juntamente com João, quando curaram um coxo à porta
do templo (At 3, 1-9).
Naquela oportunidade, Pedro pregou seu segundo sermão, resultando
na conversão de quase cinco mil almas (At 4, 4). O tumulto chamou a atenção dos
sacerdotes e dos capitães do templo, os quais conduziram Pedro e João ao
Sinédrio, o mesmo tribunal que julgara Jesus. Pedro agora está convertido, está
seguro e convicto, a ponto de defender com toda a ousadia a causa do Mestre e
regozijar-se por se haver digno de sofrer pelo seu Senhor (At 5, 42). Nem mesmo
os grandes intérpretes da lei judaica conseguiram calar o homem, muito pelo
contrário, ficaram impressionados com a sabedoria co que Pedro falava, sabendo que
este era homem indouto. Pressionado para que parar-se de pregar, Pedro se saiu
com esta pérola: “Porque não podemos deixar de falar do que temos visto e
ouvido” (At 4, 20).
b) Zelando pela integridade. A igreja recém-formada crescia
de forma impressionante. Grande era o entusiasmo entre aqueles primeiros
crentes. Ele vendiam suas propriedades e traziam aos pés dos apóstolos. É nessa
conjuntura que Pedro, como um líder na igreja, tem que lidar com os ardis de
Ananias e Safira, um casal que usou de falsidade para com a comunidade dos
santos. Eles venderam voluntariamente uma propriedade, a fim de que o dinheiro
fosse doado para a realização de obras sociais na igreja. Mas não entregaram o
valor combinado, guardaram uma parte, tentando assim enganar o homem de Deus. A
desonestidade do casal foi revelada a Pedro pelo Espírito Santo. Não, a igreja
não podia abrir aquela fissura logo de início. Pedro precisava tomar uma
posição. E agiu. Por uma questão de integridade – isso não se negocia –,
ministrou uma punição extrema – a morte - sobre Ananias e Safira (At 5.1-10).
É importante notar o papel de liderança desempenhado por
Pedro naqueles dias. Foi ele que sugeriu que se escolhesse um outro apóstolo
para preencher o lugar de Judas, o traidor, e que resultou na escolha de
Matias. Foi ele quem respondeu aos judeus atónitos o que significava os sinais
no dia de Pentecostes, quem se insurgiu contra a desonestidade de Ananias e
Safira; mais tarde daria palavra decisiva sobre os gentios, ordenando que não impusessem
sobre eles o jugo dos ritos judaicos (At 15, 7-10).

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