O Papa Francisco apelou à defesa da família, porque se trata
“do futuro que está em jogo”. No 8º Encontro Mundial das Famílias, que decorreu
de 22 a 27 de setembro, em Filadélfia, nos EUA, e que acentuou a evangelização
da “família no seu todo”, o Papa lembrou ainda que “um povo que não sabe cuidar
das crianças e dos avós é um povo sem futuro”.
“Sabeis do que Deus mais gosta? Bater às portas das
famílias. E encontrar as famílias unidas, encontrar as famílias que se amam,
encontrar as famílias onde crescem os seus filhos e os educam e seguem em
frente com eles, e criam uma sociedade de bondade, verdade e beleza”. Perante
1,5 milhões de pessoas que participaram no 8º Encontro Mundial das Famílias
(EMF), no parque Benjamin Franklin, em Filadélfia, nos EUA, o Papa Francisco,
na Vigília de sábado, 26 de setembro, lembrou as dificuldades por que muitas famílias
passam mas apontou a forma de superar “as discussões” e os problemas causados
pelos “pratos que voam”. “Nas famílias também, depois da cruz, há ressurreição,
porque o Filho de Deus nos abriu esse caminho. Por isso, a família é –
perdoai-me a palavra – uma fábrica de esperança; esperança de vida e
ressurreição, porque foi Deus quem abriu esse caminho”, afirmou Francisco.
Esperança e memória
De todo o mundo chegaram à cidade de Filadélfia, a quinta
mais populosa dos Estados Unidos, fortes testemunhos de famílias que
partilharam, perante todos, as suas dificuldades mas também a forma como foram
“abençoadas” com o matrimónio e com os filhos. Desde jovens noivos até avós,
com filhos e netos. A todos o Papa Francisco escutou atentamente e das suas palavras
tomou nota. Para todos se levantou para agradecer. Na noite em que se celebrou
a ‘Festa das Famílias’, e que contou com a atuação musical de Andrea Bocelli,
Aretha Franklin, entre outros, o Papa Francisco, no seu discurso, pediu um
“cuidado especial” para as crianças e avós. “As crianças e os jovens são o
futuro, são a força, aqueles que levam as coisas para frente. São aqueles em
quem colocamos a esperança. Os avós são a memória da família. São aqueles que
nos deram a fé, transmitiram-nos a fé. Cuidar dos avós e cuidar das crianças é
a demonstração de amor, não sei se maior, mas – diria eu – mais promissória da
família, porque eles prometem o futuro”, referiu o Papa, certo de que “um povo
que não sabe cuidar das crianças e dos avós é um povo sem futuro, porque não
tem nenhuma força e nenhuma memória para seguir em frente”. Antes do final do
seu discurso improvisado e em tom muito alegre, o Papa deixou um apelo:
“Cuidemos da família. Defendamos a família, porque nela o nosso futuro está em
jogo”.
Detalhes
Na Missa que encerrou o 8º EMF, que teve como tema ‘O amor é
a nossa missão: a família plenamente viva, o Papa Francisco pediu às famílias
“gestos” que, mesmo pequenos, possam fazer a diferença no dia-a-dia. “São
gestos de mãe, de avó, de pai, de avô, de filho, de irmãos. São gestos de
ternura, de afecto, de compaixão. Gestos como o prato quente de quem espera
para jantar, como o café da manhã de quem sabe acompanhar o levantar na
alvorada. São gestos familiares. É a bênção antes de dormir, e o abraço ao
regressar duma jornada de trabalho. O amor exprime-se em pequenas coisas, na
atenção aos detalhes de cada dia que fazem com que a vida sempre tenha sabor de
casa. A fé cresce quando é vivida e plasmada pelo amor”, referiu o Papa, na
homilia de uma celebração que considerou ser “profética” para o mundo. “Somos
tantos a participar nesta celebração e isto, em si mesmo, já é algo de
profético, uma espécie de milagre no mundo de hoje, que está cansado de
inventar novas divisões, novas rupturas, novos desastres. Quem dera que
fôssemos todos profetas!”, desejou o Papa, questionando se na casa de cada
família “grita-se ou fala-se com amor e ternura? É uma boa maneira de medir o
nosso amor”, afirmou Francisco, momentos antes de ser anunciado, pelo
presidente do Pontifício Conselho para a Família, D. Vincenzo Paglia, o nome da
cidade de Dublin, na Irlanda, como organizadora do próximo Encontro Mundial das
Famílias, em 2018.
Alvo da evangelização
Após regressar a Portugal, vindo da participação no 8º
Encontro Mundial das Famílias, o padre Rui Pedro Carvalho, diretor do Sector da
Pastoral Familiar do Patriarcado de Lisboa, contou ao Jornal VOZ DA VERDADE
quais as principais mensagens que sobressaíram das conferências e painéis
temáticos que reuniram dezenas de especialistas das temáticas relacionadas com
a família. “Foi dado ênfase, em primeiro lugar, à valorização do matrimónio: a
acentuação do vínculo e da aliança que Deus faz com os que se casam. Não é
apenas um que se entrega ao outro mas são os dois que se entregam a Deus, que
faz uma aliança com eles. Nesse sentido, tudo aquilo que é a preparação para o
matrimónio e a valorização de uma pastoral que o prepare foi realçado”, refere
o padre Rui Pedro.
Para este sacerdote do Patriarcado de Lisboa, a misericórdia
e o acompanhamento pastoral do matrimónio foram temas “largamente abordados”.
“É necessário reconhecer que a humanidade está ferida, está frágil. Por isso,
enquanto pastores, foi sublinhada a necessidade de acompanhar os casais
recasados, as pessoas inférteis, a fragilidade das famílias”. Na comunidade
paroquial, foi sublinhada a importância da “valorização da própria casa como
Igreja doméstica” e da “família como principal alvo da evangelização”. “Numa
das conferências, o conhecido teólogo católico Scott Hahn, um protestante que
se converteu ao catolicismo, apresentou-nos um estudo que diz que se ‘começar a
evangelização da família pelo filho, há uma probabilidade de 5% de convertermos
a família toda. Se começarmos pela mãe, a probabilidade é de 17%. Se começarmos
pelo pai, a probabilidade é de 90%’. Portanto, a família, enquanto todo, tem
que ser alvo da nossa evangelização. Não podemos ficar só na criança ou só na
mãe”, salienta o padre Rui Pedro Carvalho.
“A importância da família rumo a uma sociocultura mais
humana”
A uma semana da participação no Sínodo da Família, no
Vaticano, o Cardeal-Patriarca de Lisboa, D. Manuel Clemente, lembrou que a
próxima sessão do Sínodo, que começa este Domingo, 4 de outubro, vai incidir
sobre “a vocação e a missão da família na Igreja e no mundo contemporâneo”,
afastando assim a “pressão mediática” gerada pela opinião pública, em outubro
de 2014, para a discussão dos temas, como “o acesso dos divorciados recasados
aos sacramentos ou o acolhimento das pessoas com inclinação homossexual”. “Não
se há de esperar dum Sínodo de bispos católicos qualquer indicação contrária ao
ensinamento bíblico sobre o matrimónio, ou à complementaridade homem – mulher,
tanto para o matrimónio como para a vida em geral”, referiu o
Cardeal-Patriarca, numa conferência, em Fátima, nas Jornadas Nacionais de
Comunicação Social. Para o presidente da Conferência Episcopal Portuguesa,
“muito depende da família, rumo a uma sociocultura mais humana e solidária. O
envolvimento das comunidades cristãs na pastoral familiar – preparação atempada
do matrimónio e apoio constante a cada família – torna-se hoje absolutamente
decisivo, da Igreja para o mundo”, apontou.
Texto: Filipe Teixeira; fotos: D.R. | Publicado em «Voz daVerdade»

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