Seria um significativo enriquecimento espiritual se o Sínodo
tratasse o carisma do celibato justamente em concomitância com uma discussão
reservada ao modo absoluto de entender a indissolubilidade do matrimónio.
Opinião do filósofo e biblista Piero Stefani,
especialista em judaísmo e diálogo judaico-cristão.
O artigo foi publicado no sítio L'Indicedel Sinodo, 06-01-2015.
Na Igreja Católica de rito latino, o sacramento da Ordem
está ligado ao voto de castidade. Às vezes, acontece que o celibato não é
mantido. Em alguns casos, ocorre que a transgressão é normalizada (pense-se,
por exemplo, na redução ao estado laical).
A vida quotidiana dos chamados "padres casados" é,
por definição, em aberto contraste com os votos perpétuos por eles mesmos
expressados no passado. Mas isso, justamente, não impede que o casal viva de
maneira reconciliada com a Igreja e tenha acesso aos sacramentos.
Alessandra Costanzo, num livro seu recém-publicado (Ferite
da curare [Feridas a tratar], Ed. Arachne, Ariccia, 2015), observa
oportunamente a discrepância que existe entre esse modo de resolver a questão e
aquele que está em vigor no caso dos chamados divorciados recasados.
Nesta última situação, até agora a violação do pacto inicial
foi considerada como dotada de uma validade duradoura e incurável. Neste caso,
o ato de ter rompido a norma só é curável permanecendo fiéis ao fracasso do
matrimônio, ou seja, apenas se se vive em um estado de perene castidade.
Ao presbítero que tinha emitido o voto de ser célibe, é
permitido viver uma vida conjugal reconciliada, enquanto àqueles que tinham
feito a escolha matrimonial pede-se agora que vivam em castidade.
Seria um significativo enriquecimento espiritual se o Sínodo
tratasse o carisma do celibato justamente em concomitância com uma discussão
reservada ao modo absoluto de entender a indissolubilidade do matrimônio.
Desse modo, não só o horizonte eclesial teria um fôlego mais
amplo, mas também se chegaria ao coração de algumas especificidades próprias da
única tradição católica romana de rito latino.

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