«Quero ter o cego Bartimeu como mestre de oração: pedia esmola, mas quando Jesus passou, pediu o que realmente queria: ver.»
Na beira do caminho, está Bartimeu, humilde cego e mendigo, quem foi acomodar-se no justo lugar por onde deviam passar os peregrinos. Excluído da vida religiosa por causa da sua doença, estava sozinho. Espera captar mais esmolas.
Certas doenças – neste caso a cegueira – eram consideradas castigo de Deus. Os cegos, da mesma forma que outros doentes e mulheres, estavam dispensados de participar nas festas religiosas.
A rotina do cego e mendigo Bartimeu é quebrada – e quebrada para sempre – quando recebe a informação e se dá conta de que bem perto dele passa Jesus.
Comentário do P.e Antonio Rivero L.C. ao Evangelho do XXX Domingo Comum
Processo da libertação do cego
Primeiro, escuta o anúncio da passagem de Jesus. A fé vem
através do ouvido.
Segundo, o grito da fé: Bartimeu, reconhecendo Jesus como
Messias, clama misericórdia: «Começou a gritar: “Jesus, Filho de David, tem
piedade de mim”.» A sua oração tem como transfundo a oração penitencial do
salmo 51 (“miserere”, tende piedade), mas também a promessa messiânica de Isaías
35, 2-5: “Abrir-se-ão os olhos dos cegos”. Terceiro, superação dos obstáculos:
ademais das suas duas primeiras limitações, a sua cegueira e a sua pobreza,
repreendem-no para calar-se. Mas ele grita mais alto.
Quarto: Jesus chama-o.
Quinto: Ele despoja-se de tudo – atira fora o manto, e pula até Jesus. O mando é o maior bem de um pobre, a única coisa que lhe pertence (cf. Êxodo 22, 25-26), é a sua coberta para a noite, o seu abrigo para o frio, o seu recipiente para a esmola. O seu pulo (inaudito para um cego!) é um gesto de confiança total, expressão de apoio na palavra de Jesus.
Quinto: Ele despoja-se de tudo – atira fora o manto, e pula até Jesus. O mando é o maior bem de um pobre, a única coisa que lhe pertence (cf. Êxodo 22, 25-26), é a sua coberta para a noite, o seu abrigo para o frio, o seu recipiente para a esmola. O seu pulo (inaudito para um cego!) é um gesto de confiança total, expressão de apoio na palavra de Jesus.
Sexto: O encontro pessoal começa com uma pergunta de Jesus:
«O que queres que eu faça por ti?» E termina com a cura.
Bartimeu mudou completamente de situação: era cego e agora
vê, estava sentado na beira do caminho e agora está no caminho, estava sozinho
e agora está com Jesus e com o seu grupo. Também podemos supor que ao recobrar
a vista e incorporar-se à comunidade terá deixado de mendigar. E tudo termina
com o seguimento a Jesus. Agora Jesus tem um novo discípulo, que recebeu o dom
da vista e se caracteriza pela sua fé.
Para refletir
Meditemos este texto de São Gregório Magno: “Quem ignora o
esplendor da luz eterna, é cego. Contudo, se há crê no Redentor, então já está
sentado à beira do caminho. Isto, porém, não é suficiente. Se deixar de orar
para receber a fé e abandona as implorações, é um cego sentado à beira do
caminho mas sem pedir esmola. Somente se crê e, convencido das trevas que
escurecem o coração, pede ser iluminado, então será como o cego que estava
sentado à beira do caminho pedindo esmola. Seja que for que reconhecer as
trevas da sua cegueira, seja que for que compreender o que é esta luz da
eternidade que lhe faz falta, invoque desde o mais íntimo do seu coração, grite
com todas as energias da sua alma, dizendo: “Jesus, Filho de Davi, tende
compaixão de mim”” (Homil. In Ev. 2,2.8).
Para rezar
Quero ter Bartimeu como mestre de oração:
Ele sabia o que pedir, como pedir, onde pedir e não deixava que
lhe tapassem a boca, nem sequer pelos que estavam perto de Jesus.
Bartimeu pedia esmola, mas quando Jesus passou, pediu o que
realmente queria: ver. Quero ter essa franqueza e essa liberdade diante de
Deus, e lhe pedir o que realmente necessito para a minha vida.




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