Basta um homem bom


Tal como nos textos anteriores do Papa, o que encontraremos no seu pronunciamento sobre a Família é aquilo que é sempre antigo e sempre novo, a voz do Evangelho para os dias de hoje, o cuidado dos pobres, dos fracos e dos rejeitados, o sentido do Bem Comum, isso sim, numa linguagem quotidiana e próxima, vivida, carinhosa e sentida, a sua marca pessoal: ser e comunicar numa identidade só, no seguimento de Cristo.

Cristina Sá Carvalho | Rádio Renascença | 10 de novembro de 2015

No cristianismo "mudança" lê-se "exegese" e declina-se "inculturação". Mas dos espaços políticos e mediáticos talvez continue a esperar-se que a Igreja se comporte como um grande partido planetário, adaptando os princípios ideológicos (que não é) às vontades e aos fins dos poderes mundanamente disputados, mas tal expetativa não só tem por base um erro de julgamento como é uma infinita perda de tempo. 

O Papa esforça-se por passar "a mensagem", nunca renunciando às oportunidades de explicar o Evangelho, único programa da Igreja, cujos últimos ponto e parágrafo há muito estão escritos. E a orientação do seu mandato, já explicou inúmeras vezes, combina «somente» os desafios deixados pelo segundo Concílio do Vaticano com as indicações expressas pelo conclave que o elegeu. 

Quem escreveu que "basta um homem bom para haver esperança!" sabe bem o que significa um futuro e a missão de humanização do mundo que a Igreja tem como mandamento. Do mesmo modo não ignora que o único sound bite valioso é o do anúncio do amor gratuito e misericordioso de Deus.

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