1. É preciso sempre observar antes de falar
A linguagem não verbal exprime sempre as emoções e os
sentimentos. O olhar, as expressões faciais, a força das mãos, a procura ou o
afastamento do contacto físico e a aparência (roupa, cuidado pessoal, higiene,
etc.) falam por si.
É preciso fazê-lo sempre de forma natural e espontânea, o
que significa que estes momentos não têm de ser procurados, mas encontrados.
Observar não é descobrir, nem é aconselhável deduzir uma
resposta sem comprovar o que se observou.
E é preciso observar sempre com afeto, evitando expressar
emoções negativas, como temor ou desconfiança.
Por Dr. Jordi Sasot, psiquiatra infanto-juvenil, coordenador da Unidade de Paidopsiquiatria, e Rosa Mª Ibáñez, psicóloga infantil na Unidade de Paidopsiquiatría, em Ausonia
2. Ouvir permite-nos compreender
Como seres humanos temos tendência para falar e não nos
apercebemos de que temos dois ouvidos e apenas uma boca. Por algum motivo será!
Ouvir permite-nos conhecer o grau de empatia dos nossos
filhos adolescentes, ou seja, permite-nos saber qual é o momento mais adequado
para falar com eles.
O simples facto de ouvir, ouvir com interesse e atenção,
permite ao adolescente cair em si. Não deixamos de ser um espelho no qual se
refletem os seus pensamentos.
Utilizar os silêncios facilita a reflexão, sempre com
prudência e evitando os instantes de tensão.
Ouvir nem sempre requer respostas verbais, podemos utilizar
a linguagem não verbal para comunicar afeto e para facilitar uma melhor
expressão das emoções do adolescente.
3. Pensar é sermos nós próprios
Pensar significa analisar, analisar sem barreiras as ideias
e os pensamentos dos nossos filhos adolescentes.
Hoje em dia, pensar é, no fundo, lutar contra o mimetismo
que nos condiciona a fazer aquilo que os outros fazem, a fazer aquilo que nos
aconselham, quer livros quer especialistas, sem filtrar esta cultura multimédia
através da nossa experiência.
Para educar, os pais têm ser eles próprios. Ficariam
admirados se soubessem quantas pessoas opinam, mesmo academicamente, sem serem
pais ou sem terem filhos.
Os pais têm de ser eles próprios, porque a riqueza de que os
seus filhos andam à procura está na sua experiência.
4. A comunicação é um fator crucial para a educação
A comunicação é mais fácil com perguntas abertas que lhes
permitam alongarem-se nas respostas: “Conta-me mais sobre isto”, “Como te
sentiste?”.
Ir resumindo os pontos sobre os quais se fala ajuda a
focalizar os temas e a formar uma opinião.
É bom esclarecer afirmações ou expressões que ficam no ar e
que, sem explicação, dão lugar à dúvida ou à confusão.
Ao abordar temas complexos podemos usar afirmações que
promovam a discussão. Em casos ainda mais embaraçosos, podemos utilizar exemplos
de terceiras pessoas para permitir a projeção de ideias. Assim, por exemplo:
“Disseram-me que muitos jovens não usam preservativo. O que é que tu pensas
disto?".
Também é útil usar respostas que denotem um sentimento de
compreensão dos pais em relação aos problemas dos filhos adolescentes, por
exemplo: “Imagino que te tenhas sentido mal, ainda por cima sem poderes contar
nada a ninguém...".
Na educação o objetivo é sempre comunicar, não só informar.
Com os adolescentes é fácil cair no erro de nos limitarmos a transmitir
informação, que é sempre indispensável, mas muitas vezes insuficiente. Para
fazer isto é preciso encontrar os momentos e os lugares certos. Às vezes, é
mais fácil comunicar com os adolescentes em ambientes não familiares, em
terrenos neutros e independentes. E os momentos não são fáceis de encontrar,
mas existem e é sempre melhor partilhá-los. O interesse tem de ser mútuo, tem
de existir comunicação, a aprendizagem tem de ser sempre comum.
5. Falar é fácil nos momentos oportunos
A informação que os adolescentes atuais possuem é muito
completa, mas fica-se geralmente pelas formas, o que faz com que as dúvidas e
as contradições estejam sempre presentes. Falar corresponde fundamentalmente
aos pais, não à escola, que não deixa de ter um papel, mas secundário. Os pais
não se podem limitar a informar, a sua função fundamental é formar.
Assim, por exemplo, na educação sexual falar é incompatível
com delegar, quem se tem de encarregar da formação dos jovens são os pais, não
a escola. É preciso falar sobre anatomia sexual desde a fase pré-escolar e
sobre fisiologia antes de iniciar a adolescência, isto é, antes da puberdade.
Os adolescentes agradecem terem sido informados desde a
infância. Precisam de conhecer todas as suas alterações antes de elas ocorrerem
e, claro está, o porquê de tudo.
Embora aparentemente seja sempre melhor falar quando nos
pedem, porque o interesse é maior, nem sempre é assim. A vergonha também está
presente, e por conseguinte é frequente as primeiras perguntas não chegarem.
Para os pais isto nunca pode servir de justificação, porque
o seu dever é abordar estes temas. Assim, por exemplo, muitos pais têm
dificuldade em falar em termos diretos e pessoais sobre sexo com os filhos, o
que acaba por levar muitos adolescentes a interpretar o silêncio dos pais como
desaprovação.
Neste sentido, não só é importante falar sobre sexualidade
para que a nossa filha saiba previamente o que é a menstruação e as alterações
que introduz na sua saúde física e mental, mas falar sobre sexualidade no dia a
dia, como um aspeto fundamental do desenvolvimento do ser humano.
6. É preciso saber apoiar
Mais cedo ou mais tarde, muitos pais pensam em relação aos
filhos: “Às vezes gostava de virar costas e deixá-los, para que se
desenrascassem sozinhos".
Todos nós temos problemas quotidianos em que precisamos de
apoio pessoal. Há quem pense que é melhor guardar os problemas e resolvê-los
sem a ajuda de ninguém. Outros fazem uma fuga para a frente e ignoram-nos. Para
a saúde emocional é muito melhor partilhar os problemas com outras pessoas que
nos possam dar o seu apoio, pessoas com capacidade para ouvir com compreensão.
Ao partilharmos as emoções é mais fácil avançar e encontrar soluções para os
problemas.
É fundamental que os pais e os adolescentes identifiquem os
seus círculos de apoio, isto é, o ambiente pessoal que os pode ajudar a
superarem as suas dificuldades. Não esqueçamos que muitos adolescentes se
sentem isolados por não saberem quem os pode ajudar.
Os pais não podem esperar ser o principal ponto de apoio dos
filhos, mas é importante que estes saibam que, se quiserem, o podem ser. Muitas
vezes, o melhor apoio que se pode dar a um adolescente é incentivá-lo a tomar
as rédeas das situações, mas sabendo sempre que, se precisar dos pais, os poderá
encontrar.
7. Tolerar permite amadurecer
Nós aprendemos, fundamentalmente, com os nossos próprios
erros.
No desenvolvimento do ser humano há uma frase que adquire um
valor extraordinário durante a adolescência: “não há amadurecimento sem
crises”.
Os adolescentes devem escolher por si próprios as crenças,
os valores e as pautas de conduta que seguirão nas suas vidas. Nestas escolhas,
os amigos costumam ser a influência principal. É frequente os adolescentes
atravessarem momentos em que atiram “pela janela” todas as opiniões e valores
dos pais.
Tudo isto provoca aos pais uma grande inquietação, que pode
facilmente desajustar a dinâmica familiar.
Nestes momentos, é preciso saber estabelecer uma distância
que permita a reflexão. Uma distância controlada que permita o amadurecimento.
Aceitar as primeiras experiências dos nossos filhos
enriquece sempre as relações familiares. A tolerância bem entendida gera
confiança mútua, imprescindível na formação humana.
8. Limitar é impor algumas regras de jogo
Experimentar e correr riscos são partes fundamentais do
desenvolvimento do adolescente. Este precisa de descobrir do que gosta
verdadeiramente e quem realmente é.
Os comportamentos de risco na atividade sexual do
adolescente podem conduzi-lo a situações com consequências graves para o seu
futuro: a gravidez não desejada e as doenças sexualmente transmissíveis.
Os adolescentes precisam de que lhes sejam estabelecidos
limites. Mesmo que tenham de ser estabelecidos por negociação e mútuo acordo,
são necessários. Não esqueçamos que os adolescentes não gostam de pais
permissivos, que não lhes estabelecem qualquer limite, nem de pais
autoritários, que impõem limites rígidos sem apresentar explicações.
9. As regras do jogo na adolescência
Lembre-se que correr riscos é uma parte importante do
desenvolvimento adolescente, embora, por vezes, isso a preocupe ou a atemorize.
Assegure-se de que toda a família está bem informada.
Respeita o modelo que estabeleceu, sendo consequente com as
suas decisões.
Discuta os riscos procurando alcançar um acordo sobre aquilo
que o adolescente pode experimentar.
Negoceie e ceda, se for necessário.
E não se esqueça que limitar não traumatiza; pelo contrário,
educa, mais concretamente num dos segredos da vida: desenvolver a capacidade de
frustração.
10. Partilhar a intimidade é aproximar-se
Ao falarmos com a nossa filha ou filho adolescente,
especialmente no âmbito da sexualidade, é preciso saber utilizar uma delicadeza
especial. Não esqueçamos que a sua atividade sexual começa já a fazer parte do
presente, e não do futuro.
E por nisso necessita de um espaço de respeito e
privacidade, que é uma parte essencial do processo de consolidação da sua
identidade. Infelizmente, o facto de os pais tentarem descobrir as suas
opiniões e entender os seus valores é muitas vezes interpretado como uma intromissão
na sua vida.
Partilhar a intimidade requer reciprocidade nos momentos
oportunos. Que melhor oportunidade para fortalecer a relação pais-filhos do que
a possibilidade de falar abertamente sobre as nossas próprias vivências?
Partilhar com os nossos filhos as primeiras experiências ou os primeiros
desejos e emoções permite alcançar um nível de empatia que realmente estabelece
uma relação e educa.
Conseguir partilhar a intimidade na educação sexual é uma
das melhores formas de consolidar as relações pessoais entre pais e filhos.
Não é fácil, mas o esforço vale sempre a pena.

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