Terço pela paz
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1.º MISTÉRIO DOLOROSO
A agonia de Jesus no Horto
Entretanto, Jesus com os seus discípulos chegou a um lugar
chamado Getsémani e disse-lhes: ‘Sentai-vos aqui, enquanto Eu vou além orar.’ …
Depois voltou e encontrou-os novamente a dormir, pois os seus olhos estavam
pesados… Cheio de angústia, pôs-se a orar mais instantemente, e o suor
tornou-se-lhe como grossas gotas de sangue, que caíam na terra (Mt 26).
Meditação
Também nós, Jesus, na noite, fomos obrigados a abandonar as
nossas casas. Também nós, depois de escaparmos
ao mal, tivemos de abandonar o caminho seguro, com os gritos das crianças, a
confusão dos jovens, o choro dos idosos, com a amargura de deixar as nossas
casas, as nossas escolas e as nossas igrejas, para viver nos acampamentos de
refugiados, na pobreza e na indiferença. Nesta provação, sentimo-nos perto de
Ti e sentimos a Tua presença junto de nós. ConTigo, confiamos a nossa
existência e o nosso futuro nas mãos amorosas do Pai, e dizemos: “Meu Pai, se
este cálice não pode passar sem que Eu o beba, faça-se a tua vontade!” (Mt
26,42) Concede-nos a coragem para beber o cálice, na esperança da salvação e da
ressurreição conTigo e com todos os que sofrem no mundo.
Oração
Maria, nossa Mãe, o teu povo cristão sofre. Apesar da nossa
fé, fidelidade e sinceridade, fomos flagelados e perseguidos por causa da nossa
fé em Jesus Cristo, teu Filho. Será justo que o ISIS destrua as nossas terras e
se apodere dos nossos bens, que rapte as nossas filhas e os nossos jovens?
Hoje pedimos-te, ó Mãe Bendita, que abençoes os Cristãos da
nossa terra, o Iraque, que alivies os sofrimentos provocados pela violência e
pela perseguição racial e religiosa que nos expulsou das nossas aldeias e
casas.
2.º MISTÉRIO DOLOROSO
A Flagelação de Jesus
Aos que me feriam, apresentei as espáduas, e as faces
àqueles que me arrancavam a barba; não desviei o rosto dos ultrajes e dos
escarros (Is 50, 6).
Meditação
Virgem Maria, neste mistério, queremos participar na tua dor
e tristeza, que suportaste quando o teu Filho foi flagelado injustamente, por
falsos testemunhos, sem ter nenhuma culpa.
Maria, nossa Mãe, o teu povo cristão sofre. Apesar da nossa
fé, fidelidade e sinceridade, fomos flagelados e perseguidos por causa da nossa
fé em Jesus Cristo, teu Filho. Destroem as nossas terras, apoderam-se dos nossos bens, raptam as nossas filhas e os nossos jovens!
Oração
Hoje pedimos-te, ó Mãe Bendita, que abençoes os Cristãos da
nossa terra, o Iraque, que alivies os sofrimentos provocados pela violência e
pela perseguição racial e religiosa que nos expulsou das nossas aldeias e
casas.
3.º MISTÉRIO DOLOROSO
A Coroação de Espinhos
Os soldados do governador conduziram Jesus para o pretório e
rodearam-no com todo o pelotão. Arrancaram-lhe as vestes e colocaram-lhe um
manto escarlate. Depois, trançaram uma coroa de espinhos, meteram-lha na cabeça
e puseram-lhe na mão uma vara. Dobrando os joelhos diante dele, diziam com
escárnio: "Salve, rei dos judeus!" (Mt 27, 27-29).
Meditação
Depois de teres suportado a grande dor da flagelação, Jesus
Redentor, foste coroado de espinhos. Escarneceram-Te e bateram-Te na cabeça,
por teres dito que eras Rei. Os seus corações estavam repletos de ódio e os
seus olhos estavam cegos pelo rancor. Foste coroado de espinhos, Tu que
coroaste a criação com a glória do Céu, Tu que vieste semear o amor e a
misericórdia entre os homens.
Também nós, Cristãos do Médio Oriente, suportamos atualmente as dores da perseguição e da limpeza étnica e
religiosa, da solidão e do exílio. Bebemos o cálice da dor e do sofrimento, da
ofensa e da humilhação, e permanecemos em silêncio. Coroados de espinhos como o
nosso Mestre, esperamos participar no Seu sofrimento e na glória da Sua
ressurreição!
Oração
Intercede por nós, Virgem Maria, para que não façamos o Teu
Filho sofrer mais, para que não voltemos a cair no pecado e para que nunca nos
esqueçamos que o pecado foi a única causa do Seu sofrimento.
Maria, Mãe de Jesus e nossa Mãe, pedimos-te a graça de
imitar Jesus em todas as ocasiões em que sofremos a humilhação e o escárnio, a
perseguição e o exílio. Ensina-nos a contemplar o rosto do teu Filho coroado de
espinhos como tu fizeste. Ensina-nos a descobrir o Seu amor por nós e por todos
os que provocam o sofrimento da humanidade.
4.º MISTÉRIO DOLOROSO
A Subida de Jesus para o Calvário carregado com a cruz
Enquanto o conduziam, detiveram um certo Simão de Cirene,
que voltava do campo, e impuseram-lhe a cruz para que a carregasse atrás de
Jesus. Seguia-o uma grande multidão de povo e de mulheres, que batiam no peito
e o lamentavam. Voltando-se para elas, Jesus disse: Filhas de Jerusalém, não
choreis sobre mim, mas chorai sobre vós mesmas e sobre vossos filhos. Porque
virão dias em que se dirá: Felizes as estéreis, os ventres que não geraram e os
peitos que não amamentaram! Então dirão aos montes: Caí sobre nós! E aos
outeiros: Cobri-nos! Porque, se eles fazem isto ao lenho verde, que acontecerá
ao seco? Eram conduzidos ao mesmo tempo dois malfeitores para serem mortos com
Jesus (Lc 23, 26-32).
Meditação
Carregamos esta cruz desde a terra que nos viu nascer até ao lugar onde procuramos encontrar repouso e refúgio. Apesar de carregarmos esta cruz por terras
estrangeiras, o sorriso não abandonou os nossos rostos e a bondade continua a
preencher os nossos gestos para com o próximo. Continuamos a ter esperança
porque confiança em Ti, Senhor.
Continuamos a levar a nossa cruz porque disseste: “Se alguém
quiser vir comigo, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me.” Deixámos
tudo, pessoas e bens, por causa do Teu nome. Mas esperamos regressar e voltar a
erguer a Cruz sobre as nossas igrejas, as nossas colinas, as nossas casas, e a
Tua Cruz abençoará todos os lugares e pessoas da nossa terra.
Oração
Senhor, Tal como carregaste a Tua Cruz, também nós o
fazemos. Perdemos tudo excepto a Cruz que trazemos ao peito ou nos nossos
carros. Olhámos para esta Cruz quando fomos obrigados a abandonar as nossas
casas. É a Cruz da dor e da esperança, a Cruz da resistência e da perseverança
daqueles que suportam a injustiça com amor, mesmo quando o mal e a injustiça
aumentam.
5.º MISTÉRIO DOLOROSO
A crucifixão e morte de Jesus na Cruz
Junto à cruz de Jesus estavam de pé sua mãe, a irmã de sua
mãe, Maria, mulher de Cléofas, e Maria Madalena. Jesus viu sua mãe e perto dela o discípulo que amava, disse à sua mãe: Mulher, eis aí teu filho. Depois disse
ao discípulo: Eis aí tua mãe. E dessa hora em
diante o discípulo
a levou para a sua casa (Jo 19, 25-27).
Meditação
Meu Deus, nas Tuas mãos entregamos a nossa terra, o nosso
povo e a nossa Igreja, crucificada na humilhação, na ofensa e na dor. O nosso
povo perdeu o sentido da alegria da Ressurreição. A nossa terra já não é verde,
mas árida pela falta de água e pelo calor!
Oração
Sim, Senhor, precisamos de Ti e da Tua ajuda, pois
disseste-nos: “Não tenhais medo! Eu estarei sempre convosco até ao fim dos
tempos.”
Temos muita esperança e sonhamos em regressar à nossa terra
e andar pelos seus caminhos. Há tanto tempo que o esperamos e ainda sonhamos
com aqueles belos dias que vivemos com o nosso povo.
Senhor, ajuda-nos a regressar do exílio às nossas casas.
LADAINHA
Da Liturgia Caldeia (Com todos os povos de Deus, p. 21,22)
Pela paz duradoura nesta terra ancestral
Ouvi-nos Senhor.
Pela sabedoria e compaixão de todas as autoridades
Ouvi-nos Senhor.
Pelo consolo das famílias que sofreram a dor da separação ou
do luto
Ouvi-nos Senhor.
Pela libertação dos cativos
Ouvi-nos Senhor.
Pela segurança e protecção das minorias
Ouvi-nos Senhor.
Pelo alívio dos cansados e a cura dos doentes
Ouvi-nos Senhor.
Pela fidelidade constante das Igrejas ancestrais desta terra
Ouvi-nos Senhor.
Pela tenacidade de espírito dos grupos cristãos minoritários
Ouvi-nos Senhor.
Pelo enriquecimento e apoio mútuo das diferentes tradições
cristãs
Ouvi-nos Senhor.
Nós Te proclamamos Senhor de todas as coisas;
Nós Te glorificamos, Senhor Jesus;
Porque Tu és a vida dos nossos corpos
E o salvador das nossas almas.
Oração pela Paz
Com as palavras do Papa Francisco
(Invocação pela Paz, Jardins do Vaticano, 8 de junho de 2014)
Senhor Deus de Paz, escutai a nossa súplica!
Tentámos tantas vezes e durante tantos anos resolver os nossos conflitos com as nossas forças e também com as nossas armas; tantos momentos de hostilidade e escuridão; tanto sangue derramado; tantas vidas despedaçadas; tantas esperanças sepultadas... Mas os nossos esforços foram em vão.
Agora, Senhor, ajudai-nos Vós!
Dai-nos Vós a paz, ensinai-nos Vós a paz, guiai-nos Vós para a paz.
Abri os nossos olhos e os nossos corações e dai-nos a coragem de dizer: «nunca mais a guerra»; «com a guerra, tudo fica destruído»!
Infundi em nós a coragem de realizar gestos concretos para construir a paz.
Senhor, Deus de Abraão e dos Profetas, Deus Amor que nos criastes e chamais a viver como irmãos, dai-nos a força para sermos cada dia artesãos da paz; dai-nos a capacidade de olhar com benevolência todos os irmãos que encontramos no nosso caminho.
Tornai-nos disponíveis para ouvir o grito dos nossos cidadãos que nos pedem para transformar as nossas armas em instrumentos de paz, os nossos medos em confiança e as nossas tensões em perdão.
Mantende acesa em nós a chama da esperança para efectuar, com paciente perseverança, opções de diálogo e reconciliação, para que vença finalmente a paz. E que do coração de todo o homem sejam banidas estas palavras: divisão, ódio, guerra!
Senhor, desarmai a língua e as mãos, renovai os corações e as mentes, para que a palavra que nos faz encontrar seja sempre «irmão», e o estilo da nossa vida se torne: shalom, paz, salam! Ámen.

Amemo-nos
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