Atravessamos tempos difíceis. Surpreende-nos a pouca
transparência de pessoas, das quais esperávamos uma presença mais ativa,
dinamizadora, mais força, mais atenção e respeito pelos valores que marcaram a
nossa infância e adolescência. De quando em vez, agora com mais frequência, aparece
o negativo da vida. E não há situações imunes a esta degradação. A fraude, a
corrupção aparecem em todos os sectores em que o homem participa.
E as razões são diversas! Será ambição de um só ou um
programa engendrado por um grupo? O poder é polvo... O que é certo é que depois
se busca uma capa protetora, com que se cobrem e encobrem uns aos outros e mais
competem e se sublimam na exploração dos mais indefesos.
Que isto é real e verdadeiro na sociedade civil, no mundo
dos negócios, na política, na banca, na justiça, no governo… Não se aceita, mas
já estávamos mais ou menos à espera! São homens e mulheres dotados de
capacidade humana, liderança, competência técnica, profissional, académica, etc.,
que engendram os meios mais sofisticados para enganar o "Zé".
E na tua Igreja, Senhor? Também na tua Igreja!... Somos
pecadores e somos Igreja. Cardeais, bispos... partilhamos a mesma humanidade.
Assumimos as nossas limitações e as contradições da nossa natureza, que
"não permite fazer o bem que queremos", mas nos sujeita ao mal, ao
pecado...
Uma boa nova! Eu creio no Espírito. Ele está presente.
Governa a Igreja, no silêncio dos tempos. Deu-nos o papa Francisco. Em boa hora
encetou uma caminhada de renovação. Ele sabia, nós sabemos que não é fácil
mover inertes calcinados, cimentados pelo musgo da história, à mistura com
tradições cómodas e interesseiras.
Eu estou com o papa Francisco. Admiro o homem simples, despido
das maneiras sociais, aparatosas, com uma profunda motivação para as coisas
essenciais. Um humanista convicto. E portanto um homem de fé adulta.
Que espero do papa Francisco? Estou consciente do icebergue
que enfrenta. Peço a Deus coragem, força, paciência, perseverança para levar
esta Igreja a bom porto.
Joaquim Soares | Espiral, n.º 56, boletim da FRATERNITAS MOVIMENTO,

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