As religiões e a paz no mundo


1. Muitos têm dito que não haverá paz no mundo sem entendimento entre as várias religiões. O maior contributo para esta causa tem sido dado pelo Papa Francisco. O último encontro em Cuba entre o Papa Francisco (representante da Igreja Católica) e o Patriarca Russo Kirill (representante da Igreja Ortodoxa russa), é bem sintomático que o sonho do entendimento entre as várias sensibilidades religiosas, particularmente as cristãs, podem dar um excelente contributo para minorar a violência, o terrorismo e toda a insegurança que reina no mundo atual. 
Mas, este encontro do Papa com o Patriarca russo tem uma outra mensagem importante. É a primeira vez em 962 anos que acontece uma aproximação concreta entre as lideranças da Igreja Católica e da Igreja Ortodoxa. Um acontecimento de grande envergadura para o ecumenismo e para a paz no mudo. Tenho pena que andemos tão embriagados com tanta religiosidade popular que não nos permita ver o quanto pulsa o mundo com passos de gigantes como este entre o Papa Francisco e o líder russo ortodoxo.

José Luís Rodrigues | Diário de Notícias da Madeira21 de Fevereiro de 2016

Mais ainda ao lado de tudo isto não fica tempo para observarmos os gestos do Papa Francisco na viagem que realizou ao México, estão carregados de simbologia e dispensam palavras. É a criança em cadeira de rodas no meio da multidão, o Papa repara nisso e vai ao seu encontro para beijá-la e abençoá-la, é os recasados que o Papa abraça calorosamente… Por isso, afirmou o seguinte: «Abriram-nos as portas de suas casas, de suas vidas; permitiram-nos estar nas suas “mesas”, partilhando o pão que vos alimenta e o suor face às dificuldades quotidianas. O pão das alegrias, da esperança, dos sonhos e o suor contra as amarguras, a desilusão e as quedas.
Obrigado por nos permitirem entrar nas vossas famílias, na vossa mesa, no vosso lar». É este discurso que nos faz falta, é esta a linguagem de Jesus no Evangelho, porque é o pulsar da vida concreta das nossas famílias.

2. Porque estamos em tempo de Quaresma, o apelo à conversão, à humildade e à sobriedade ficam sempre bem. Então pensei desta forma sobre a violência que nos rodeia. Há um ambiente de desemprego e de pobreza, que estão a criar homens, mulheres, jovens e crianças cada vez mais violentos, desocupados, sem perspetivas de futuro, desorientados e sem valores, que se apresentam agressivos, desordeiros e desrespeitosos de si próprios, dos outros e da natureza.
Os casos de violência doméstica que se vai tendo conhecimento, vão revelando o descalabro da educação, a pobreza e o quanto anda perdida a nossa sociedade em geral. As crianças são as principais vítimas. 
Noutro domínio mas não de todo fora de contexto, basta darmos uma volta pelo nosso funchal ao cair da noite para nos apercebermos a olho nu como a prostituição de rua aumenta, os desabrigados e esfomeados estão à mão de semear.

Outro elemento de violência triste prende-se com a ganância pelas miseráveis pensões dos idosos que está a semear o medo, a insegurança nesta porção enorme da nossa população. Houve-se falar de graves maus tratos contra idosos indefesos e desprotegidos à mão de familiares sem escrúpulos que não se inibem de cometer atrocidades contra os seus entes fragilizados pelo peso da idade.

Agora vejamos o estudo sobre violência entre os jovens namorados. Deu para ler que a violência no namoro, numa auscultação realizada junto de 2.500 jovens, que quase um terço dos rapazes (32,5%) acha legítimo exercer violência sexual e que 14,5% das raparigas não considera violência forçar um beijo ou sexo. Estamos mal se estes dados correspondem à realidade. Aliás, pelo andar da humanidade, duvido que a realidade ainda não seja bem pior.

O Papa Francisco propôs para esta Quaresma 15 gestos simples que podem fazer sorrir muita gente à nossa volta se forem praticados com honestidade e verdade, podem ser manifestações concretas de amor: 1. Sorrir, um cristão é sempre alegre! / 2. Agradecer (embora não seja “preciso” fazê-lo). / 3. Lembrar ao outro o quanto o ama. / 4. Cumprimentar com alegria as pessoas que se vê todos os dias. / 5. Ouvir a história do outro, sem julgamento, com amor. / 6. Parar para ajudar. Estar atento a quem precisa. / 7. Animar a alguém. / 8. Reconhecer os sucessos e qualidades do outro. / 9. Separar o que não se usa e dar a quem precisa. / 10. Ajudar alguém para que ele possa descansar. / 11. Corrigir com amor; não calar por medo. / 12. Ter delicadezas com os que estão perto de nós. / 13. Limpar o que se sujou, em casa e não só. / 14. Ajudar os outros a superar os obstáculos. / 15. Telefonar aos seus pais… Não são tudo, mas podem ajudar a transforma a nossa vida e a daqueles que nos rodeiam.

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